Anteriores
Ano III, nº 22, dezembro de 2004
A ingerência nefasta do Banco Mundial | A ingerência nefasta do Banco Mundial |
|
|
|
| Lauro Xavier Neto* | |
|
A ingerência dos organismos multilaterais sobre nosso poder decisório se reflete nos acordos de empréstimos feitos pelo Brasil, desde a década de 40, especialmente no caso do Banco Mundial A política de empréstimo do Banco Mundial relativa ao Brasil iniciou-se em 27 de janeiro de 1949, através do Projeto Power and Telephone Project, que destinava recursos para a área de energia e telecomunicações. Até fevereiro de 2004, foram mais 243 projetos aprovados e concluídos num montante de 28,64 bilhões de dólares, além de dezenas de outros contratos de empréstimos estarem ainda vigorando no Brasil, nas seguintes áreas: Desenvolvimento Financeiro (5 projetos); Infra-estrutura (12 projetos, entre eles o metrô de Fortaleza, São Paulo e Salvador); Desenvolvimento Urbano e Saneamento (8 projetos); Meio Ambiente, Manejo do Solo e Recursos Naturais (8 projetos); Pobreza Rural (11 projetos); Gestão de Recursos Hídricos (3 projetos); Educação, Saúde e Proteção Social (15 Projetos) e Programas Especiais de Doação (2 projetos), este último ligado diretamente a área ambiental e contempla um projeto piloto para proteção das florestas tropicais e outro ligado a um fundo internacional para o meio ambiente (Fonte: página do Banco Mundial na Internet, www.bancomundial.org.br). Podemos perceber a ingerência do Banco Mundial principalmente no período da Ditadura Militar (1964-1984), onde foram aprovados e executados 117 projetos, ao tempo que existe um interstício no período que vai de 1960 até 1964, durante a administração Jânio Quadros/João Goulart, demonstrando claramente o descontentamento de Washington e do Banco Mundial com relação à política nacionalista desenvolvida pelo país e a simpatia pró Cuba da administração de João Goulart, em plena polarização USA-URSS, inclusive com a presença de Che Guevara no Brasil, a pedido da administração Jânio Quadros. Ao contrário disso, segundo o documento Avaliação da Assistência do Banco Mundial ao País (Banco Mundial, 2003:01), o banco comemora a sua atuação no período militar: "durante o período 1950-1973, o Brasil teve um dos melhores desempenhos de crescimento entres os países em desenvolvimento, conforme indicado por taxas de crescimento de 7,5% a.a". O período Fernando Collor de Melo/Itamar Franco (1990-94) é relatado pelo Banco Mundial (op. cit: 02) como o início de reformas como a privatização de empresas estatais e a redução de restrições comerciais. Nesse quadriênio observa-se um número inferior de projetos em relação a outros períodos: apenas 28 projetos foram aprovados e concluídos entre 1990-94, o que se explicaria, segundo o próprio documento do banco, pelo fracasso da estabilização inflacionária ocorrida no período Collor de Melo até o final da gerência Itamar Franco. Mas, o Plano Real, arquitetado para "salvar" o Brasil de um colapso que dificultaria o compromisso fiscal (pagamento da dívida pública e externa), contribuiu para eleger Fernando Henrique Cardoso, que se manteve no poder por dois mandatos consecutivos (1995-2002), nos quais obteve um maior apoio do BM. Essa gerência teve 33 projetos contemplados, pois seguiu os ditames do projeto neoliberal, realizando com primazia os ajustes econômicos e a privatização do setor público, conseguindo a estabilização financeira e efetivando as Reformas Estruturais. No período 2003-2004 da gerência Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, eleito por uma coalizão conservadora, a obediência ao FMI e ao BM continuam. Nesse período houve a assinatura de dois acordos de empréstimos. Além disso, a administração vem desenvolvendo os 64 projetos de financiamento do Banco que foram assinados na gestão anterior. Segundo a avaliação do Banco Mundial (op. Cit.: 03) "o Presidente Luiz Inácio (...) anunciou seu compromisso com a disciplina fiscal e as metas que tinham sido acordadas com o FMI em setembro de 2002, no contexto de um acordo standby de US$ 30 bilhões para apoiar o país até dezembro de 2003". Para o Banco, esse anúncio da gerência petista tranqüilizava os mercados financeiros, mas seria necessária a coerência da gestão na continuidade dos projetos iniciados, inclusive para garantir a tão propalada estabilidade financeira. O relatório do Banco também apontava caminhos para a gerência Lula da Silva no sentido de conseguir reduzir a pobreza através da "liberalização de recursos fiscais para investimento e para programas sociais mais bem focalizados" (op. Cit.:04). * Lauro Xavier Neto é mestrando em Educação pela Universidade Federal da Paraíba.
Xerifes e Coletores |
| < Artigo Anterior | Próximo Artigo> |
|---|
| Edición en español |
| Nº 49, janeiro de 2009 |
| Apóie a imprensa popular e democrática |
Receba as novidades por e-mail
| Assinaturas |
| Livros |
| Onde encontrar |
| Faça sua coleção |
| Início |
| Linha editorial |
| Anteriores |
| Edición en español |
| Exclusivo no site |
| Blog da Redação |
| Fale conosco |
Peru - do império dos incas ao império da cocaínade Rosana BondNos anos 80, Rosana Bond foi a primeira jornalista da América a entrevistar os guerrilheiros do Partido Comunista do Peru, também chamado de Sendero Luminoso. Nesse livro ela revela que, apesar da prisão do líder Abimael Gusmán, o PCP continua sendo uma das maiores dores de cabeça da CIA e do USA. |