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Ano V. nº 34, Abril de 2007

Índice

Editorial

Opiniões

Orçamento como ficção no Brasil semicolonial

O que a turma Bush do Maluco deixou por aqui

Luiz Inácio entrega ao exterior seguros e previdência

Imperialismo usa brasileiro para bucha
de canhão

Distribuidora e controladora de energia elétrica roubam fluminenses

O cruel surrealismo
do Banco Mundial

Nova onda de
medidas anti povo

A rebelião de um
novo 28 de Março

Operários da construção civil debatem fortalecimento das lutas

Belo Horizonte - cresce a disposição das massas

Porque greves
sacodem BH

Estado e latifundiários perseguem e matam camponeses

Latifúndio manda matar. Camponeses é que são presos

Caso Ruço: júri popular absolve mas Ruço permanece preso

Corrupção, milícias e "Caveirão" massacram as massas

O fascismo ontem e hoje

Esquecimento global

Terra de poetas solidários e guerreiros

Temporada de caça aos brasileiros em Portugal

União Européia aniversaria, patronato sopra velas

Atualização do feminismo burguês

Ouvir o povo, cantar, ouvir o povo...

Noel Guarany,
condor missioneiro

A lucidez de Lima Barreto

Aulas de sonoridade
e brasilidade

Aqui é o lugar,
esta é a hora

Minha Moscou de 1937

Lucro não tem time
nem honra

O povo diz não ao
The Globe

A casa não é sua, gringo! Aqui também tem um povo!

Expediente

Movimento operário

Para um futuro de grandes combates

Operários da construção civil
debatem fortalecimento das lutas

Mário Lúcio de Paula

"As greves são um dos meios de luta da classe operária por sua emancipação, mas não o único, e se os operários não prestam atenção a outros meios de luta, atrasam o desenvolvimento e os êxitos da classe operária. Com efeito, para que as greves tenham êxito são necessárias as caixas de resistência, a fim de manter os operários enquanto dure o conflito. Os operários (comumente os de cada indústria, cada ofício ou cada oficina) organizam essas caixas em todos os países..." *


Assembléia aprova a criação do Fundo de Greve

O balanço realizado pelo Marreta - Sindicato dos Trabalhadores da Construção de Belo Horizonte - apontou que apesar das conquistas obtidas com a grande greve deflagrada em dezembro de 2006, o principal saldo obtido pelo movimento foi a elevação do nível de organização e consciência dos trabalhadores.

Após o movimento grevista de 2006, o sindicato iniciou uma série de greves e protestos em vários canteiros de obras da construção civil e construção pesada. Desde janeiro, não houve uma semana sequer sem greve em alguma obra.

Nas assembléias do sindicato durante a greve, vários problemas foram debatidos, mas um exigia atenção especial: a contribuição dos trabalhadores para manter e fortalecer a luta.

- Durante a nossa greve no ano passado vários trabalhadores em assembléias falaram da necessidade da criação de um Fundo de Greve para o fortalecimento da nossa luta. Quando paramos as obras, os patrões fazem de tudo para tentar esfriar o movimento: ameaçam cortar a cesta básica, não pagam o salário. Precisamos de imprimir nossos boletins, organizar ônibus para transportar os companheiros, alimentação. Tudo isto é muito caro, e é por isto que convocamos uma Assembléia para decidir o que faremos. - explicou o operário João Gualberto.

A Assembléia do Sindicato reuniu-se em uma manhã de domingo, 4 de março. Mais de duzentos operários compareceram à sede do Marreta. A proposta do Sindicato foi apresentada pela diretoria e debatida por todos:

Antes

O operário sindicalizado pagava R$ 11,00 de mensalidade. Este valor era descontado em folha de pagamento. Alguns trabalhadores contribuíam com um carnê ou diretamente na sede da entidade.

Destes R$ 11, 00, R$ 2,50 eram destinados ao seguro de vida dos trabalhadores. Todos os associados têm direito ao seguro de vida.

