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Página 1 de 3 Na guerra quimico-biológica, nem sempre o imperialismo tenta ocultar como oriundas de seu arsenal determinadas drogas lícitas e as consideradas ilícitas
A partir da Primeira Guerra, as potências imperialistas, na condição de forças em dispota pela partilha do mundo e, ao mesmo tempo, em conluio, estenderam a ação de suas armas contra a população civil, já que a luta de libertação dos povos nas colônias e semi-colônias se desenvolviam em direção a uma nova e superior etapa. Não se tratava mais de dominar governos e respectivos exércitos nativos, mas as massas desejosas de governar.
Por essas razões, quanto mais se aguçam as contradições de classe, mais proliferam as armas mortais lançadas contra povos inteiros. Em conseqüência, tanto os agentes químicos como os biológicos se revestem de uma nova importância para os imperialistas. Se as armas atômicas surgiram para destruir continentes inteiros, as biológicas e químicas não são concebidas com intuitos mais modestos. Esse é o procedimento do imperialismo: sustentar a guerra contra o povo. É justa a afirmação de que a lógica do imperialismo é provocar distúrbios e fracassar, voltar a provocar distúrbios e fracassar novamente até a sua completa ruína.
No fundamental, até hoje, a guerra imperialista, desencadeada contra as amplas massas (principalmente contra os povos da Ásia, África e América Latina), impôs quatro novos tipos de armamentos: nucleares, espaciais (de longo alcance, como os artefatos intercontinentais, de águas profundas etc., e os engenhos cósmicos), biológicos e químicos.
Armamentos da fase imperialista
O primeiro tipo se baseia no efeito destruidor da liberação da energia nuclear, como as bombas atômicas e de hidrogênio. A bomba de nêutrons produz radiação ampliada (privilegiando-a ao provocar reações em cadeia), havendo menor emissão de calor e impactos diretos, se comparada às duas primeiras, e dirige o seu poder mortal para os seres vivos, principalmente. Ambas resultam na imensa concentração de energia distribuída em pequenos volumes que, imediatamente liberada, produz um efeito destruidor, incontrolável no organismo da vítima, ainda que tenha recebido menor impacto ou carga de irradiação e logrado sobreviver.
Já o centro de aplicação da guerra espacial (com o fim da bipolaridade, em 1991, são abolidos em definitivo os Estado, governo, bandeira etc., da URSS) foi, em grande parte, deslocado dos programas do tipo "guerra nas estrelas" para os projetos de saque e pirataria em todo o processo de produção material dos povos; para os satélites que controlam as emissões televisivas, radiofônicas, vôos internacionais e domésticos, navegação, sondagens para fins agrícolas, exploração de riquezas naturais, conservação da biosfera etc. As armas cuja produção é baseada na liberação da energia nuclear, ou a dos pesados armamentos da guerra espacial com o objetivo de destruir principalmente satélites, poderosas estações de radar, imensas naves que transportam mísseis, bombardeiros supersônicos, meteoritos artificiais, bombas cósmicas etc., segundo as necessidades das potências imperialistas, apenas em parte permanecem garantindo a manutenção ou disputa de hegemonias.
Um terceiro tipo de armamento é construído com substâncias tóxicas subtraídas de seres vivos para destruir parcial ou totalmente o inimigo, ou seja, incapacitar ou exterminar as forças oponentes. As armas biológicas têm claro propósito de dizimar populações civis, nenhuma utilidade para destruir postos ou posições fortificadas. Por se tratar de armas genocidas, com determinadas características, seus efeitos não são conhecidos a priori, mesmo quando testadas, o que dificulta o uso de antídoto e equipamentos especiais. As propriedades genocidas que assumem essas armas residem no efeito destruidor sobre toda a natureza, porque são "planejadas" para produzir violentas perturbações no equilíbrio natural, com os germes produtores de moléstias, os hospedeiros, introduzindo milhões desses organismos no corpo humano onde, antes, não se verificara tal fenômeno.
