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Um bilhão de dólares — este o montante que o povo brasileiro estará pagando, no ano de 2005, pelas atividades dos 594 senadores, deputados federais e funcionários colocados à sua disposição, segundo a proposta de lei orçamentária. Para a Câmara dos Deputados, R$ 1,856 bilhão e, para o Senado, R$ 1,842 bilhão. Mas será isto mesmo?
Até o início de 2005 assegurava-se: “A remuneração mensal de cada um dos 81 senadores e 513 deputados é exatamente a mesma, R$ 12.847”. Na verdade, porém, eles já embolsavam mensalmente cerca de R$ 63 mil (veja tabela), mais quotas de R$ 3 mil para postagem de correspondência, telefonemas locais e interurbanos, R$ 13 mil para reprografia, mais R$ 12 de indenização (sic) para o exercício parlamentar – gastos nos estados com combustível, restaurantes, hospedagem, aluguel de escritório e de veículos. Há também que contabilizar valores variáveis, como sessões extraordinárias, quatro passagens aéreas de Brasília ao Estado de origem (uma delas via Rio de Janeiro) e uma dotação anual de R$ 50 mil para edição de livretos e outros impressos através da Gráfica do Senado. Nos níveis estadual e municipal, o esquema é proporcionalmente o mesmo: deputados estaduais ganham 75% do total do federal e o vereador, 75% do deputado estadual. Contrariamente aos senadores, deputados estaduais e, em muitos municípios, os vereadores, os deputados federais não têm carro oficial à disposição. Em dezembro de 2004, entretanto, as Mesas da Câmara e do Senado tomaram todas as providências para que os congressistas não tivessem problemas no período legislativo seguinte: deixaram prontos para aprovação projetos de resolução que aumentam de R$ 35.350 para R$ 45 mil a verba de gabinete (assessoria em Brasília), permitindo-lhes contratar até 25 funcionários (o limite era de 20, em 2004) e aumentando para 15 mil a verba indenizatória.
Observe-se que quem se elege para um mandato de oito anos no Senado custa, para o povo, o dobro de um deputado, já que a permanência neste cargo eletivo é de quatro anos.
No princípio da década de 90, acadêmicos de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, considerando traição ao eleitor a diferença de mais de 100 salários entre os ganhos de um congressista e o mínimo garantido ao trabalhador, lançaram mão, pela primeira vez, do instituto jurídico da “iniciativa popular de lei” (parágrafo único do artigo 1º, combinado com o inciso III do art. 61 da nova Carta). Redigiram um projeto para fixar em 20 salários mínimos o teto salarial dos parlamentares federais e saíram à cata de assinaturas para impor a sua tramitação ao Congresso. Conseguiram que a proposição tramitasse, mas dela resultou emenda inteiramente desfigurada. Os representantes do povo, além de considerarem a iniciativa uma ameaça ao Legislativo e à própria democracia, afirmaram que seus “subsídios” (eles detestam a palavra “salário”), embora pareçam elevados ficam, na verdade, muito aquém do necessário para fazer face aos “compromissos de campanha”.
Quanto recebe por mês um deputado ou senador |
| Parcela |
Valor (R$) |
Observações |
| Subsídio |
12.847
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12 meses e 13º |
| Auxílio moradia |
3.000
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Para hotel ou apartamento funcional |
| Assessoria Brasília |
35.000
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Geralmente para reforço do orçamento familiar |
| Assessoria estado de origem |
12.000
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Geralmente para ajudar parentes e amigos |
| Total |
62.847
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As campanhas milionárias
Um pesquisador da USP, Gaudêncio Torquato, observa que as campanhas de Cardoso em 1994 e 1998 ficaram em 40 milhões de dólares, contra 43 milhões gastos por Bill Clinton para se candidatar á Casa Branca, em 1996. Levando-se em consideração que no Brasil, ao contrário do USA, não se paga nem um centavo pela veiculação de propaganda eleitoral, pode-se concluir que fazer política custa bem mais caro no Brasil.
Os gastos para conquistar nas urnas uma remuneração 100 vezes maior que a do votante aumentam a cada pleito. Torquato estima em R$ 5 bilhões o dinheiro movimentado pelas campanhas nas últimas eleições municipais, para 5.600 vagas de prefeito e 55 mil de vereador, calculando que 12 a 16 milhões de pessoas nelas foram envolvidas, participando de equipes de 30 a 40 colaboradores em média. No Estado do Rio, dois meses após as eleições municipais, 481 candidatos não tinham ainda apresentado suas contas de campanha à Justiça Eleitoral.
