Mesmo as tropas sendo enviadas para o curdistão, isto não constituirá uma vitória do estado fascista turco!
Para nosso povo trabalhador de diferentes nacionalidades:
O Estado fascista turco decidiu, durante o “Grande Conselho Nacional Turco”, onde toma suas decisões de aniquilação, santifica o nacionalismo, tece intrigas e faz o jogo de uma falsa democracia, iniciar uma nova operação externa. Tomou a decisão de atacar abertamente e de aniquilar as forças nacionais curdas e as massas trabalhadoras dentro e fora do país usando toda e qualquer oportunidade.
Desde sua fundação, o Estado turco, que tem uma história cheia de massacres, sempre negou a existência dos Curdos. Quaisquer reivindicações, pedidos ou palavras citando a existência dos Curdos foram sempre respondidas com massacres. Os Curdos sempre foram considerados como os ‘outros’, foram assassinados e sua existência nunca foi aceita.
A nação curda nunca aceitou essa negativa e essa devastação; tem resistido e se rebelado, mesmo sendo oprimida, morta e enviada para o exílio. Os 84 anos de resistência da heróica história curda merecem ser tomados como exemplo.
A estabilidade da resistência da nação curda alcançou o estágio que sempre mereceu ter, embora pague o preço de sofrimento e de massacres. Não há força capaz de tirar a nação curda do patamar que alcançou. Mesmo não querendo, as forças imperialistas e seu lacaio, o Estado turco, foram forçados a aceitar a existência dos Curdos. O Estado turco quer manter esta existência dentro dos limites do pacto nacional (o tratado nacional que estabelece certas regras para o Império Otomano) e quer que ele seja uma implementação do “turquinismo”. Todos os esforços e agitação do Estado turco se concentram nisto.
Fica muito claro que a decisão de operação externa possui dois objetivos. Primeiro, intimidar o conflito em curso envolvendo a federação no Curdistão iraquiano; segundo, fazer com que as forças de resistência do Curdistão turco se tornem inativas. Também desta vez o Estado turco não vai ter êxito. A iniciativa da operação externa irá terminar da forma desapontadora como o foram as outras 24 operações.
Uma semana depois da decisão o Estado turco — que sofreu sérias perdas por causa das ofensivas das FDP (Forças de Defesa Popular) e teve de retornar das operações com as mãos vazias — começou a instigar as forças fascistas e reacionárias. Os escritórios provinciais e regionais do PSD (Partido da Sociedade Democrática) foram bombardeados, locais dos acampamentos curdos estão sendo atacados, manifestações e mobilizações estão sendo organizadas pelos fascistas que incitam o nacionalismo fazendo com que as pessoas coloquem bandeiras turcas na frente de suas casas; manifestações são incentivadas e aumenta o ódio contra os Curdos. Tudo isto cria uma base para jogar os trabalhadores curdos e turcos uns contra os outros e se perpetrar um massacre curdo dentro do país.
Os Curdos não estão sozinhos. Seus amigos são os trabalhadores turcos e os trabalhadores de diferentes nacionalidades. A mão do Estado turco que se levanta contra a nação curda será detida pelos amigos e operários da nação curda.
A luta da nação curda por seus direitos, para fazer com que sua existência seja aceitável e para decidir seu próprio destino, é justa. Quem divide e aterroriza é o Estado turco.
Abaixo a ditadura fascista!
Nenhuma força pode incitar os trabalhadores turcos e curdos a lutarem uns contra os outros!
Vamos nos posicionar contra a operação externa!
Viva o direito de autodeterminação!
Quebec, 28 de outubro.
Birô Externo do TKP/ML |