Em quarto lugar, entre os armamentos mais utilizados na guerra contemporânea, surgem as substâncias químicas que aparecem em forma de gases, manifestando irritações e queimaduras insuportáveis, podendo chegar a convulsões até sobrevir a morte. Outras vezes, surgem na condição de psicoquímicos etc. Incluem-se entre esses armamentos muitas drogas consideradas lícitas e tantas outras ilícitas.
Cabe esclarecer, o surgimento da indústria química militar data da aplicação da pólvora para fins militares. Com o tempo, as armas químicas de grande poder explosivo tornaram-se, então, necessárias para conter multidões e não apenas os poderosos contingentes armados e fardados. Nos limites dessa conceituação, se incluem os gases tóxicos mortais e muitos outros que atuam sobre o sistema nervoso e a sua utilização aparece na Primeira Guerra imperialista (1914 a 1918). Sucedem-se o cloro, o gás de mostarda (iperita), disfogêneo, fosgêneo, a adamita, o monóxido de carbono, o cianeto, herbicidas como o napalm, amplamente empregados na Guerra do Vietnam (1964 a 1975) etc. e, na década de 70, aplicados na Amazônia brasileira pelos grandes latifundiários. Em 22 de abril de 1915, os alemães lançaram contra os franceses 168 toneladas de gás cloro sob pressão, com um saldo de 5.000 mortos. Somente naquele ano, três novas experiências foram levadas a cabo.
Agentes incapacitantes para o alvo civil
A guerra contemporânea utiliza substâncias tóxicas como agentes, o que tem de comum com as armas químicas e biológicas. Embora agentes químicos incendiários, lança-chamas, agente laranja etc., sejam tóxicos, dependem de outras substâncias não-tóxicas e são armas de pequeno poder se comparadas às de aplicação essencialmente tóxicas, a exemplo dos inseticidas sintéticos ou, no caso dos agentes biológicos: bactérias, vírus, fungos.
As armas químicas e biológicas num determinado momento de seu desenvolvimento, por razões técnicas se confundem na sua caracterização. As químicas podem levar a uma escalada biológica. Porém, o novo nessas armas para produzir doenças é a intensidade com que são fabricadas e impiedosamente aplicadas, o que, segundo Robin Clarke, em Guerra Silenciosa, Editora Laudes, 1970, esse seria um elemento na história que poderia inaugurar uma era onde as doenças se tornassem incontroláveis e a humanidade acabasse mergulhando numa espécie de Idade Média da medicina. O imperialismo, que as manipula, comporta-se como um assaltante sob os efeitos de drogas pesadas. Seu cérebro responde apenas ao interesse imediato, não pode haver troca de palavras visando negociação, o que diminui sempre mais a possibilidade da vítima sair ilesa. A insânia é mesmo a palavra precisa, a que melhor revela o seu comportamento.
No ideal imperialista sempre residiu a perspectiva de produzir um microrganismo em laboratório, altamente infeccioso, virulento e estável, de tal forma que, armazenado ou espargido, uma pequena quantidade de microorganismos permaneça ativa, capaz de contaminar milhões de homens com uma grave doença, matando ou incapacitando a curto, médio e longo prazo suas vítimas. A infectividade desejada (dose necessária para iniciar a infecção no corpo humano) e a infecciosidade (grau de infecção) podem ser alteradas com técnicas variadas. Também, ser o agente virulento não é o essencial, mas é necessário que o microrganismo, uma vez inoculado, se reproduza numa grande velocidade. Outra propriedade desejável para o militarismo, não importam demais consequências, é que esse microrganismo não dê oportunidade ao exército inimigo de conseguir imunidade ou proteção alternativa. Na guerra convencional, é necessário que o agressor esteja imune à arma que ele utiliza, mas na guerra contra os povos, como agora, isso se torna pouco relevante, no início, porque se as classes exploradoras sempre sacrificaram parte de seus exércitos quando lhes convinha, utilizando os seus soldados (tal como os proletários, ou seja, recebendo a atenção digna de um "componente reciclável"), mesmo não se tratando de força de trabalho excedente. No ataque sistemático aos povos o desprezo do imperialismo pelos seus soldados tende a se acentuar.
