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Ano VI. nº 38, dezembro de 2007
espanhol
Índice

Editorial: Duas frentes de genocídio num mesmo combate

Opiniões

Para onde marcha a crise da velha ordem?

Continua o cerco às favelas

Projeto prorroga sangria da Previdência

Fascismo escancarado:
a proibição do direito
de greve

Quem controla a Vale do Rio Doce?

Prefeitura quer privatizar a água e coloca culpa em trabalhadores

A luta dos cedaeanos por água para o povo

O déficit que não existe

O que está em jogo

Da impostura ao genocídio

A "reabilitação" antitrabalhista do INSS

Legalização das centrais coroa peleguismo

Greves se alastram pelo Brasil

Trabalhadores mostram quem tem valor de verdade

REUNI é reprovado pelos estudantes

A luta camponesa faz-se ouvir

"Lutar por um pedaço de terra é crime?"

Feitiço vira contra feiticeiro no caso do apagão aéreo

Caso Césio 137 revela crimes contra o povo

Trabalhadores são assassinados no "trem-fantasma" da SuperVia

O embuste do antitruste: fingindo combater os monopólios

Guantánamo, bastião do fascismo

Fujimori, o extraditato

Estado indiano viola direitos do povo

80% dos iraquianos apóia a resistência

Fascistas turcos ameaçam atacar os curdos

Grandes êxitos da Revolução Cultural

Porque Tropa de Elite é fascista

A propaganda desta Tropa da elite

Mariátegui presente,
80 anos depois

Choro para o povo ouvir, dançar e tocar

As poderosas
armas do povo

Expediente

O movimento operário e a luta contra o oportunismo

Legalização das centrais coroa o peleguismo

A Câmara dos Deputados aprovou em 17 de outubro último, a lei que reconhece as centrais sindicais como entidades representativas dos trabalhadores nacionalmente. Na verdade, isso é a coroação do peleguismo. Ela prevê claramente a ligação econômica das centrais com o Estado, minando a independência do sindicalismo.

Ana Lúcia Nunes

A lei nº 1990/2007 (lei das centrais sindicais) é de autoria do Poder Executivo e será votada no Senado. Ela é resultado de um acordo espúrio entre o governo FMI-PT e as centrais pelegas — leia-se CUT, Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores, etc.

O acordo prevê o reconhecimento das centrais pela lei, a participação delas em negociações, fóruns, colegiados de órgãos públicos e outros locais onde sejam discutidos assuntos de interesse dos trabalhadores (art 1º, § II). Além da participação, as centrais têm garantido o repasse de verbas do governo federal, oriundos das contribuições obrigatórias pagas pelos trabalhadores.

O recurso para as centrais sairá da “conta especial emprego e salário”, administrada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e sustentada pelo imposto sindical. Antes da lei, 20% da contribuição sindical ia para esta conta. Agora ela só receberá 10% e o restante será destinado às centrais.

Para ser reconhecida como central sindical, é necessário: filiação de 100 sindicatos em 5 regiões do país e de 20 sindicatos em pelo menos três regiões ; filiação de sindicatos de, no mínimo, cinco setores de atividade econômica e que representem, no mínimo, 7% do total de empregados sindicalizados nacionalmente.

A contribuição sindical paga pelos trabalhadores e descontada da folha de pagamento, agora depende da autorização expressa do trabalhador. Caso o trabalhador não autorize o desconto, deverá ir até o sindicato realizar o pagamento. O sindicato deve indicar ao MTE a qual federação, confederação e central sindical está filiado. Caso não seja filiado a nenhuma central, o dinheiro volta para o governo.

Tráfico de direitos trabalhistas

Esta lei, considerada pelos dirigentes das centrais pelegas como a coroação da democracia no país, não passa de coroação do peleguismo. Ao enviar o projeto para votação na Câmara, Lula disse que “tudo no Brasil seria mais simples se houvesse consciência de que 90% dos problemas podem ser resolvidos na mesa de negociação”, o que deixa bem claro seu intuito ao propor a legalização das centrais.

Ele quer o apoio das centrais pelegas para aprovar a reforma sindical, trabalhista e previdenciária, abafando as manifestações dos trabalhadores. Com o novo poder adquirido pelas centrais, elas poderão negociar legalmente, em nome dos trabalhadores, em qualquer mesa de negociação. No contexto atual do sindicalismo brasileiro, e agora com o reconhecimento do atrelamento econômico, as centrais só negociam a perda dos direitos.

Os pelegos do movimento sindical são capazes de trocar qualquer direito conquistado a duras penas pelos trabalhadores por dinheiro e poder. O presidente da Federação dos Empregados no Comércio de São Paulo, Luiz Carlos Motta, afirmou recentemente que “a importância do custeio das centrais é decisiva, pois as entidades não existem sem dinheiro”.

O montante que as centrais receberão é considerável. Segundo o deputado João Dado (PDT-SP), a transferência de receita às centrais para 2008 é de cerca de R$ 80 milhões, R$ 94 milhões em 2009 e R$ 103 milhões, em 2010. Ele afirmou ainda que “todas as centrais sindicais estão unidas em torno desse projeto”.

O movimento sindical classista e combativo, porém, não precisa ser financiado pelo governo. Os próprios trabalhadores, certos de que o sindicato e a Central os representam, colaboram voluntariamente com o sustento das lutas e da estrutura sindical.

O modelo legalizado pelo gerenciamento Lula faz com que as centrais não precisem estar ao lado dos trabalhadores. É a aceitação tácita e acordada pelas centrais de que sua viabilidade econômica é garantida pelo governo, através do MTE e não pelos trabalhadores. As centrais que desagradarem ao governo, certamente, serão punidas “legalmente” pelo Ministério do Trabalho, já que este órgão, anualmente, publicará a lista das centrais legais.

As centrais que apóiam esta lei o fazem porque não podem confiar em sua própria base sindical para mantê-las economicamente. Talvez porque saibam que os trabalhadores e sindicatos combativos não se sentem representados por elas.

Claro que, como afirmaram Marx e Engels, em seu tempo, sob o capitalismo somente uma parte reduzida da classe podia ser organizada. Isto dado a tantas dificuldades e controle das patronais, seja diretamente nas unidades de produção, seja através do seu Estado. Mas, apesar disso a classe operária sempre poderá ter uma direção combativa que eleve a capacidade de luta da classe.

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