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Ano II, nº 16, janeiro de 2004
A autonomia dos submissos | A autonomia dos submissos |
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| José Moreira Chumbinho | |
Sem dúvida, a existência do imperialismo capitaneado pelo USA, aponta para a destruição da Humanidade e ele não pode voltar atrás. Pela sua própria natureza, ele se alimenta de desordens, fracassa, e novamente provoca mais desordens. Até o dia da sua derrota final não fará outra coisa, já se disse.A principal condição que facilita a liberdade de manobras das potências imperialistas é a ausência de uma direção revolucionária, capaz de reunir os trabalhadores do mundo inteiro para opor uma tenaz e definitiva resistência ao Imperium. E o principal perigo para o desenvolvimento da direção revolucionária dos trabalhadores no mundo é representado pelo oportunismo e o revisionismo. Ambos se transformaram na grande e indispensável arma do imperialismo contra os povos, de tal forma que sem ela não teria surgido, na primeira metade do século passado, a sua corrente nazi-fascista e muito menos o atual e sofisticado fascismo.
Nos países da América Latina, ao esgotar-se o antigo populismo e, depois, esvaziado o discurso francamente reacionário do período do gerenciamento militar, sobrevive nos movimentos de massas as vanguardas oportunistas, ainda assim, "lideranças" que se desmascaram rapidamente e de pronto necessitam ser recompostas. Um grande número desses quadros oportunistas emergiu dos escombros deixados pelas operações de extermínio de lideranças autênticas. Entre os oportunistas, muitos chegaram a ter um passado honroso e a ser reconhecidos como verdadeiros combatentes. Há os que sofreram terríveis perseguições e podem exibir currículos de ex-presos políticos, ex-exilados; radicais ou moderados de diferentes origens, organizações e correspondentes inspirações políticas. Todavia, traem seguidamente as massas, mesmo quando ninguém os obriga a fazê-lo. Colóquios do entreguismoDiante da necessidade de desviar as grandes explosões de massas — mobilizações gigantescas contra as guerras de agressão movidas pelas grandes potências em todo o mundo, as demonstrações de greves econômicas do proletariado, e as crescentes concentrações e choques entre o povo e a polícia — o imperialismo patrocina encontros de cúpula, marchas humanitárias e espetáculos diversos com os grandes astros da eloquência social arregimentados na falsa esquerda.
As agendas presidenciais dos países colonizados revelam um tempo cada vez mais premido por compromissos contraídos nas diferentes partes do mundo, com uma interminável sucessão de reuniões de cúpula e outras conferências de representantes delegáveis. Um presidente, por exemplo, vai a um encontro em Windhoek (na Namíbia), que imediatamente é sucedido por outro, em Miami, este pelo de Cancun, depois novamente Washington para uma nova audiência com o patrão. Segue-se uma reunião na Bolívia, a de Monterrey (México), a de Havana, a de Bombaim (na Índia) etc., etc. Dos sacerdotes subjetivistas da Terceira Via e das King Ongs, presidentes ou não, todos têm viagem marcada, ininterruptamente. São os fóruns: "social mundial", "europeu", "encontro alternativo" etc. Mas que negociações?Os monopólios de comunicação, por sua vez, fazem o que podem por esses prepostos em cada país da América Latina, como se eles fossem figuras protagônicas, e não secundárias, na direção política do "hemisfério ocidental". Ao mesmo tempo, essa própria imprensa notifica que as conversações sobre a Alca avançam de forma proveitosa. Afinal, é o que informa Washington.
De que forma Bush esteve acuado em Monterrey, tal como anunciaram? De que chancelaria partiu alguma medida realmente objetiva impondo respeito à nação, exigindo que o imperialismo recuasse? De que representante transmitiu a decisão, a mais acanhada que fosse, de expulsar de seu território uma única corporação estrangeira que cause dano à economia de sua nação? Em que momento foi estabelecido que o processo de implantação da Alca seria interrompido? E que fossem devolvidas as empresas de valor estratégico? Qual deles proclamou um basta à fraudulenta dívida externa? Quem anunciou a anulação de, ao menos, um acordo com o USA lesivo ao interesse nacional? O patrão sempre irritado...
Claro, os encontros de cúpula conhecem a "oposição", como a dos "alternativos", constituída pelas ONGs da burguesia européia, com sua social-democracia e toda a picaretagem mais a que tem direito. Finge contestar as reuniões de cúpula, a efetivação da Área de Livre Comércio das Américas e apóiam o Mercado Comum da América do Sul, como se ele fosse antagônico à Alca e não a sua porta de entrada. Também procura deter as rebeliões na Bolívia e legalizar o caráter de classe do Estado boliviano com uma Constituinte. Proposta idêntica, no Brasil, todos os dias é repetida nas emissoras de The Globe. A gente de Bush precisa jogar duro e não vacila. Faz lembrar que a fração mais reacionária da todo-poderosa burguesia ianque — ainda que siga fortalecendo a imagem dos representantes oportunistas mais competentes — não confia que eles possam sustentar a tal governabilidade por muito tempo. |
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| Nº 49, janeiro de 2009 |
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