Esses números se baseiam em informações da Justiça Eleitoral, limitando-se ao chamado Caixa 1, o cofre oficial que recebe dinheiro de doadores físicos e jurídicos e os recursos do fundo partidário. Mas há outro cofre, o Caixa 2, no qual se abrigam as massas financeiras com o selo da ilegalidade. A proporção entre a grana por baixo do pano e o dinheiro oficial é, segundo Toquato, “no mínimo de três para um, comprovando que a democracia brasileira tem raízes no poder invisível”.
Conquistado o posto, há que levantar dinheiro não só para fazer face às despesas com pessoal e material de propaganda, garantir vida nababesca a toda a família e ainda honrar a contrapartida do patrocínio financeiro de porte, bancado principalmente pelos agentes mais poderosos do mercado de financiamento de campanhas: o financeiro, o de construção civil, o da indústria pesada e o farmacêutico.
Nesta situação, a grande maioria dos “nobres parlamentares” não passa de “despachantes de luxo”, pressionados pelos compromissos com seus patrocinadores a obter recursos orçamentários para as obras reclamadas por sua “base eleitoral”.
A eficiência no desenvolvimento dessas atividades é que lhes dá não apenas um “valor de mercado” como também a alcunha de “depufede”, criado por Sérgio Porto, nos anos 60, ao tempo em que sobressaíam no “febeapá”, o “festival de besteira que assolou o país”.
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O preço por atividade
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Orçamento da Câmara dos Deputados - Exercício Financeiro de 2004
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Detalhamento por ação
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Dotação
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Execução até novembro/2004
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Execução
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%
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| Processo Legislativo |
1.591.663.002,00
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1.244.728.466,27
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78,20
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| Apoio à Instalação de Posto Avançado do INCOR em Brasília |
8.000.000,00
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8.000.000,00
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100,00
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| Contribuição ao Grupo Brasileiro do Parlamento Latino-Americano |
700.000,00
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350.149,92
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50,02
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| Contribuição ao Grupo Brasileiro da União Interparlamentar |
750.000,00
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538.405,50
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71,79
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| Pagamento de Aposentadorias e Pensões |
429.018.024,00
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368.541.459,68
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85,90
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| Encargos Previdenciários com Pensionistas do Extinto IPC |
59.021.024,00
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52.317.060,87
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88,64
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| Ressarcimento das Contribuições aos Pensionistas do Extinto IPC |
400.000,00
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0,00
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0,00
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| Compensação Financeira entre Entidades de Previdência Federal, Estadual e Municipal |
158.000,00
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0,00
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0,00
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| Contribuição à Comissão Parlamentar conjunta do Mercosul |
105.000,00
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0,00
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0,00
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| Cumprimentos de Débitos judiciais periódicos vicendos |
13.000,00
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11.120,00
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85,54
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| Assistência Médica e Odontológica aos Servidores, Empregados e seus Dependentes |
30.725.000,00
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26.850.123,25
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87,39
|
| Contribuição à Confederação Parlamentar das Américas |
275.000,00
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206.250,00
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75,00
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| Assistência Pré-Escolar aos Dependentes dos Servidores e Empregados |
5.262.000,00
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4.710.870,64
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89,53
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| Auxílio-Transporte aos Servidores e Empregados |
1.719.000,00
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1.400.996,72
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81,50
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| Auxílio-Alimentação aos Servidores e Empregados |
73.900.000,00
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66.632.591,29
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90,17
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| Comunicação e Divulgação Institucional da CD |
11.000.000,00
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4.197.398,90
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38,16
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| Reparos e Conservação de Residências Funcionais de Membros do Poder Legislativo |
11.899.800,00
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5.898.959,80
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49,57
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| Capacitação de Recursos Humanos |
3.399.000,00
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910.928,05
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26,80
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| Implantação do Canal de Televisão Internacional |
1.000.000,00
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0,00
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0,00
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| Construção do edifício para abrigar serviço de obras |
1.935.000,00
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0,00
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0,00
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| Construção da Subestação de água |
1.165.000,00
|
926,70
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0,08
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| Construção do Anexo V da Câmara dos Deputados |
5.328.000,00
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484.000,00
|
9,08
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| Construção do Centro de Treinamento e Formação |
1.000.000,00
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76.206,37
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7,62
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