Anteriores
Ano II, nº 16, janeiro de 2004
A autoridade das massas | A autoridade das massas |
|
|
|
| José Ricardo Prieto | |
Para negar a capacidade das massas de governar o seu próprio destino, como também a sua liderança no processo revolucionário, várias teorias são propaladas pelas classes dominantes, afirmando que tudo quanto o povo realiza não passa de desordem e caos. Os reacionários e oportunistas em geral julgam ser o povo ignorante e inábil, incapaz de construir uma nova sociedade. Isso explica a defesa que fazem do oportunismo eleitoreiro e da preferência que dão à democracia representativa, supostamente um sistema no qual, em nome das massas, tudo deve ser tolerado. Ao contrário, quando as massas passam para a resistência ativa à opressão e exploração, assoma-se a suas mentes tudo o que de melhor foi aprendido durante sua prática social. Dá-se, então, uma mudança no comportamento das massas que, até então, a tudo obedeciam. Ocorre a passagem da condição de classe em si para a da classe para si, termos que exprimem a mudança de maturidade do proletariado e de independência política numa determinada etapa histórica. Sempre que as massas trabalhadoras se vêem em condições de tomar a iniciativa e as decisões, imprimir seus valores e princípios, logo se avizinham enormes sucessos. Salpicada de exemplos, até mesmo a historiografia oficial é obrigada a confessar passagens como da revolta de escravos liderada por Espártaco, na Antiguidade. No Brasil, não há como negar centenas de movimentos populares que alcançaram êxitos, ainda que passageiros. Essa historiografia conduzida pelas classes dominantes apenas notifica (esquivando-se de explicar) a maneira como os quilombolas da república independente de Palmares governavam e produziam — quando o Brasil ainda era colônia de Portugal — ou desenvolvimento e o progresso alcançado pelos camponeses que habitavam Canudos, entre tantas outras. O talento do proletariado moderno para exercer sua autoridade foi revelado já na primeira grande onda da revolução proletária, com a Comuna de Paris, em 1871. O sucesso, ainda que temporário dos comunardos, mostrou pela primeira vez ao mundo que os proletários eram capazes de governar. Seguiram-se outros grandes êxitos como a Revolução de Outubro de 1917, na Rússia, a Revolução Chinesa de 1949 e a Grande Revolução Cultural, além de milhares de passagens de menor envergadura, mas que dispensam do convívio de sua organização — uma vez alcançado o nível superior de sua consciência —, vigaristas políticos, sacerdotes e quaisquer outras sanguessugas humanitárias, proxenetas, social-democratas, etc. No entanto, interessam aqui as pequenas manifestações em que as massas revelam sua imensa capacidade cognitiva, de discernimento e direção. A literatura progressista e revolucionária registra, em depoimentos, reportagens, romances, contos, poemas, prodigiosos momentos de inabalável autoridade, atestando que, por maiores que sejam a opressão e exploração sofridas pelas massas, ao elevar-se a consciência de seu papel histórico, nada lhes subtrai a concepção de justiça, exceto aquela formada pelo decadente direito burguês. A vez do mujique
Juracy Camargo, em O teatro soviético (Companhia Editora Leitura, Rio de Janeiro), relata alguns esclarecimentos que o grande escritor socialista Máximo Gorki prestava aos seus compatriotas quando foi deflagrado o movimento que levaria à revolução bolchevique. Juracy explica que, ainda dentro do tumulto infernal, Górki ia respondendo serenamente a perguntas dos “representantes de uma sociedade que consentia, sem o menor protesto, que o povo fosse constantemente massacrado e mutilado, às vezes por mero passatempo.”
Também um conde exclamou:
Brustein de Tambov perguntou:
A todos o velho Górki respondeu:
Aço contra os oportunistasA construção do socialismo ia a todo vapor. O povo russo dava mostras de uma heroicidade e abnegação nunca vistas. Mesmo assim, um determinado feito não era considerado o maior por muito tempo, pois a cada dia se superavam em obras e realizações magníficas, pelos quais as massas eram as responsáveis. Para essa grande obra, homens e mulheres de toda estirpe concorreram. Dessa vez é Nikolai Ostróvski quem relata, em Assim foi temperado o aço (editora A Opinião, Lisboa, da série Romances do Povo), que Stálin convocou as massas — para combater a quadrilha contra-revolucionária, liderada por Trotski, com o apoio da Gestapo nascente e das demais organizações da repressão ligadas às potências imperialistas. Uma verdadeira mobilização nacional atendeu ao chamamento, inclusive um imenso contingente solicitou o ingresso nas fileiras do Partido, especialmente os operários. N. Ostróvski retrata um destes recrutamentos, ocorrido em uma fábrica no interior da Ucrânia:
O dia do macarrãoJorge Amado, em seu Subterrâneos da Liberdade – A luz no túnel (III volume, editora Círculo do Livro, São Paulo), narra a reação — para alguns, inesperada — dos operários de uma grande fábrica que, submetidos a salários de fome, oprimidos de todas as formas, se alçam ao enfrentamento e ao repúdio às ações hipócritas dos industriais que lhes oferecem esmolas e os escravizam ao mesmo tempo:
|
| < Artigo Anterior | Próximo Artigo> |
|---|
| Edición en español |
| Nº 49, janeiro de 2009 |
| Apóie a imprensa popular e democrática |
Receba as novidades por e-mail
| Assinaturas |
| Livros |
| Onde encontrar |
| Faça sua coleção |
| Início |
| Linha editorial |
| Anteriores |
| Edición en español |
| Exclusivo no site |
| Blog da Redação |
| Fale conosco |
Servos da Moedade Rui NogueiraServos da Gleba nos tempos antigos, agora somos Servos da Moeda. O dinheiro deixou de ser a representação da riqueza para ser a própria riqueza. Leia neste livro o que os donos do dinheiro e as corporações transnacionais fazem para manter a servidão na maior parte da humanidade. |