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Ano 4, n.27, Novembro de 2005 | |
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ÍNDICE A dívida pública e o paraíso da agiotagem Limite dos juros. Quem governa o país? Figura exponencial da República De onde provém a crise atual e no que resultará? E nos tornamos um país governado por alienados Greve em defesa da educação pública Rodoviários derrotam ministro da CUT Ato de desagravo repudia perseguição política a lideranças populares Tupiniquins e Guaranis x Aracruz Funcionários da Funasa estão envenenados "Russo" recebe solidariedade internacional Viva os 10 anos da resistência camponesa em Corumbiara Porque é justa a causa camponesa A questão do nióbio - ou diga não à doutrina da subjugação nacional Penitenciárias e Estado criminoso A construção das assembléias populares Evo Morales e García Linera Venezuela: camponeses impulsionam Revolução Agrária Bush quer que Israel seja o maior Estado do Oriente Médio Saddam Hussein está à altura do momento histórico do Iraque Cultura popular é marca brasileira na França O brasileiro Taiguara no Japão |
Movimento popular urbanoRodoviários derrotam ministro da CUT Daniel Lima
Outubro marcou uma intensa mobilização entre os trabalhadores rodoviários de Belo Horizonte. Enquanto aguardavam o julgamento do efeito suspensivo sobre a redução da jornada de trabalho para 6 horas — conquistada na jornada de lutas do início do ano —, foram surpreendidos com o despacho do Ministério do Trabalho que concedia o registro sindical a um sindicato paralelo na categoria. Este despacho, feito pelo secretário executivo do Ministério do Trabalho, Alencar Ferreira, dia 10 de outubro de 2005 e publicado no Diário Oficial da União do dia 13, dava publicidade do não acolhimento da impugnação contra a criação de um sindicato paralelo na base do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de BH e Região — STTR-BH. Ao mesmo tempo, concedeu registro sindical a um denominado Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Belo Horizonte e Região Metropolitana — Sintracurb. Ou seja, com uma canetada, o Ministério do Trabalho promoveu uma intervenção na base do antigo e legítimo sindicato. A medida do Ministério do Trabalho, hoje comandado por um ex-presidente da CUT, afrontou o direito constitucional de representação dos trabalhadores rodoviários que têm sua entidade representativa constituída desde 5 de agosto de 1949. Nunca, em períodos de normalidade constitucional, medida tão arbitrária e intervencionista foi cometida, como pretende essa decisão do secretário executivo do Ministério do Trabalho. Mas, claro que no período do regime militar e da ditadura getulista tais medidas de intervenção nos sindicatos eram praxe. Indignados, os rodoviários realizaram uma paralisação em um dos principais corredores de transporte de Belo Horizonte na quinta-feira, dia 19 de outubro, entre as 6h e 9h da manhã, com total adesão dos motoristas e cobradores que por ali trafegavam. Uma grande faixa com os dizeres “Abaixo a intervenção do ministro da CUT no Sindicato” foi estendida na avenida. Com esta paralisação, os trabalhadores marcaram também a exigência da imediata redução da sua jornada de trabalho, além de manifestarem a revolta contra a decisão do ministro Luiz Marinho, ex-presidente da CUT, de usar a máquina burocrática do Estado para legalizar um sindicato paralelo, pró-PT, vale dizer, pró-patrões. Essa decisão abusiva e ilegal do Ministério culmina uma série de atividades que ao longo de vários anos (desde que o PT passou a administrar a prefeitura de Belo Horizonte) vêm sendo tentadas no sentido de promover o controle do Sindicato dos Rodoviários de BH por determinado grupo político e banir a direção classista, combativa e independente que, há anos, vem sendo construída e praticada no sindicato. Sucessivas derrotas nos pleitos eleitorais estatutários e democráticos para renovação da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de BH e região frustraram os intentos desse grupo. Assim, eles passaram a desenvolver forma provocadoras para criar uma entidade paralela e, através de articulações políticas, obter o seu reconhecimento legal. Todas essas atividades tiveram sempre o patrocínio da cúpula nacional da CUT, que, coincidentemente, agora tem um ex-presidente e outros antigos dirigentes ocupando ministérios e outros cargos no governo federal (Luiz Marinho — ministro do Trabalho; Alencar Ferreira — secretário executivo do Ministério do Trabalho), promoveram o pretendido reconhecimento, que confisca a representação legal do legítimo sindicato da classe. Tal prática, entretanto, confirma que o PT e seu braço sindical, a CUT, adonaram-se do Estado como um aparelho seu para promover o controle da vida econômica e social dos brasileiros e que, neste caso, pretendem empalmar todo o movimento sindical, o que é confessado na chamada proposta de “reforma sindical”, amplamente repudiada pelos trabalhadores e forças democráticas, cuja tramitação se acha paralisada no Congresso Nacional. Derrotados pelas massas Também ocorreram intervenções no Sindicato dos Metalúrgicos de Itajubá, MG, e uma suja manobra para tentar quebrar a representação na base dos metalúrgicos de São José dos Campos, SP, cujo sindicato histórico da classe rompeu com a CUT por esta ter se transformado em um mero instrumento de manipulação da gerência FMI-PT. Elementos vinculados ao PT e à CUT tentaram criar um sindicato exclusivo dos funcionários da Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica) naquela base, o que foi rechaçado pelos metalúrgicos de São José dos Campos e derrotado na justiça. Tudo isso ocorre no âmbito da corrupção e tráfico de influências que há mais de seis meses estarrece e revolta o povo brasileiro. A prática de colocar os sindicatos no bolso do Estado é velha conhecida, tem suas raízes no fascismo clássico e percorre a fase do fascismo sofisticado. Em outros setores da vida nacional tal política é igualmente implementada, como na economia, na questão cultural e na organização do poder. Mas, em 25 de outubro, o juiz Antônio Gomes de Vasconcelos, da 5ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte, concedeu liminar ao Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Belo Horizonte —STTR-BH, determinando a garantia da representatividade para o Sindicato da classe, a suspensão do sindicato paralelo e oficiou ao secretário de relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, exigindo a suspensão dos efeitos do registro do sindicato paralelo. Antes, no dia 21 de outubro, a 21a Vara do Trabalho de Brasília já havia anulado a concessão do registro ao tal Sintracurb. Cabe lembrar que as decisões dos tribunais não denota nenhuma benevolência do Estado, mas reflete a avançada organização e combatividade dos trabalhadores rodoviários de Belo Horizonte. A luta combativa dos rodoviários de Belo Horizonte impôs aos oportunistas mais uma derrota. Sem descanso, para aumentar a mobilização e resistência aos ataques do governo e dos oportunistas, e fortalecer o Sindicato, foi convocada uma grande assembléia dia 4 de novembro, onde, além de discutir sobre a jornada de 6 horas, também estará em pauta a luta contra a intervenção do Ministério do Trabalho na entidade e a necessidade de continuar firmes nas batalhas e reforçar o Sindicato como instrumento de luta dos trabalhadores. |
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