Este jornal não é órgão de nenhum partido político
Ano V. nº 31, setembro de 2006

Índice

Editorial

Opiniões

A Varig é mais uma imolada

Não à farsa eleitoral
Todo apoio às lutas consequentes das massas

Aumenta o poder repressivo do Estado:
Um pacote fascista

A agonia como pena

O roubo chamado crédito

Mercado da pobreza:
O crédito às avessas

Ainda o ouro da colônia

Sindicalismo mais cruel que o de Vargas

Demissões no Instituto de Educação
Escolas do desemprego

Sempre que houver uma tribuna do povo

Incra protege latifúndio

Fifa, Adidas e ISL:
30 anos aprofundando a formação de quadrilhas

Dia da heroicidade
Relembrando um encontro com os bravos combatentes

Contrafogos da França rebelde

Líbano de verdade:
Um povo sempre resiste

Rebelar-se é
(cada vez mais) justo

Sabem as hordas fascistas: Também a Palestina é indomável

Um pouco das malandragens de
The Globe

O mito da imaculada concepção

Honras a Vergatti

Índios Tapeba vão às ruas

A moral e o humor carioca de Sérgio Porto

Varnhagen e a 'invenção'
da história do Brasil

Tração nas cinco rodas
Arranco de Varsóvia

O tempo novo de
Olga camarada

Olga – a força da liberdade

As duas covas no sorriso
de Maria de Jesus

Expediente

A autoridade do povo

Sempre que houver uma tribuna do povo

Arte: Alex Soares

Aos companheiros de A Nova Democracia

Temos acompanhado o hercúleo esforço deste intrépido e combativo jornal para informar nosso povo.

Temos orgulho de, por diversas ocasiões, nossa luta conquistar espaço nesta publicação.

Nossos ativistas, a cada nova edição, disputam a primeira leitura. Grupos de debates são organizados para que os companheiros que não sabem ler possam ter acesso ao que vocês publicam.

Acreditamos que vocês ficariam muito contentes se pudessem ver com os próprios olhos, onde atua o movimento camponês combativo, em pequenas cidades, vilarejos e corrutelas, em simples barracos, mesmo em locais públicos, como pequenas vendas ou escolas rurais, páginas com matérias de AND coladas nas paredes.

Gostaríamos de poder enviar para vocês mais matérias, é intensa neste momento a luta das massas camponesas em todo o Brasil. Sob um sepulcral silêncio das direções oportunistas e da mídia que desinforma, as massas camponesas combatem a maior repressão já desatada contra o campesinato brasileiro nos últimos anos. Multiplicam-se mandatos de prisão, prisões, torturas e reintegrações de posse; perseguições de forças paramilitares (pistoleiros) e do Estado, com seu aparato mais refinado, polícia federal, Abin, Exército, e as famigeradas forças tarefas dos governos estaduais. Tudo acobertado por judiciários que não ficam nada a dever ao recém desmoralizado Tribunal de Justiça de Rondônia.

O próprio Estado, gerenciado pelo oportunismo, admite tal situação, quando batiza sua principal intervenção no agrário de "Operação Paz no Campo". Ora, paz é o contrário de guerra, e é esta que vivemos.

Mas fica o nosso compromisso, com as novas forças que em levas têm se somado à nossa luta, de superarmos esta nossa dificuldade, de enviar notícias, para o movimento camponês combativo continuar tendo espaço no A Nova Democracia.

Porém, o que nos motiva a escrever esta correspondência, é solicitar que seja incluída, na próxima edição de AND, o manifesto, em forma de carta aberta, assinado pelo Cebraspo, Liga Operária, Sindicato dos Trabalhadores da Construção de Belo Horizonte e Sindicato dos Rodoviários de Belo Horizonte, denunciando a situação de nosso companheiro Ruço, que será julgado no próximo dia 14 de setembro em Porto Velho, Rondônia. Este manifesto vem conseguindo importantes adesões e acreditamos que, se publicado no A Nova Democracia, alcançará um patamar ainda maior de assinaturas de intelectuais, artistas e verdadeiros democratas, que pelo que lemos acompanham a trajetória deste jornal.

