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Ano 2, n.19, Julho de 2004    


ÍNDICE

O alvo é o povo

Opiniões

Parecenças criminosas

O destino dos tributos: lucros dos bancos

Sonho de Serra da Mesa vira poço de pesadelos

Igualzinho à metrópole

O desastre anunciado

A política externa agressiva do FMI-PT

A legitimação do absurdo

Ministro ressuscita “Acordo Sardenberg/USA”

A dominação pela água

A universidade nas mãos do FMI

Não à contra-reforma universitária do FMI

De flexada ou de cadeia?

E o povo liberta sua terra

2.300 toneladas de ajuda mútua

No que deu o sindicalismo amarelo

Outra maneira de ver os povos

Existe uma conexão aymara?

Os objetivos da intervenção global do USA

Contos de Vovô Bush
A fábula da soberania do Iraque

A rebelião da Praça Tien na-men por uma testemunha ocular

Rosana Bond fala de seu livro

A literatura no rumo da hora próxima

Bravas histórias da resistência

Nossa música não conhece rendição

Bandas & bandas nossas
Tudo cor(r)eto com Carlos Malta

30 anos na luta pelas bandas

O cinema de Sérgio Ricardo

O teatro é uma das demandas do povo

Compre seu Livro!!

Expediente

PRINCIPAL

Números Anteriores

Personalidades da música brasileira

30 anos na luta pelas bandas

Da redação

Homem do interior, nascido em Valença, RJ, na década de 30, já nos seus oito anos de idade chegava a “matar aula” no grupo escolar para ir atrás da banda de música ou da Folia de Reis — duas das mais importantes manifestações de arte cultural e popular. Zair Cançado, filho de operários valencianos (a mãe tecelã, o pai ferroviário), irmão de um ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB), viu o tempo passar e com ele muitas bandas em muitas cidades, sempre se emocionando com os acordes das humildes liras ou das grandes filarmônicas.

O destino lhe reservou, já adulto, conhecer na década de 50, um dos maiores vultos da Rádio Nacional, “a maior emissora da América Latina”, o centro artístico da Praça Mauá. Era o médico e radialista Paulo Roberto, mineiro de Ponte Nova, criador de inúmeros sucessos da radiofonia a partir da década de 40, dentre eles o programa A lyra de Xopotó, que sacudiu todo o interior do país durante 10 anos, fazendo reviver a tradição, quase totalmente esquecida, das bandas de música.

Fizeram-se amigos. Zair Cançado passou a secretariar e ajudar a montar os programas de Paulo Roberto. Tornou-se também redator no jornalismo da Nacional e acabou indo, com uma equipe pioneira, instalar a primeira estação de rádio de Brasília, a Nacional da nova capital. Em tempo recorde, ele e seus companheiros de jornada pioneira, puseram no ar, dirigidos por Leony Mesquita, a rádio que hoje transmite, inclusive, para toda a região amazônica. Falecendo em 1973 seu mestre Paulo Roberto, Zair Cançado decidiu, a partir de 1974, dar prosseguimento à divulgação das bandas de música no rádio. Foram treze anos na Rádio Rio de Janeiro — então dirigida por outro amigo, Geraldo de Aquino —, dois anos na Rádio Roquete Pinto, onze anos ausente do microfone e, agora, completando três anos na Rádio Bandeirantes com o programa Vamos ouvir a banda*, com audiência líder.

Ele afirma: “não é fácil levar adiante um trabalho sério e dirigido à verdadeira arte e cultura do povo, como este, numa radiofonia que hoje está completamente modificada e na qual temos que ser o produtor, apresentador e também o corretor dos anúncios. É um desdobramento estafante, principalmente tendo que correr atrás de verbas, sempre escassas para realizações de natureza cultural. Se esperamos pela boa vontade dos órgãos oficiais de cultura, estamos fritos.”

Mas o volume de correspondência enviada ao programa de Zair Cançado na rádio Bandeirantes, oriunda de várias partes do Brasil, consagra o seu trabalho de preservação desta cultura musical.

Ele faz duras críticas ao que chama de sabotagem à tradição das bandas de música, “como, por exemplo, o fato de terem substituído as mesmas nas partidas de futebol, principalmente internacionais, por gravações de hinos dos países, além de não se gravar mais a música das bandas (ao contrário de Portugal, onde esta arte popular merece um tratamento especial). E também de se interromper, como ocorre no estado do Rio de Janeiro desde 1999, o Encontro Estadual de Bandas de Música Civis, que pode ser considerado uma grandiosa oficina musical, congregando habitantes de todas as regiões fluminenses.”

Criado no ano de 1977, este evento da Federação Fluminense de Bandas, da qual Zair foi um dos fundadores, ao lado do grande mestre e compositor Joaquim Naegele, saiu de cena no governo Garotinho.

São muitas as cartas que o radialista recebe dos maestros, dos músicos, dos ouvintes, em apoio à sua luta radiofônica. Não somente as bandas civis, mas também as militares, encontram em Vamos ouvir a bandao seu canal de divulgação — o que fez Zair Cançado receber inúmeras homenagens e até condecorações.

No seu arquivo musical encontram-se todos os gêneros: polcas, maxixes, valsas, marchas, hinos e clássicos, e no seu arquivo de correspondência, relatos emocionantes feitos pelos ouvintes. Com muito orgulho ele aponta para os diplomas que tem recebido, expostos na parede. E já virou nome de música, sendo que há dois dobrados feitos em sua homenagem.

* Vamos ouvir a banda é apresentado às sextas-feiras, de 22 às 23 horas, na Rede Bandeirantes de Rádio, Rio de Janeiro, AM 1360 KHZ.