A Aids foi criada sem antídoto. Como a humanidade não fornece problemas que não possa resolver, a resistência contra o HIV, ou qualquer arma, ocorrerá de uma maneira ou de outra. Porém, não mais num processo de defesa que, hoje, seria passiva, se restrita aos cientistas. Mas a defesa contra todas as armas que o imperialismo utiliza para esmagar a luta de independência dos povos surgirá no processo de destruição do imperialismo pelos povos e na onda de emancipação das massas trabalhadoras.
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Pentágono:
Ministério da Guerra do USA
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Nem faz questão de negar
Na guerra químico-biológica, nem sempre o imperialismo tenta ocultar como procedente do seu arsenal determinadas drogas lícitas e as consideradas ilícitas que aterrorizam o mundo. Se merecem especial atenção as drogas ilícitas e as propriedade de reprodução econômica, de dependência orgânica e psicológica, como o alto poder de degradação física e intelectual que as acompanham, como os cloridrato de cocaína, crack, heroína e morfina, além do MDMA (êxtase), o ópio etc., muitas das drogas lícitas têm finalidades identificadas com a dominação imperialista. São incontáveis as drogas ("sob controle") lançadas legalmente no mercado atacadista e varejista dos grandes laboratórios com a finalidade principal de causar sujeição física e psíquica, provocando estados mórbidos, tão danosas quanto as ilícitas. E é desnecessário descrever o incentivo ao consumo do álcool.
Apenas na área de biologia, o monopólio de insumos, de meios técnicos de interferência e alteração de gens, promovem a reprodução híbrida para fins de dominação. As empresas do imperialismo eliminaram (e seguem eliminando) incontáveis espécies de cultivares que a humanidade selecionou, produziu e desenvolveu durante séculos de agricultura. O imperialismo consegue destruir o patrimônio cultural dos povos com seus trangênicos de arroz, batata etc., nada devolvendo em substituição, exceto exploração, miséria e "preço de mercado" . Como sobremesa, cria eufemismos (biotecnologia, ambientalismo) e charlatanismos em todas as áreas do saber humano, chegando a dar nome a ciências que jamais existiram. Juntos, armas químicas, biológicas (como as "sementes milagrosas") etc., e correspondentes técnicas "avançadas" permitem exercer o controle e restrição das atividades agrícolas, industriais e militares; numa palavra, manter sempre mais restritos o monopólio sobre os conhecimentos da produção e inviabilizar a ação medicinal e social entre os povos.
O "humano" do militarismo reside em não poupar técnicas, armas e munições para a contra-insurgência na forma de agentes incapacitantes, cujo emprego intensa e profundamente seja eficaz até mesmo para o controle de populações e territórios com proporções continentais, o que pode acontecer, ao menos enquanto o acirramento das contradições não faça evoluir o quadro de mobilização da esmagadora maioria das populações do Terceiro Mundo. Na guerra contemporânea, os programas de guerra de baixa, média e alta intensidades para combater os regimes democráticos, os movimentos de emancipação das classes oprimidas, de independência e os de reconstrução nacionais, os engenhos biológicos e químicos passaram a gerar diversas modalidades de armas com propriedades letais (morte instantânea) e os incapacitantes, entre os "benévolos" e os letais de ação mais demorada. Ampliar o conceito de incapacitante significa considerar o meio ou técnica de tornar incapaz, inabilitar as faculdades físicas e intelectuais, provocar sensação de desmoralização, debilitar física, psicológica, econômica, política e juridicamente as massas, e não apenas o indivíduo. Importa não só empregar os mais variados recursos no plano objetivo, mas também assegurar a existência plena do ambiente ideológico do fascismo sofisticado; assegurar a força bruta contra os povos ajustados metodicamente com a aplicação das doutrinas de subjugação dos povos. Os incapacitantes, de uma maneira geral, são empregados com armas combinadas, e de seu arsenal faz parte todo o sistema de despolitização das massas.
