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Ano 3, n.25, Julho de 2005    


ÍNDICE

Editorial
Derrama e contra-derrama

Opiniões

Colônia do sistema financeiro mundial:
com ou sem acordo com o FMI

Ao arrepio da lei

Thmoskhenko e José Ferreira de Alencar na velha praça e nos corações

Nova entrega do território brasileiro

As viagens dos presidentes-camelôs

O dia da caça na FNM

Laboratórios estrangeiros: vacinas

A transposição para o latifúndio

Amazônia
Intervenção e resistência

Sonho Real na paz dos cemitérios

Os bravos homens do mar enfrentam ganância e opressão

Índios Tapebas:
terra, produção e autonomia

Trabalhadores enfrentam livre trânsito dos trustes

A inevitável fusão PT/PSDB

Censura tenta encobrir a história

Papa bom ou ruim é papa

Bolívia
Cinco anos de conflitos sociais e saidas conjunturais

Mais protestos, mais eleições!

O presidente Saddam e a resistência

Festival de futebol popular
(você já viu isso?)

A música latina na voz do Tarancón

Um artista fala de outro

Os valentes chiriguanos

O humanismo burguês e Gorki

Ruy Faria e Carlinhos Vergueiro:
Em dupla com a música popular

Teatro político que atrai o povo

Compre seu Livro!!

Expediente

PRINCIPAL

Números Anteriores

Gerência semicolonial: territorialidade

Thmoskhenko e José Ferreira de Alencar na velha praça e nos corações

Mesmo acometido de câncer, em cuja fase terminal padecia de dores terríveis, Carlos Thmoskhenko manteve-se firme na luta contra o imperialismo e pelo socialismo.

Filho de operários revolucionários, Carlos nasceu em Fortaleza, no interior da resistência dos explorados e se formou no ideal proletário. Era filho de João Soares e Margarida Sales, uma brava costureira e parteira, que na década de 50 enfrentou a repressão nas ruas de Fortaleza. Os pais deram-lhe o nome de Thmoskhenko em homenagem ao herói general, um dos dirigentes do Exército Vermelho, que destruiu o poderio do imperialismo alemão, durante a vigência do nazismo. Carlos casou-se bem cedo e, aos 22 anos, tinha dois filhos. Ingressou no serviço público, exatamente na Secretaria de Segurança de seu estado natal, Ceará. Fez cursos de investigador e de detetive. Foi membro da Ação Libertadora Nacional — ALN, dirigida por Carlos Marighella e do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário — PCBR, de Mário Alves.

O jovem Carlos não tardou a ser perseguido pela gerência militar. Quando se preparava para ser comissário, teve que entrar na clandestinidade. Sua resposta foi romper os vários cercos nas cidades por onde passou, numa resistência ativa, cheia de ações heróicas, vencendo os limites do estado e atravessando o Brasil, de norte a sul, até alcançar o Uruguai, onde esteve preso e conseguiu sua libertação graças aos Tupamaros revolucionários.

Exilou-se no Chile, depois na França, até que retornou com a anistia. Na Universidade do Chile, fez curso de Educação Física, além de estudo e pesquisa em Comercialização, e na França, Psicologia Social. Era professor de capoeira e chegou a ser diretor técnico da Federação Cearense de Pugilismo, participando como atleta em campeonatos estaduais e brasileiros. Em 2003 foi lançado um livro de memórias, escrito por ele e pelo jornalista Rogério Morais, quando exercia o cargo de diretor do Centro Cultural Praia de Iracema, da prefeitura de Fortaleza. Há algum tempo, já enfermo, mas trabalhando arduamente, Carlos havia entrado em contato com A Nova Democracia no Ceará e se tornado um seu divulgador.

Uma multidão compareceu ao seu sepultamento, inclusive os índios Tapebas, com os quais mantinha excelente relacionamento, no dia seguinte a que faleceu: 22 de março de 2005, na cidade onde havia nascido, em 3 de novembro de 1942.

Novamente, no dia 17 de maio, os cearenses de Fortaleza reconquistaram a Praça José Ferreira e a colocaram a serviço do povo, prestando homenagens póstumas a Carlos Thmoskhenko e também ao professor José Ferreira de Alencar, velho combatente da causa socialista, falecido em 21 de fevereiro último. Nessa mesma praça, ambos os combatentes muitas vezes ergueram suas vozes corajosas em defesa do povo brasileiro e dos povos do mundo inteiro.

Na ocasião, foi relançado o livro do argentino José Ingenieros, O homem medíocre, um clássico da literatura revolucionária argentina, inaugurando a editora Priscila, dirigida pelo escritor e publicista Manoel Coelho Raposo.