O restante era aplicado no pagamento de funcionários e manutenção da estrutura do sindicato, cobrindo também todas as atividades como viagens, greves, boletins, etc.

A proposta

O operário sindicalizado passa a pagar R$ 14,00 de mensalidade.

Destes R$ 14,00, R$ 2,50 permanecerão destinados ao seguro de vida dos trabalhadores associados.

R$ 1,50 serão arrecadados e depositados em uma conta à parte. Os recursos desta arrecadação serão voltados para as demandas da luta dos trabalhadores.

O restante será aplicado no pagamento de funcionários e manutenção da estrutura do sindicato, cobrindo também as atividades como viagens, greves, boletins, etc.

Esta contribuição, da mesma forma, pode ser feita pelo trabalhador não associado. O sindicato divulgará em breve o número de uma conta bancária, onde qualquer operário poderá contribuir com qualquer valor.

Osmir Venutto, diretor do Marreta justificou a proposta:

- Assim estaremos mais preparados para responder às investidas que o governo e os patrões estão fazendo, querendo tirar a todo o custo os nossos direitos conquistados através de muita luta. Todos sabem que qualquer greve tem um custo muito alto: aluguéis de ônibus, panfletos, editais, gasolina, etc. Este é o crédito da luta companheiros! Somos 60.000 operários da construção em BH e Região Metropolitana. Quanto mais organizados e preparados estivermos, mais poderemos resistir e derrotar a ganância dos patrões, conquistando nossos direitos.

Também foi relatado, que com o avanço da luta, as demandas aumentaram. O Sindicato ampliou seu departamento de saúde contratando mais médicos e também seu departamento jurídico. Mais funcionários, gente de confiança dos operários, foram contratados.

Apreciados e debatidos todos esses aspectos pelos operários, a proposta do Sindicato foi aprovada por unanimidade. Não só aprovada, mas aclamada pela massa dos operários. Os aplausos prolongados davam conta de que essa era realmente uma necessidade da categoria percebida bem a tempo pela diretoria do sindicato que, por viver a vida das massas, só poderia oferecer a elas uma proposta justa.

- O sindicato até demorou a tomar essa atitude - ouviu-se a um canto.

- Temos que esquentar a máquina! - disse outro operário.

- Fundo de greve é tradição da classe operária!- foi outro grito que ecoou no grande salão do sindicato.

De fato, os fundos de greve já eram uma grande preocupação quando da criação da Associação Internacional dos Trabalhadores, fundada por Marx e Engels.

E por fim, uma constatação:

- A estrutura do sindicato tem que se fortalecer para enfrentar períodos mais longos de greve.

A grande diferença

Aparentemente essa foi uma simples assembléia, mas o que se observa é o abismo existente entre o movimento sindical desenvolvido pelo Marreta, baseado no classismo e combatividade, por um lado, e as articulações conciliadoras e governistas das centrais CUT e Força Sindical, por outro.

Nas greves onde negociam as centrais do governo, os operários saem derrotados. O que está em jogo, neste caso, não são as reivindicações, nem mesmo o imenso esforço dos operários para manter suas campanhas, mas a vontade dos grandes monopólios que, com seus "planos de demissão voluntária" e outros artifícios covardes, mantém os trabalhadores em um constante regime de terror, ameaçados permanentemente pelo desemprego e ruína de suas famílias. Quando estas centrais chegam às mesas de negociação, toda a trama já foi montada. Os patrões dizem que demitirão 4 mil operários, as centrais propõem que se demita 3 mil. E isto ainda é comemorado como uma grande vitória.

Na greve dos operários da construção, o Marreta deu exemplo de firmeza e decisão. Não aceitou chantagens e enrolação. Os operários voltaram para os canteiros de obra de cabeça erguida. Mantiveram seus direitos e encerraram a greve conscientes de que somente derrotando, de uma vez, todos os patrões a exploração terá fim. Aí então os operários construirão não mais para os burgueses e parasitas, mas assumirão a vanguarda da construção de um novo mundo.


*V. I. Lênin: Sobre as Greves, 1899.


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