Enviamos cópia do manifesto e assinaturas.

Sendo para o momento,

Comissão Nacional Coordenadora das Ligas de Camponeses Pobres


Carta aberta

Belo Horizonte, julho de 2006

Ao povo de Rondônia

Aos camponeses, trabalhadores, intelectuais, democratas e honestos de todo o Brasil

Provavelmente no mês de agosto, estará indo a júri popular, em Porto Velho, Rondônia, o camponês Wenderson Francisco dos Santos, o Ruço.

Este júri não terá as luzes e a milionária cobertura da imprensa, internet, jornais, rádios e televisões, como a dedicada ao assassinato de um casal da classe média alta de São Paulo, ao que tudo indica cometido pela própria filha e seu namorado.

Mas será centenas, milhares de vezes mais importante. Pois junto com Ruço, no banco dos réus, estará em jogo a saga de milhões de brasileiros pobres, particularmente dos camponeses que vivem em Rondônia.

Ruço chegou a Rondônia com seu pai no início dos anos 90. "Seu" Odiel veio de Belo Horizonte, onde chegou expulso pela miséria de uma das regiões mais pobres de Minas, do Brasil e do mundo, o Vale do Jequitinhonha.

Trabalhando como vigilante, ganhando pouco mais que o salário mínimo, com problemas de saúde, "seu" Odiel empreendeu o caminho de volta para o campo, foi para Rondônia.

Conseguiu um lote, plantou café. A saca entre R$ 190,00, R$ 200,00. No final dos anos 90, crise. A saca a menos de R$ 50,00. O caso se repete. No Brasil, latifundiários conseguem repetidos perdões de suas milionárias dívidas com os bancos oficiais, enquanto circulam com carros do ano e roupas de grife. Os camponeses pobres preferem honrar o nome. O pai de Ruço, "seu" Odiel, vendeu seu lote.

Foi trabalhar com os filhos que, mesmo jovens, vendo as agruras do pai, decidiram lutar pela terra junto com a Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia, cuja origem remete às famílias que resistiram ao bárbaro, cruel e covarde ataque das forças policiais do Estado na Fazenda Santa Elina, Corumbiara, sul de Rondônia,1995, cujas cenas de torturas e execuções sumárias chocaram a nação, e até hoje, passados mais de 10 anos, estão impunes.

Ruço, seu pai e seus irmãos viviam e trabalhavam em Cujubim, norte do estado, em 2003, quando se acirram as contradições no campo.

Ao contrário de todas as expectativas alardeadas após o resultado do processo eleitoral de 2002, aumentam as mortes de camponeses assassinados por pistoleiros a mando de latifundiários, como denunciaram diversas entidades nacionais e internacionais, e como reconheceu a própria Ouvidoria Agrária Nacional, do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

É neste cenário que em Jaru, na região de Seringal, distante aproximadamente 200 Km de Cujubim, o latifundiário Antônio Martins dos Santos, conhecido na região por "Galo Velho", dono da Leme Empreendimentos, citado no "Livro Branco da Grilagem de Terras" (Ministério do Desenvolvimento Agrário, 1999-2002) como um dos maiores grileiros do país, espalha o terror na região. Seus pistoleiros, a céu aberto, em plena luz do dia, fazem bloqueios nas estradas vicinais, revistando e humilhando camponeses, incendiando barracos e espalhando ameaças de morte na região.

Os camponeses acampados na área procuraram a justiça, pelo seu advogado peticionaram solicitando a inclusão da área como "área de conflito agrário", tentaram acionar o próprio Incra, mas nada, as autoridades fizeram ouvidos de mercador.

Em circunstâncias no mínimo estranhas, um dos pistoleiros de "galo velho" aparece morto, e aí então surgem do nada as autoridades do Estado.

Começa o calvário de Ruço.

