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Ano I, nº 4, novembro de 2002
A saga dos camelôs no Rio de Janeiro | A saga dos camelôs no Rio de Janeiro |
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Página 1 de 2 Na proporção em que aumenta o desemprego no país, cresce a violência do estado contra o povo pobre em luta pela sobrevivência, como é o caso dos vendedores ambulantes, uma categoria que aumenta desmesuradamente pelas mesmas razões.
Em julho, após um violento choque entre a guarda municipal e camelôs na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, Carlos Moraes Antunes declarou à imprensa que pretendia intensificar a repressão contra os camelôs, taxando-os de marginais. "A ação não foi violenta. A reação é que foi. Estamos lidando com marginais, contrabandistas, que têm até segurança, mas todos acham que são coitadinhos excluídos do mercado. O comércio ambulante mudou sua face. Vamos intensificar cada vez mais a repressão. Queria ocupar todo o espaço, mas não tenho efetivo para isso", afirmou ele (jornal O Dia, 07/06/02). Um depoimento
Trabalhando como camelô na cidade do Rio de Janeiro, J. D., casado e com filhos, sabe o que é ser tratado como um marginal. Em depoimento ao AND, falou sobre o mais recente choque ocorrido entre a camelotagem e a guarda municipal carioca, no dia 7 de outubro (um dia após as eleições), o qual culminou na desesperada atitude de um ambulante que, vendo-se sem a sua mercadoria — sua única fonte de renda — ateou fogo num guarda. Além disso, J. D. esmiuçou as causas desses conflitos, os interesses que correm por detrás da repressão, a vontade de trabalhar das pessoas que, em sua maioria nordestinos, são banidos do sistema, e se vêem obrigados, para sobreviver, a compactuar com uma humilhante rede de extorsão — avalizada pelo governo municipal. Fogo no guarda
O episódio se deu da seguinte forma: o policial tomou dois guarda-chuvas do camelô e ficou rindo, zombando dele. Depois, dirigiu-se para a viatura. Os dois guarda-chuvas eram a única mercadoria que o camelô possuía. Ele saiu andando pelo centro da cidade, quando, num determinado ponto, viu o indivíduo sentado no interior do carro. Arranjou uma garrafa de álcool, jogou no corpo do policial e ateou fogo — pegou do tórax para cima. Da barraca ao pára-quedas
Conforme explica J. D., todos são camelôs, porém, o mais sofrido é o que está na calçada com o pára-quedas ou com o pequeno tabuleiro. Os que estão assentados, geralmente têm a banca de 1,10m, ou dispõem de um box, que é o caso dos camelôs da Scacem, da Central do Brasil, da Presidente Vargas, etc. Esses já são barraqueiros, assentados com o consentimento do poder público. Na Central"Na Central do Brasil, os camelôs em frente à supervia, são extorquidos pela Guarda Municipal, e à noite, tem dois guardas municipais que chegam lá à paisana, ex-PMs do nono batalhão: fazem a extorsão na cara-de-pau. Pela manhã, tem dois negões, e nem sabemos o nome deles, só andam à paisana, pegando o dinheiro do camelô — ou dá ou desce, ou paga ou não trabalha. Como os camelôs estão desorganizados, individualizados, são obrigados a se submeter a essa situação. Mas já existe, no centro da cidade, um grupo de camelôs que se organizam entre si contribuindo com um real semanalmente. Esse grupo tem assegurado para si o empréstimo imediato logo que perdem a mercadoria para o guarda municipal ou para a fiscalização. Isso já vem acontecendo há cerca de três anos e tem dado resultado." "Tem camelô há mais tempo na rua, está mais estabelecido, e como o sistema oferece a ele a perspectiva de crescer, ele acha que com duas, três barracas, vai ficar rico. Ledo engano. O camelô não é dono do ponto, ninguém é dono de nada, pois quando chega a fiscalização, todo mundo tem que sair correndo. Existe, no entanto, um respeito, uma ética entre os camelôs. Se eu me estabeleço num ponto e todo dia estou ali trabalhando, o meu vizinho respeita o meu espaço. Esse é o respeito ético que existe entre os camelôs, cada qual respeita o seu espaço, mas ninguém é dono de nada. Tem camelódromo em que os dirigentes levam os candidatos de barraca em barraca avisando: "esse foi o que ajudou a botar vocês aqui, portanto agora nós devemos votar nele, pra gente continuar aqui. E isso é uma enganação, até porque muitos camelôs hoje repudiam esse sistema eleitoral, eles sabem que os políticos não fazem nada para ninguém, e que o assentamento é provisório. A imprensa burguesa, por sua vez, tenta desmoralizar o camelô, dizendo que o camelô é violento, agressivo, faz do ponto um ponto de drogas, e isso é mentira, porque eu já estou há muitos anos na pista e nunca vi camelô vendendo tóxico".
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| Nº 49, janeiro de 2009 |
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Nação do Solde Rui NogueiraNeste livro os moradores de uma vila resolveram discutir aspectos do ser brasileiro. Somos ou não um país rico? Permaneceremos país do futuro? O que existe no Brasil que o transforma na Nação do século XXI? Porque os países hegemônicos estão ameaçados de desabar? Como enfrentarão as questões energética e ecológica. Nisto reside a grandeza do Brasil. Nação do Sol que você ajuda a construir. |