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Ano V. nº 34, Abril de 2007

Índice

Editorial

Opiniões

Orçamento como ficção no Brasil semicolonial

O que a turma Bush do Maluco deixou por aqui

Luiz Inácio entrega ao exterior seguros e previdência

Imperialismo usa brasileiro para bucha
de canhão

Distribuidora e controladora de energia elétrica roubam fluminenses

O cruel surrealismo
do Banco Mundial

Nova onda de
medidas anti povo

A rebelião de um
novo 28 de Março

Operários da construção civil debatem fortalecimento das lutas

Belo Horizonte - cresce a disposição das massas

Porque greves
sacodem BH

Estado e latifundiários perseguem e matam camponeses

Latifúndio manda matar. Camponeses é que são presos

Caso Ruço: júri popular absolve mas Ruço permanece preso

Corrupção, milícias e "Caveirão" massacram as massas

O fascismo ontem e hoje

Esquecimento global

Terra de poetas solidários e guerreiros

Temporada de caça aos brasileiros em Portugal

União Européia aniversaria, patronato sopra velas

Atualização do feminismo burguês

Ouvir o povo, cantar, ouvir o povo...

Noel Guarany,
condor missioneiro

A lucidez de Lima Barreto

Aulas de sonoridade
e brasilidade

Aqui é o lugar,
esta é a hora

Minha Moscou de 1937

Lucro não tem time
nem honra

O povo diz não ao
The Globe

A casa não é sua, gringo! Aqui também tem um povo!

Expediente

Movimento camponês

Caso Ruço

Júri popular absolve mas
Ruço permanece preso

Jaru - RO - Ainda que sob um verdadeiro estado de sítio, Jaru, município de Rondônia, foi palco de um julgamento onde o povo venceu. A direção fascista da imprensa, o Estado e seus patrões latifundiários perderam vergonhosamente. Wenderson Francisco dos Santos, o popular "Ruço" e Joel Gomes da Silva, o "Joel Garimpeiro" foram absolvidos no julgamento - que durou quase 18 horas - encerrado na madrugada de 3 de abril.

Os réus foram absolvidos, por 4 votos a 3, no caso de Ruço e por 6 votos a 1, no caso de Joel. Os jurados entenderam que a acusação do Ministério Público contra ambos não apresentou provas documentais e testemunhais para condená-los pela morte de Divino Urias Borges. Disse a defesa de Ruço e Joel, que o morto era um pistoleiro contratado pela fazenda Galo Velho. Junto ao cadáver, a polícia encontrou à época R$ 4 mil reais em dinheiro.

O promotor Ademir José de Sá, representante do Ministério Público, argumentou que Ruço e Joel eram líderes dos camponeses organizados pela Liga dos Camponeses Pobres e, por conseguinte, isso os incriminaria. O juiz Leonardo Leite Matos indeferiu as perguntas pautadas nessa direção, uma vez que Ruço e Joel é que estavam sendo julgados, e não a Liga dos Camponeses Pobres. Mesmo com a negativa do juiz, a acusação do promotor Ademir José se pautou pela mesma petulância com argumentações que buscavam incriminar a Liga.

Uma das testemunhas de acusação disse que seu depoimento anterior foi tomado sob tortura da PM. Também o major Ênedy Dias de Araújo apresentou contradições em sua acusação ao afirmar que havia um certo policial, por nome Calixto, que trabalhava como "segurança" da fazenda Galo Velho. Mesmo sabendo que certos "trabalhos" são ilegais, o major confirmou ciência do "bico" feito por seus subordinados.

A defesa de Ruço e Joel se pautou nos autos do processo, apresentando aos jurados a ausência de provas documentais, além de que as testemunhas de acusação presente ao julgamento apresentaram contradições em seus depoimentos.

Após o resultado da votação do Júri, os advogados de defesa, membros do Núcleo de Advogados do Povo, participaram de uma passeata organizada pelas entidades de apoio a Ruço e Joel. Com palavras de ordem, música e fogos, os camponeses e entidades comemoraram o resultado.

Mas Ruço não foi solto. Permanece preso por duas outras acusações (tentativa de homicídio e falsificação de documento), uma trapalhada armada contra o camponês, pelo qual já foi julgado, condenado e cumpriu boa parte da pena aplicada. Uma juíza, nada mais, não autorizou a progressão do regime solicitada pelo Ministério Público, informa a Liga dos Camponeses Pobres. Enquanto isso, os dias passam e Wenderson Francisco dos Santos, que compareceu à Justiça e enfrentou todos os julgamentos, sofreu torturas e vive sob ameaça de morte, permanece encarcerado em Ariquemes.


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