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Ano III, nº 24, abril de 2005
A crise desnuda a velha democracia | A crise desnuda a velha democracia |
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| Prof. Fausto Arruda | |
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Pesquisas realizadas pela Seade e pelo Dieese, na Região Metropolitana de São Paulo, indicam que tanto o desemprego aumentou como a renda do trabalhador vem diminuindo mês a mês. O índice de desemprego voltou a crescer e atingiu 17,1% da PEA (População Economicamente Ativa), em fevereiro. A taxa de janeiro foi de 16,7%.Do ponto de vista da renda do trabalhador, a mesma pesquisa indicou que o rendimento médio teve a terceira queda consecutiva e chegou ao pior resultado, para um mês de janeiro, desde 1985 — R$ 1.006,00. Registrou uma queda acumulada de 3,54% para os ocupados e de 5,34% para os assalariados (setores privado e público), de outubro a fevereiro.
A elevação das tarifas públicas, bem acima da inflação, e a agiotagem generalizada, patrocinada pelos pelegos de dentro e de fora do governo, com taxas de juros escorchantes, praticadas pelos bancos (veja o artigo do Prof. Benayon, na página 3) e pelo comércio, levam as condições de vida do povo ao desespero. Enquanto isso, ao menos 14 crianças indígenas menores de cinco anos da etnia guarani-caiuá morreram de fome no Mato Grosso do Sul, neste ano. E a seca prevista e anunciada para o Nordeste recebe um tratamento virtual, já que sua solução, como está alardeada na propaganda televisiva, é remetida para a suposta transposição do Rio São Francisco. A fome e a sede, entretanto, já batem às portas das populações interioranas da região. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), por sua vez, divulgou diagnóstico apontando que a estiagem no Sul e no Centro-Oeste deve causar uma "quebra histórica" na próxima safra de grãos e a possibilidade de desabastecimento de milho durante o ano. A estimativa da colheita de 131,9 milhões de toneladas, feita em dezembro do ano passado, encolheu para 119,5 milhões de toneladas. O milho deve cair 7,5% em relação à safra 2003/4. E quem bancará o prejuízo? O agronegócio será compensado com a elevação do preço das commodities nas bolsas de mercadorias. Mas a parte destinada ao mercado interno será bancada pelo bolso dos trabalhadores diante do aumento do preço destes produtos. O estado de São Paulo é hoje o melhor laboratório para analisarmos a situação de aprofundamento da crise que se avizinha. A maior economia do país tem revelado, em dimensões nunca imaginadas, que já estamos com um pé na barbárie. A ocorrência de 20 rebeliões em unidades da Febem, desde janeiro — contra 28 em todo o ano passado — é uma clara demonstração do agravamento da crise que vai fugindo ao controle dos gerentes de turno. A burocratalha do gerenciamento social-democrata (FMI-PT e FMI- PSDB) não consegue fazer nenhuma relação entre os cerca de dois milhões de desempregados na região e as rebeliões nas cadeias e unidades da Febem, apinhadas de jovens de 12 a 28 anos. Em suas cabeças, porém, só os massacres e genocídios conseguem conter a "criminalidade". Situação gerada pela extrema exploração da nação, com a sua cumplicidade, pois, administram uma política econômica que saqueia nossa riqueza e produz o desemprego. Construir cadeias para encarcerar o povo, principalmente sua juventude. Esta é a essência do "criativo" projeto do Governador Geraldo Alckmin, que propõe construir 41 unidades de internação regionalizadas para resolver o "problema" da Febem. O banquete dos leõesPara manterem-se como gerentes dos interesses imperialistas, principalmente da oligarquia ianque e do capital financeiro internacional, é necessário cumprir à risca a cartilha do FMI e do Banco Mundial. Isto pressupõe a implementação das anti-reformas que aplainarão o terreno para implantação da Alca no Brasil e na América do Sul. E a prova da submissão tem que ser renovada diariamente. Os interesses dos agentes do imperialismo, portanto, não sofrem a mínima restrição. As remessas de lucros e dividendos para o exterior atingiram valores recordes no mês de fevereiro, segundo dados do Banco Central. A saída líquida de recursos foi de US$ 1,348 bilhão, maior resultado registrado no país desde setembro de 1998. São as consequências da onda de desnacionalização do patrimônio nacional, principalmente na siderurgia, na petroquímica, nas telecomunicações e no setor elétrico. A Vale do Rio Doce, por exemplo, anunciou o melhor resultado financeiro de sua história: a companhia obteve lucro recorde de R$ 6,460 bilhões em 2004, 43,3% maior do que o de 2003 (R$ 4,509 bilhões). Assim como a farra da especulação financeira, tudo isto vem acontecendo com a chancela dos monopólios dos meios de comunicação, respaldados no "argumento de autoridade" de velhos economistas de aluguel e dos novos inquilinos dos quartos de fundo da República. A briga das hienasDepois de garantido o banquete da primeira classe, para o qual só são convidados na condição de serviçais, as classes dominantes brasileiras se engalfinham numa briga de morte pelas sobras e sobejos. Em poucos momentos de nossa história tivemos uma imagem da República sem os retoques da hipocrisia e da mistificação. Severino, nem é melhor nem pior que os outros: simplesmente é a cara da República sem maquiagem. Ele é a síntese do atual quadro político propiciado pela velha democracia. Uma sucessão de golpes, escândalos, factóides, cenas explícitas de fisiologismo e locupletação. Após testemunhar a desfarsatez com que conseguem jogar o seu lixo para baixo do tapete (como ocorreu com os casos Banestado e Valdomiro) a nação assiste, estarrecida e enojada, ao strip tease da velha democracia:
1Eleito Presidente da Câmara, o deputado Severino Cavalcante (PP) diz que Luiz Inácio sofre derrotas porque não se abre para uma verdadeira coalizão. |
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Servos da Moedade Rui NogueiraServos da Gleba nos tempos antigos, agora somos Servos da Moeda. O dinheiro deixou de ser a representação da riqueza para ser a própria riqueza. Leia neste livro o que os donos do dinheiro e as corporações transnacionais fazem para manter a servidão na maior parte da humanidade. |