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Ano VI. nº 35, julho de 2007
A Nova Democracia en Español
Índice

Editorial

Opiniões

Gerência FMI/PT inocenta ianques que mataram 154

Biomassa no Brasil: redenção ou desastre

A embriaguez do etanol

Álcool exportado sem impostos só enriquece o comprador

O sumiço das abelhas

Subserviência: mais atentados contra princípios científicos

Retratos da violência

Insânia, anarquia e Estado policial

Medidas anti-povo reforçam blindagem de grandes criminosos

Proletários lutam pelo Brasil do trabalho

Maio grevista no funcionalismo

Em defesa da educação pública

USP: histórica ocupação

Camponeses são absolvidos em júri popular

É assim que se conquista a terra

O PAN e seus jogos neoliberais

Rotina de humilhação com matança de crianças e jovens

Estadualização do direito penal: o povo como inimigo

Dinâmica do imperialismo: "cavalos de Tróia" do capitalismo transnacional

USA instiga conflitos fronteiriços na
América Latina

O papa hitleriano

A recolonização programada da África

Cacá Diegues: o povo brasileiro pelas câmeras

O desenho de humor
na razão dos oprimidos

O Leste vermelho
do proletariado internacional

Um contador de histórias para o povo

Caipira, sim sinhô

Coisas de criança em tempo de boas tormentas

Autonomia, justiça, ocupação e certa imprensa

Expediente

Movimento popular urbano

Proletários lutam pelo Brasil do trabalho

Henrique Júdice Magalhães

Os últimos dois meses marcaram novo crescimento da mobilização proletária. A gerência do oportunismo, além de não cumprir a maioria dos acordos firmados no ano passado com as diversas categorias em luta (se é que cumpriu algum), pôs em macha uma série de sinistras medidas antipovo, combinando a aplicação de suas contra-reformas via pacotes e projetos de lei, emenda 3 (que cria a Super-Receita), projeto de Universidade Nova, criação do Instituto Chico Mendes, e o ataque ao serviço público federal de saúde, com a transformação dos hospitais em fundações privadas.

Sob mando do imperialismo e a batuta do oportunismo, segue sua estratégia de privatizações que há muito deixaram de ser levadas a termo via leilões espetaculosos (a isto coube FHC). Dividem, desmontam, privatizam parte a parte os direitos do povo, legalizam e institucionalizam as fundações privadas no serviço público. Tudo isto muito bem articulado em todos âmbitos do velho Estado.

Enquanto o oportunismo infiltrado no movimento promete fácil acesso à mesa de negociações e promessas traiçoeiras com o governo, por outro acelera a proibição do direito de greve, corta pontos dos grevistas e envia tropas do exército para reprimir camponeses, contingentes policiais, mandatos de reintegração de posse, processos, cadeia e todos afins de seu fascismo sofisticado.

Os dias 17 de abril e 23 de maio, definidos pelos sindicatos como dias nacionais de luta, demonstraram a crescente mobilização do povo nas cidades contra as diversas medidas antipovo. Reivindicações setoriais por aumento de salários, mobilizações nacionais contra as reformas antipovo, trabalhista, previdenciária, sindical e universitária, que passo a passo já começam a conformar um amplo movimento grevista nacional.

CSN, novamente: Greve!

Os metalúrgicos da Companhia Siderúrgica Nacional não entravam em greve há 17 anos. Iniciaram outra na manhã do dia 02 e junho. De madrugada a polícia militar já havia ocupado a entrada da empresa enquanto grevistas erguiam piquetes. A deflagração do movimento foi aprovada em uma votação que contou a participação de 6.205 operários. Os metalúrgicos reivindicam o IPC pleno e 6% de aumento real. A transnacional oferecia 5% de reajuste, incluindo o INPC e um abono de R$ 2 mil.

