ÍNDICE
Editorial
Derrama e contra-derrama
Opiniões
Colônia do sistema financeiro mundial: com ou sem acordo com o FMI
Ao arrepio da lei
Thmoskhenko e José Ferreira de Alencar na velha praça e nos corações
Nova entrega do território brasileiro
As viagens dos presidentes-camelôs
O dia da caça na FNM
Laboratórios estrangeiros: vacinas
A transposição para o latifúndio
Amazônia Intervenção e resistência
Sonho Real na paz dos cemitérios
Os bravos homens do mar enfrentam ganância e opressão
Índios Tapebas: terra, produção e autonomia
Trabalhadores enfrentam livre trânsito dos trustes
A inevitável fusão PT/PSDB
Censura tenta encobrir a história
Papa bom ou ruim é papa
Bolívia Cinco anos de conflitos sociais e saidas conjunturais
Mais protestos, mais eleições!
O presidente Saddam e a resistência
Festival de futebol popular (você já viu isso?)
A música latina na voz do Tarancón
Um artista fala de outro
Os valentes chiriguanos
O humanismo burguês e Gorki
Ruy Faria e Carlinhos Vergueiro:
Em dupla com a música popular
Teatro político que atrai o povo
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Editorial
“Fora o poder tudo é ilusão”
Hordas de exploradores e de vândalos a seu serviço lançam-se contra o país exterminando a gente explorada — nos campos, nas fábricas, nas favelas e nas prisões — saqueando e destruindo a agricultura, as florestas e as reservas de matéria-prima.
O povo tornou-se o inquilino de seu próprio território, e o aluguel é cada vez mais insuportável. Salários, garantias trabalhistas e previdenciárias retrocedem às condições encontradas no início do século passado. A exploração do homem pelo homem chega às suas últimas consequências.
Tudo privatizaram. Pior, o Brasil foi desnacionalizado.
II
Costuma-se dizer que este país não tem governo desde 1964, o que é verdade. Porém, como?
Sem órgãos de poder adequados não há Estado. O sistema de Estado diz respeito à frente das classes que exercem o Poder, enquanto que o sistema de governo é a forma com que se organiza o Poder — o Poder que se estabelece para proteger as classes que dirigem a economia, a política, a cultura, o seu território; todo o seu patrimônio.
Por sua vez, o Estado é o elemento secundário. O principal são as classes, o elemento decisivo que dirige o Estado. No caso brasileiro, são as classes organizadas no Poder e que oprimem outras, as que trabalham e são exploradas.
Vitoriosa a contra-revolução de abril de 64 — sob a hegemonia do imperialismo ianque, que tem como suporte social interno a aliança da oligarquia latifundiária e a parte mais servil da burguesia —, desde então, essas classes nunca entregaram o Poder.
E a direção do PT, como a de outros partidos “democráticos” — todos adotando o mesmo programa (monopartidista) e seus governos figurativos que se sucederam no Brasil —, está sob as ordens dessas classes contrarevolucionárias em aliança, assim como dos tenebrosos pactos que elas promovem.
Ao mesmo tempo, tais classes se recusam, óbvio, a estabelecer qualquer acordo com o proletariado, com o campesinato e com todo o povo brasileiro.
Esses são os interesses que vigoram e se refletem na política letal dirigida contra o nosso povo há 41 anos.
O atual Estado brasileiro existe para sustentar principalmente os interesses do imperialismo, em associação com a oligarquia latifundiária e a burguesia burocrática. E a expressão desse sistema de Poder é, obrigatoriamente, semicolonial, semifeudal e burocrático.
Até que ponto esses Estado e governo têm (ou pretendem ter), portanto, algo de nacional?
Não sem razão, cada discurso governamental (ou, mais francamente, Não-Governamental?) cometido é um atentado à inteligência humana. Invariavelmente a fala se faz acompanhar por novos decretos lesivos aos interesses nacionais e por trejeitos de assimilação osmótica — o escravo adota os hábitos do senhor.
III
Na administração FMI-PT, a exemplo da “administração” Cardoso e das demais, escândalos se multiplicam ora como reflexo das disputas entre frações do campo anti-povo e contra-revolucionário, outras vezes servindo para “oxigenar” desmoralizadas campanhas eleitorais, ocultar fatos revoltantes, imediatamente anteriores ou paralelos. Tudo com o objetivo de desviar as críticas à corrupção sistêmica, aos crimes maiores, dissolver a responsabilidade dos grandes patrões estrangeiros.
Pagam-se 30 mil mensais para que o gringo possa roubar bilhões do povo trabalhador, arruinar de vez a pátria e sair inocente.
Se necessário, convocarão o povo para defender a “legalidade” (ou seja, o chamado “governo”) — além de retomar o controle da “crise ética” (de uma ética sem honra), e os “valores democráticos” sem povo — ou a outra fração anti-povo que se oponha à atual administração, quando ambas fazem parte do mesmo sistema.Mas, partindo dessa gente, o objetivo será sempre o de aprofundar a exploração, a opressão, o saque, a pirataria, a rapina.
Nesses dias, o PT controla a própria comissão que o investiga. E de fato, pouco importa se o PT está em crise, porque a crise, determinante e irremediável, é a das classes dominantes internas e a do imperialismo, da sua estrutura de Poder. Consequentemente, de todas as suas instituições, o que, então, inclui o PT.
Os verdadeiros filhos deste país — principalmente a parcela mais avançada do proletariado, do campesinato e dos setores médios da população, como a pequena burguesia industrial e comercial, além de outros setores da burguesia, oprimidos pelo imperialismo — há muito compreenderam a necessidade de estabelecer um programa de frente única contra as classes que compõem o campo entreguista e imperialista.
Definitivamente, é preciso varrer por inteiro o blefe da dívida externa e o sistema de opressão que pesa sobre a nossa gente. É imperante confiscar e nacionalizar, por inteiro, o patrimônio monopolístico das corporações transnacionais e das classes aliadas ao imperialismo, transferindo-o imediatamente para as mãos do povo.
Não pode continuar nas mãos do imperialismo, e de seus asseclas internos, a vida material das massas, como os meios de produção fundamentais: a terra, os bancos, as grandes empresas industriais e comerciais, rodovias, ferrovias, linhas de navegação em geral, reservas de matéria prima e as empresas de valor estratégico.
Nada se espera quando o povo não marcha resoluto em direção a um sistema de Estado e de governo autenticamente popular e comprovadamente democrático —, rumo a uma nova economia, uma nova política, uma nova cultura; a uma democracia de tipo novo.
Sem uma estatalidade feita da vontade mais pura e verdadeira das classes que lutam pela sua emancipação e pela independência nacional, tudo não passará de ilusão.
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