Junto com outros dois camponeses ativistas da Liga dos Camponeses Pobres, é preso. Acusado por um outro conhecido pistoleiro (guaxeba, como falam os camponeses de Rondônia), parente de "galo velho", que em depoimento (não confirmado posteriormente) afirmou ter reconhecido "Ruço" mascarado a 100 metros de distância. Pasmem!

Se os outros dois camponeses foram liberados por insuficiência absoluta de motivos para que permanecessem detidos, foi desencravado contra Ruço um processo antigo por um conflito em um bar, transformada a acusação em tentativa de homicídio, e Ruço condenado.

Desde então, o camponês pobre Wenderson Francisco dos Santos, o Ruço, passou a ser um refém do latifúndio contra o movimento camponês combativo.

Preso, Ruço não pôde velar o pai. Após insistentes apelos de seus companheiros, foi conduzido por 8 policiais quando do momento exato do sepultamento, cena chocante que causou comoção e indignação.

Só escapou da morte na cadeia de Jaru pela intervenção firme dos outros presos, quando pistoleiros conhecidos na cidade e ligados a "galo velho", foram detidos por crimes diversos (todos foram soltos posteriormente), e urdiram uma intriga para assassiná-lo.

Quando, enfim, já cumprira parte da pena a que fora condenado e teria direito a liberdade provisória, mesmo diante da manifestação do Ministério Público a seu favor, Ruço foi mantido preso, conforme reconheceu a própria autoridade, por ser "membro da Liga dos Camponeses Pobres".

Diante da insistência de seu advogado em enfrentar sua prisão arbitrária, Ruço foi visitado na cadeia por suposto representante de uma seção regional da OAB, advogado, por sinal sócio de um irmão de "galo velho" em escritório em Porto Velho, que o pressionou para que destituísse seu representante legal para que o "Júri" fosse realizado rapidamente. Absurda vilania e falta de ética profissional, comprometendo o nome de uma entidade respeitada por suas tradições democráticas.

Mais ainda.

Após manifestação pacífica de camponeses em Jaru pedindo sua libertação, Ruço foi ilegalmente transferido para a famigerada penitenciária de Urso Branco, em Porto Velho (repetidamente condenada, por organismos da própria OEA, pela violação dos direitos humanos), sob a alegação de que os camponeses pretendiam invadir a delegacia de Jaru para retirá-lo à força.

Na Urso Branco, como todos os outros presos, Ruço têm sido submetido a toda sorte de torturas morais e psicológicas, como pretendem qualificar os que definem a tortura somente quando ocorre o espancamento de um cidadão.

Já basta!

Os inocentes não podem continuar pagando por crimes que não cometeram, carregar nas costas o fardo de 5 séculos de latifúndio!

Tomamos a liberdade de nos dirigir aos rondonienses, com humildade, mas reconhecendo que nossas assinaturas nesta carta representam significativa parcela dos democratas brasileiros, no sentido de manifestar apoio e esperança de que a decisão do júri popular resgatará a verdade, a justiça, e impedirá que se consume mais uma condenação, como tantas na história, que depois se transformarão em exemplos de uma sociedade putrefata moral, econômica e socialmente, onde prevalece o poder econômico e a opressão.

Raquel Scarlatelli - Presidente do Cebraspo / Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos - Coordenadora da ILPS / Liga Internacional de Luta dos Povos

Gerson Lima - Liga Operária

Osmir Venuto - Presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção de Belo Horizonte e Região Metropolitana

Geraldo Mascarenhas - Coordenador político do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários de Belo Horizonte.

Considerando o conteúdo dos fatos acima, os signatários vêm manifestar sua solidariedade ao camponês Wenderson Francisco dos Santos, o Ruço, na esperança de que lhe seja feita justiça.

