| A Venezuela em situação revolucionária |
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| Fausto Arruda | |
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Página 1 de 2 A Nova Democracia esteve na Venezuela acompanhando toda a movimentação dos opositores do governo Chávez, suas concentrações e marchas que, por sinal, muito se parecem com as históricas marchas promovidas no Brasil e no Chile, nas décadas de 60 e 70, respectivamente, nos momentos que antecederam os golpes militares nestes países, devidamente instigadas pelos meios de comunicação. Acompanhou, também, por dois dias, a movimentação do Presidente Hugo Chávez, entrando nas favelas em carro aberto para entregar títulos de terra urbana; participando de uma assembléia nacional com mais de 20 mil entusiasmados pais e professores em defesa do funcionamento das escolas; durante as seis horas de duração do programa Alô Presidente, pelo canal 8 (emissora oficial), através do qual Chávez fez um balanço das atividades governamentais da última semana, conversou com pessoas de vários estados por telefone, recebeu delegações de jovens, mulheres, pequenos empresários e servidores públicos, além de fazer a condenação dos últimos atos da "oposicion golpista", especialmente dos chamados "quatro ginetes do apocalipse". Visitou ainda a Universidade, os bairros e o centro de Caracas para levantar a situação atual do país, que serviu de base para nossa análise, e para a qual foi bastante ilustrativa palestra ministrada por representantes do Movimento de Libertação Nacional, organização que se mantém à parte, tanto da frente governista , quanto da frente de oposição.
Até fins da década de 80 do século passado, quando boa parte da América Latina se via às voltas com golpes de Estado e movimentos guerrilheiros, a Venezuela era tida, nos meios burgueses, como um paraíso da democracia. Governos escolhidos através de eleições livres e partidos se alternando no poder. Na verdade, tudo isto era só aparência. No essencial, ali se formava o caldo de cultura de uma explosiva situação revolucionária, que daria o primeiro sinal de alerta no Caracaso de 1989, o segundo no levante militar de l992 liderado por Chávez e o terceiro no golpe de Estado natimorto desfechado contra o governo em 11 de abril de 2002. A Venezuela é um país semicolonialEm razão da divisão do mundo entre países dominantes e dominados, a Venezuela faz parte da imensa maioria de países dominados pelo imperialismo, principalmente o ianque. A existência em seu subsolo de imensas reservas de petróleo é uma peculiaridade que explica a tentativa do USA de manter sob seus domínios uma das principais fontes de matéria-prima e energia do mundo e, portanto, a necessidade de manter o poder no país sob o seu mais estrito controle. Através dos velhos métodos empregados pelo império para manter sua dominação onde, em alguns momentos a corrupção direta da classe dominante nativa cede lugar à ingerência militar aberta, o povo vem assistindo a sangria de suas riquezas, praticada por uma burguesia burocrática especializada em vender o país e trair os interesses nacionais. Mesmo com a pseudonacionalização do petróleo ocorrida em 1976, o USA não perdeu o controle da situação e até aprofundou o seu domínio, desta feita, com o pomposo rótulo de internacionalização da PDVSA (Petroleos da Venezuela S.A.), a companhia petroleira venezuelana, que aplicou milhões de dólares na compra de refinarias e cadeias de distribuição de gasolina, geralmente em negócios duvidosos, seja pelo super faturamento, seja pelo baixo retorno do investimento, derivado de altos custos operacionais.Para que se tenha uma idéia da relação semicolonial a que se refere, basta citar dois exemplos: 1º - A Venezuela é a terceira fonte de petróleo do USA, onde ela própria mantém oito refinarias, e os postos de gasolina de sua propriedade vendem seus produtos mais baratos do que os postos daquele país; 2º - É um mercado cativo da indústria estadunidense, seja no setor automobilístico, eletroeletrônico, alimentício, farmacêutico, etc. Que burguesia tem a Venezuela?Como nos países semicoloniais não há outra maneira de se constituir uma grande burguesia que não seja pelo caminho da submissão, da associação subordinada e do acumpliciamento com o imperialismo, na Venezuela existe uma grande burguesia — dona dos principais meios de comunicação, sócia local de empresas estadunidenses ou proprietárias de suas franquias, possuidora dos bancos, dos empreendimentos imobiliários e das empreiteiras. Uma classe corrupta que se adonou do Estado para, em conluio com os interesses imperialistas, vender a nação. Politicamente, esta classe está representada basicamente em dois partidos, a AD — Ação Democrática (Social democrata) e o COPEI — Comitê Popular Eleitoral Independente (Democracia Cristã) que se revezavam no governo para manter a dominação e a exploração sobre o povo e a nação . PDVSA, feudo da tecnoburocracia petroleira
Quando da pseudonacionalização do petróleo, os principais dirigentes e técnicos das companhias estrangeiras (estadunidenses, holandesas e britânicas) passaram a ocupar as gerências comerciais, industriais e técnicas da companhia Petróleo da Venezuela S/A. Latifúndio esmaga camponeses e indígenasEnquanto o petróleo concentra a riqueza e a miséria no centro e no litoral, no restante do país o latifúndio impera com todos os males derivados desta relação atrasada, que predomina em quase todos os países semicoloniais. Vastíssimas extensões de terra tomadas aos índios e aos camponeses pobres, jogados na miséria, tendo que amargar a fome, o alcoolismo, a prostituição, a destruição de sua cultura. As massas buscam uma direção revolucionária
Do sonho libertador bolivariano, só restou ao povo a utopia. As imensas jazidas de petróleo venezuelanas, riquezas de seu subsolo, não chegam ao povo como benefício, mas sim como fonte de sua miséria e exploração. A terra tirada do campesinato pelos latifundiários é inútil ao país, que se vê obrigado a importar quase todos os itens da cesta básica. Restam ao proletariado as poucas plantas industriais ligadas à infra-estrutura petroleira, a construção civil, as pequenas indústrias e as oficinas. Para onde vai a Venezuela ?
Chávez tem proclamado a sua revolução bolivariana, uma revolução que não confiscou nem a grande burguesia, nem o latifúndio, e muito menos o imperialismo com o seu sistema financeiro e suas transnacionais; uma revolução que entrou em seu quinto ano e só piorou as condições de vida das massas, que até agora não regatearam uma gota sequer de suor e sangue para defender tal revolução, enquanto os ricos continuam ricos e os pobres continuam explorados.
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| Nº 49, janeiro de 2009 |
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