Os "incapacitantes benévolos" foram assim denominados pelos ianques para referir-se aos agentes de efeito passageiro entre os gases neurotóxicos, alguns deles lançados sobre o Vietnam, o que nem sempre significou o emprego de gases neurotóxicos que matassem de imediato. De uma maneira geral, entre eles estão os gases asfixiantes, lacrimogêneos e vesicantes (provocam o aparecimento de bolhas de sangue com bactérias e toxinas), intensamente aplicados "na guerra humana" e que, regra geral, inutilizam a vítima por algum tempo. O problema é que o emprego das armas bioquímicas elimina por inteiro a distinção entre as armas incapacitantes e as letais, reduzindo-as aos incapacitantes temporários (letais a longo prazo) e os letais de ação fulminante. Mas, acima de tudo, reside a diferença entre vencer militarmente o exército inimigo e exterminá-lo fisicamente, vencer militarmente as forças nativas e exterminar parcelas sempre maiores das forças produtivas (o homem, os instrumentos de produção, os hábitos, técnicas e tradições do trabalho), mutilando-as gradativamente. Significa tornar inoperante não apenas um povo, mas povos inteiros. Nada tão coincidente com as pretensões expressas no Documento de Santa Fé, nos relatórios do Clube de Roma, nas sucessivas orientações emanadas dos agiotas internacionais etc., etc.
Centuriões recomendam drogas
Por outro lado, a repressão sistemática à luta dos povos teve que produzir compostos que afetassem uns, o corpo e, outros, a mente, algo que ficasse mais em conta, em termos de dominação e ocultação do crime. Em 1965, os ianques iniciaram o despejo de agentes químicos incapacitantes do tipo "benévolo" sobre o Vietnam, começando por gases vomitivos e lacrimogêneos, em seguida inquietantes que inutilizavam os patriotas por durante meia hora a l hora, espaço de tempo em que a infantaria ianque invasora buscava atingi-los com farta munição de efeito menos inquietante. Na aplicação militar de drogas em jovens para estimular sua coragem guerreira, formando feras assassinas, se desconsideradas as experiências de povos bárbaros na América Latina, historicamente os exemplos mais usuais poderão se fixar nas tropas muçulmanas que usavam o haxixe (de efeito sedativo e alucinatório), nos séculos XVI e XVII, de onde provem a palavra assassino, derivado de "hachichins", comedores de haxixe. Nada de espantoso, porque na guerra de agressão, entupir a cabeça dos soldados com maconha é prática do U.S.
Army desde a Coréia, passando pela guerra do Vietnam, quando se tornou mais intensa, ao que o alto comando ianque acrescentou outras drogas (anteriormente pesquisadas) à dieta cerebral da soldadesca visando manter bem elevado "o moral da tropa". Durante a década de 50, os centuriões ianques passaram a recomendar o emprego de produtos químicos que afetassem a mente, se fazendo acompanhar por doutrinas arranjadas que justificavam plenamente essa prática. Tratava-se de algo cujo uso permanente alterasse o equilíbrio mental da juventude, entre os milhões de jovens nas colônias e semicolônias, obrigando-os a conviver com uma espécie de política de penitenciária. O ácido lisérgico (LSD), em 1943, foi sintetizado por dois químicos suíços. Com os estudos sobre o LSD e assemelhados, novas perspectivas foram abertas para a guerra, em 1952, como o B2 (o "gás do medo"), em caráter experimental no campo de Dugway, que permanece sendo a única droga incapacitante padronizada, capaz de produzir um conjunto de efeitos desorientadores que se aproxima dos estágios iniciais da esquizofrenia ou sugere "sensações agradáveis", mudanças na personalidade etc., dependendo das alterações processadas na sua composição, constância e ingestão.
Com essa finalidade, o imperialismo deu início à produção de uma série de compostos psicoquímicos experimentais, cujo uso causam sensações que vão da excitação à depressão. Aí chegam os alucinógenos mais sofisticados, psicoquímicos que afetam o equilíbrio mental da população a ser atingida. O processo de domesticação econômica, ideológica e política, associada ao uso "voluntário" e permanente de drogas completa o ciclo necessário para incapacitar os setores mais combativos da população.
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