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Início arrow Anteriores arrow Ano I, nº 11, julho de 2003 arrow 8º Congresso Nacional da CUT: O fim de um ciclo de traição do sindicalismo amarelo
8º Congresso Nacional da CUT: O fim de um ciclo de traição do sindicalismo amarelo PDF Imprimir E-mail
Gustavo Silveira   

O último congresso nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores) realizado de 4 a 7 de junho/2003, no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, encerra um ciclo de traição do sindicalismo amarelo no país e marca a sua atuação como principal sustentáculo e fornecedora de quadros do governo Lula-FMI.

Desde seu nascimento, a CUT tem o selo do oportunismo eleitoreiro. Na busca de criar uma identidade através da qual pudesse desenvolver seus ideólogos, já articulados no projeto Partido dos Trabalhadores (PT), adotaram um discurso ultra-radical, antipeleguista e antigetulista, no qual as greves de São Bernardo do Campo entravam como a inauguração de um sindicalismo "novinho em folha". Pouco a pouco, passo a passo, esse discurso e sua prática foram transitando do radicalismo liberal para a colaboração de classes como doutrina.

Foto: arquivo

1978, ele já usava black tie

Agora está por demais evidente o sindicalismo de Estado que essa entidade vem praticando ao longo dos últimos 20 anos, como também as suas ligações íntimas com o imperialismo. É significativa a festa feita para o PT no congresso da entidade, as deferências à principal liderança da CUT, já ocupando a presidência da República, e aos sindicalistas licenciados, agora ministros de Estado, a ampla vitória das teses de interesse do governo no evento e a entusiástica participação das mais pernósticas representações do sindicalismo amarelo internacional: a Ciosl1 e a AFL-CIO2.

Coroando este ciclo de traição, agora 66 destacados antigos dirigentes da CUT ocupam altos cargos na gerência do estado burguês-latifundiário. Um é o presidente da República, nove são ministros, três são secretários de Estado e outros cinquenta e três ocupam postos-chave nos ministérios e no Palácio do Planalto. Isso sem falar nos diversos líderes da CUT que ocupam cargos federais nos estados, no Itamarati, nas empresas estatais e até na direção de conselhos de entidades de caráter nitidamente patronal, como o SESI (Serviço Social da Indústria) — caso de Jair Meneguelli, primeiro presidente da CUT. Já no podre parlamento burguês (Congresso Nacional, assembléias legislativas dos estados, câmaras municipais de vereadores) e prefeituras pululam centenas e centenas de ex-sindicalistas, alçados a esses cargos pelo trampolim da CUT. Do rol desses velhacos, destaca-se a triste figura do pelego Vicentinho, avalista, na época que presidiu a CUT, dos ataques aos direitos previdenciários dos trabalhadores executados por Cardoso, e que agora é um dos maiores defensores das chamadas reformas do governo Lula-FMI.

O Presidente da República, Luiz Inácio, foi figura de proa no 8º Congresso e recebido, segundo o boletim eletrônico da executiva nacional da CUT, "com muita tietagem pelos delegados, a grande maioria portando máquinas fotográficas e filmadoras." Ele e mais quatro ministros de Estado, todos ex-dirigentes da central, saudaram os "companheiros", defenderam as reformas e reafirmaram a mesma demagogia da campanha eleitoral: fazer o país voltar a crescer, gerar emprego e renda. As vaias de uma parcela dos delegados foram abafadas pela maioria dos participantes. A presença de Lula foi destacada pelo presidente nacional da CUT, João Felício, que encerrava o mandato: "É a primeira vez que recebemos a presença de um chefe de Estado em nosso congresso (...) Queremos que o governo dê certo (...)"

Pautado por discussões que interessavam de perto ao governo — "disputar a hegemonia visando a construção de uma nova sociedade"; "o papel da CUT frente ao governo Lula"; "o papel do Estado e políticas públicas"; "desenvolvimento, emprego e renda"; "políticas de emprego e renda e sistema público de emprego"; "reformas tributária e fiscal, previdenciária, agrária, sindical e trabalhista" -, os debates transcorreram no sentido da colaboração de classes e, ao final, foram aprovadas todas as propostas da "Articulação", corrente hegemônica do PT comandada pelo presidente da República. O congresso respaldou a chamada reforma da Previdência, que ataca direitos dos trabalhadores, e foram rejeitadas bandeiras históricas, como o rompimento com o Fundo Monetário Internacional e a suspensão do pagamento da dívida externa.

O congresso contou com a participação de toda a "esquerda" eleitoreira — militantes do PT, PSB, PPS, PCdoB, PSTU, PCB, PCO3 e outras agrupações menores, todos interessados na disputa de cargos da central — e de uma numerosa delegação estrangeira, entre eles, o presidente da Ciosl, Guy Rhyder. A participação das bases da CUT no congresso foi praticamente nula, e a esmagadora maioria dos delegados era proveniente das cúpulas da extensa burocracia sindical muito bem paga, acumulada nos seus vinte anos de existência. Além do que, a exigência de estar quite com a mensalidade impediu a participação de mais de 50% dos sindicatos filiados. Critérios burocráticos e mecanismos a propósito impediram o debate e as discussões que com ligeireza eram intercaladas com bebidas e festas oferecidas todas as noites no "Arraiá da CUT".



 
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