Professor Nilo Batista - Rio de Janeiro

Maurício Azedo - Associação Brasileira de Imprensa - ABI

Antônio da Costa Miranda - Nova Central Sindical - Minas Gerais

José Reginaldo Inácio - Delegacia da Confederação Nacional dos Trab. na Indústria - Minas Gerais

José Theodoro - Federação dos Trab. do Transporte Rodoviário do Estado de Minas Gerais

Sérgio Miranda - PDT/MG - Deputado Federal

Frederico Santana - Cáritas - MG

Luiz Carlos P. Lemos - UTE - ITER

Eliene Ap. Ribeiro da Silva - FETAEMG - Federação dos Trab. na Agricultura do Estado de Minas Gerais

Ademar Luis - MST

Marcelo S. Picini - Cáritas

Valquiria Alves Smith - Cáritas

Mauro Lemes - MST

Mário Aparecido da Silva - Sindicato dos Trab. da Construção Civil de Alfenas

Valdemoro Gualheno - Sindicato dos Trab. na Indústria da Construção - Viçosa

José Justino - Sindicato dos Trab. na Indústria da Construção - Viçosa

Fernando Carlos da Silva - Sindicato dos Marceneiros

Maurício S. Assis - Sindicato dos Trab. na Indústria da Construção e Mobiliário de Poços de Caldas

José Natalicio Oliveira - Sindicato dos Trab. na Indústria da Construção e Mobiliário de Poços de Caldas

Joaquim Julio de Almeida - STCM Passos

José Aparecido dos Santos - SITCOJ

Geraldo Fernando Esteves - SINTICOMEX

Joaquim Miranda de Godoi - SINTICOMEX

Jaime Batista Nunes - Sindicato dos Trab. na Indústria da Construção de Teófilo Otoni

José Diogo Costa - Sindicato dos Trab. na Indústria da Construção Itabira

Benedito Sabino - Sindicato dos Trab. na Indústria da Construção Itabira

Francisco de Paula Costa - Sindicato dos Trab. na Indústria da Construção Itabira

Claudio Simão - Sindicato dos Trab. C. C. Pará de Minas

Teófilo Ribeiro da Silva - Sinticom Vespasiano

Paulo H. Da Silva - Sindicato Construção Betim

Valdeci Geraldo as Silva - Sindicom SJDR

Márcio Mendes - Sindicato Construção Civil Juiz de Fora

Victor Manuel Correa Espinoza - Sindicato Construção Civil TC

Guigermo Correa - Sindicato Construção Civil TC

Aluísio - Sindicato dos Eletricistas de BH

Marcio Antenor - Sindicato dos Trab. da Construção de Arcos

Geraldo Soares - Sindicato dos Trabalhadores da Construção Governador Valadares

Federação dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário do Estado de Minas Gerais

Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo

MFP - Movimento Feminino Popular

Escola Popular Orocílio Martins Gonçalves

Socorro Popular

LPM - Luta Popular pela Moradia

NAP - Núcleo dos Advogados do Povo - Brasil

UCMG - União Colegial de Minas Gerais

26º ENEPE (Encontro Nacional da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia)

MEPR - Movimento Estudantil Popular Revolucionário

Diretório Acadêmico de Comunicação Integrada PUC MG

Curso Pré-vestibular Popular Pedro Pomar (Niterói/ RJ)

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários e Anexos de Alfenas

Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Araxá

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Arcos

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Barbacena

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Betim

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Brumadinho

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Conselheiro Lafaiete

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Contagem

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Coronel Fabriciano

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Curvelo

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Divinópolis

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Formiga

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Governador Valadares

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Itabira

Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Itaúna

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Ituiutaba

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Lavras

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Leopoldina

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Montes Claros

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Muriaé

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Ouro Preto

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Paracatu

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Pará de Minas

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Passos

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Patos de Minas

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Poços de Caldas

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Ponte Nova

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Pouso Alegre

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de São João Del Rei

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Sete Lagoas

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Teófilo Otoni

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Uberaba

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Uberlândia

Sindicato dos Trab. em Transportes Rodoviários de Varginha

Sindicato dos Trab. da Construção de Santa Luzia

Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região

Sindicato dos Comerciários de Betim

Sindicato dos Trab. da Construção. de BH e Região


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