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Ano V. nº 32, Dezembro de 2006

Índice

Editorial

Opiniões

Passada a farsa eleitoral...

Experiências de um candidato

Os bastidores do cartel Farma

Apertem os cintos: a nossa segurança sequer existe!

Até a praia eles roubam

O crime organizado... pelo Estado

Correios banca lucro do Bradesco

Sistema carcerário de Rondônia: Máquina de moer carne humana

Morador de rua defende o povo

Luta estudantil derruba a "Lei da mordaça" na UNIR

... Depois punir os explorados. Eis a lógica da justiça da burguesia e do latifúndio

Quando homens livres produzem

O povo pode, faz e governa

Chacina de Cumaru não ficará impune

Projeto urbano para a burguesia porca

A "reestruturação" mundial da Volkswagen

São os "cooperativistas" mineiros de Huanuni novos burgueses ou pequenos burgueses?

Eleições na América Latina: Entre o show, a demagogia e o fascismo

Líbano:
...Mas é a resistência quem dá ordens

Elton Medeiros:
Um esteio popular do samba

Só imperialismo ganha com invenção brasileira

Saudações a quem tem coragem

Teatro na companhia do povo

Como se fazem os endereços

Fernando Gasparian:
Um empresário que nunca se vendeu

O caráter popular no coração caipira de Jackson Antunes

O sapateiro e o alfaiate da Nova Democracia

Expediente

Editorial

As eleições e a pátria verdadeira

Inútil esconder: a vitória do oportunismo está longe de gerar equilíbrio e principalmente imobilidade, como pretendem o imperialismo e as classes reacionárias que o apóiam.

A ninguém convence toda a brutal (contra)propaganda que fazem desabar sobre o povo — sonegando às massas qualquer base material de sustentação, qualquer melhoria das condições de vida do povo.

Toda essa imensa crise em que se afunda o poder das classes reacionárias e atrasadas que dominam a vida brasileira não é causada por um simples e eventual desajuste, tampouco produto de desentendimentos partidários, coisa que possa ser resolvida com uma reforma política. São as estruturas do velho e podre Estado que se decompõem, juntamente com todo o arcabouço doutrinário e teórico feito de trapaças: suas idéias e normas políticas, jurídicas, éticas, filosóficas etc. — tão caducas quanto as estruturas que buscam socorrer.

Essa crise reflete a agonia do regime colonial, latifundiário e burocrático que, à beira da morte, não consegue mais esconder sua dor lancinante e todo o seu desvario.

A crescente e brutal exploração das massas trabalhadoras tornou-se insuportável. Ou o povo trabalhador varre o latifúndio e o imperialismo para fora de nosso país ou será engolido de vez pela escravidão.

Já não basta a luta espontânea, percebem os mais combativos e consequentes movimentos camponeses. A convicção das massas de que podem libertar-se a si próprias libertando a terra se comprova na experiência, ombro a ombro, de toda uma classe de homens e mulheres que vivem por suas próprias mãos.

Reaver a terra que o latifúndio roubou do povo, destruir as relações de exploração e, em seu lugar, erguer as relações de colaboração e ajuda mútua, transformar os instrumentos de produção, a técnica, os hábitos de trabalho, os ofícios, o próprio homem e governar — pela primeira vez, governar — é o único caminho. Quando o povo trabalhador se apodera dos meios de produção — a terra, as máquinas, os rios e as pontes, as fábricas, os transportes etc. — então, ele precisa governar porque tem que, definitivamente, administrar as suas coisas.

É por essas razões que o falso governo, que diz representar o pobre e explorado trabalhador, tudo faz para não colocar nas mãos do povo os meios de produção. Até uma pequena ponte sobre um ribeirão vira promessa jamais cumprida. No Brasil, quando, depois de construir uma estrada, com impostos cobrados ao povo e sempre superfaturada, o governo do imperialismo, dos banqueiros e dos latifundiários dão a estrada às poderosas empreiteiras e nos obrigam a pagar pedágio para transitar por ela.

E quem são essas grandes empreiteiras? São as empresas do imperialismo, dos banqueiros, dos latifundiários. As mesmas que financiam muitos dos seus empregados de luxo para serem deputados, senadores, presidentes — confessa o monopólio da imprensa que também é deles.

II

Mas por que, na região de Varzelândia, os camponeses, que o latifundiário acusa de ignorantes, foram se lembrar dos operários, também apontados como gente rude e incapaz de produzir algo sem a tutela dos patrões? Por que igualmente os operários não acreditam nas mentiras que dizem sobre os camponeses? Por que ambos se uniram para fazer uma ponte* anos a fio prometida pelos vigaristas políticos?

Os operários projetaram a ponte. Ensinaram aos trabalhadores do campo algumas técnicas e dirigiram a construção, trabalhando lado a lado com os camponeses. As equipes se revezavam. Nenhum atraso, nenhum acidente de trabalho, nenhuma decepção ou atrito, nenhum material da obra sumiu. Ninguém é melhor nem pior, porque não há lucro, porque não há exploração do trabalho. Todos aprendem e têm orgulho do que fazem. Há mestres, não há capataz.

A única classe com que os camponeses podem contar para estabelecer a mais férrea e duradoura aliança é a operária. Da mesma forma, a classe operária tem nos camponeses o seu maior aliado — insistem a história da luta de classes, a luta pela produção e a experimentação científica traduzidas no programa político do povo brasileiro.

Pisando esse chão camponês, que ele próprio retoma para o Brasil, o povo trabalhador começa a sentir o pulsar da pátria verdadeira.

Na mesa do proletário, do camponês e dos que ainda têm um pequeno meio de produção na cidade ou no campo, algo destrói a teoria de que a classe operária acabou, que o socialismo foi derrotado para sempre e de que os trabalhadores não podem transformar e conduzir o mundo.


* Refere-se à ponte sobre o Ribeirão Arapuim, em Varzelândia, norte de Minas Gerais. Ver artigo sob o título: O povo pode, faz e governa.

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