Monopólios de imprensa , demissão repugnante

A truculência assume dimensões inomináveis também no interior dos monopólios de comunicação. No dia 8 de maio, a redação do jornal paulista Meio & Mensagem parou em protesto contra a demissão do editor-adjunto da publicação, Costábile Nicoletta. O motivo da dispensa de Nicoletta foi a publicação, por ocasião do falecimento do dono da Folha de São Paulo, Octávio Frias de Oliveira, de uma nota que lembrava suas relações com o regime fascista de 64 — revelando que, na década de 70, a Folha emprestava seus veículos para que o DOI-CODI e a OBAN levassem presos políticos até as casas de tortura.

Os jornalistas classificaram a demissão como repugnante. “Nicoletta cometeu o erro de fazer jornalismo” —diz a nota elaborada por eles.

Aposentados

O dia 25 de abril foi escolhido pela Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas — Cobap para a realização de manifestações reivindicando um reajuste de 8,57% nos benefícios do INSS, em lugar dos 3,3% “concedidos” pelo governo. Em São Paulo, milhares de aposentados foram à Avenida Paulista. Desde o Plano Real os reajustes dos benefícios do INSS, acumulados, são 70% menores que os já ínfimos aumentos impostos ao salário mínimo. Os manifestantes protestavam também contra a iminente reforma da Previdência, que vai atacar aposentados e dificultar ainda mais o acesso dos trabalhadores aos benefícios do INSS.

Pela moradia

Naquele mesmo dia, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto fecharam as rodovias Raposo Tavares, Castello Branco e Régis Bittencourt exigindo uma solução para as cerca de 3 mil pessoas acampadas desde 16 de março em um terreno no bairro Valo Velho, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

Cerca de 5 mil sem-teto caminharam 18 quilômetros, de Itapecerica da Serra até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual. O movimento obteve dos governos federal e estadual a promessa de viabilizar a aquisição de moradia para as famílias, mas, como de hábito, o Estado não cumpriu com sua palavra.

Pelo saneamento

Ainda fora do âmbito estritamente sindical, 40 pessoas realizaram uma manifestação no dia 18 de abril em Belford Roxo, na baixada fluminense, reivindicando saneamento básico para diversas áreas do município. Apesar do número reduzido de participantes, foi o primeiro ato público na cidade em mais de uma década e contou com o apoio de camponeses, sindicalistas e estudantes.

Motoristas no Acre

Os grupos monopolistas representados pelas empresas que exploram o transporte público em Rio Branco, Acre, são tão petulantes que fazem do centro da cidade sua garagem, atrapalhando o trânsito e criando vários problemas de segurança. Tornaram-se também os donos do terminal, onde ninguém pode transitar senão que estritamente como eles mandam. As administrações se sucedem fazendo olhos de mercador para a desordem imperante no trânsito da capital.

Em maio, dezenas de ônibus permaneceram abandonados no centro. Mas, dessa vez, foram os motoristas que estacionaram os veículos, bem enfileirados ao longo das ruas. Eles informam que os grupos monopolistas têm empresas que se originam dos negócios de determinados latifundiários de Minas Gerais, os mesmos que os rodoviários mineiros enfrentam bravamente, várias vezes por ano. Segundo os motoristas do transporte público, esses grupos monopolistas controlam os preços das passagens e parte da política no Acre, a começar pela prefeitura do PT. A greve foi encerrada, por determinação do Tribunal do Trabalho, com prejuízo para os trabalhadores, mas a questão se mantém latente.

Limpeza de caráter

Os lixeiros e varredores de rua de São Paulo paralisaram suas atividades, entre os dias 13 e 16 de abril, reivindicando reajuste salarial de 12% e fornecimento de lanche e protetor solar pelas empresas.

Segundo a prefeitura, todos os funcionários das empresas (9 mil varredores e 4.500 lixeiros) entraram em greve demonstrando uma capacidade de mobilização surpreendente.

Metroviários em greve

Os metroviários de Belo Horizonte paralisaram as atividades nos dias 21 e 22 de maio. Foi uma greve de advertência. Eles cobram o aumento do piso salarial de R$573 para R$800, criação de um plano de cargos e pagamento integral do plano de saúde. A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) oferece 3% de reajuste.

No dia 23 foi a vez dos metroviários de Pernambuco e São Paulo realizarem greve de advertência de 24 horas. Eles reivindicam reajuste salarial de 35%. Também houve paralisações no Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas.


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