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As últimas armas do império agonizante PDF Imprimir E-mail

Na década de 70, os psicoquímicos retornaram como arma, sob a surrada alegação ianque de que sua aplicação na guerra à torna "mais humana". Disso podem discordar os prisioneiros da Al Qaeda, retirados de seu país e submetidos pelos bandidos ianques à "privação sensorial" na prisão de Guantânamo, base naval dos USA encravada em solo cubano. O tratamento consiste em manter as mãos e os pés dos prisioneiros de guerra imobilizados, não reconhecendo tratar-se de prisioneiros de guerra, obviamente. Além disso, durante horas de joelhos, os prisioneiros afegãos são obrigados a usar luvas, máscaras que vendam seus olhos, tapam suas bocas e orelhas, permanecendo privados da visão, audição, olfato e tato. São mantidos dentro de um uniforme calourento, "sob o sol escaldante", chega a reconhecer um jornal de direita, The Mail. Não obstante, permanecem sedados, estão sob constante interrogatório perpetrado por agentes do FBI, CIA, militares das três armas reunidos na "Força Tarefa Conjunta-170".

Difícil sustentar que as feras nazistas conseguiam dar pior tratamento aos prisioneiros.

O subdiretor para pesquisa e tecnologia do Centro Químico do Exército, do Arsenal de Edgewood, em Maryland, instituição reputada como "maior responsável pelo desenvolvimento os agentes anestésicos", nos USA, reclamava em 1964 das dificuldades decorrentes de contratação de técnicos, e que trabalhavam para obter o auxílio dos mesmos cientistas (dito sem maior precisão, todavia) que operavam nas pesquisas sobre o câncer (no Fort Detrick?), isso quando, também, não se escondia que o objeto de intensa investigação era "converter as drogas de utilidade médica em armas de guerra" (Clarke, citado). Pesquisas sobre produtos químicos letais e incapacitantes progressivos jamais foram interrompidas pelos militaristas ianques.

São implacáveis os relatórios que comprovam o envolvimento do governo ianque na produção e disseminação de substâncias, na sua maioria alucinógenas, o que há muito faz parte das armas extraídas do arsenal imperialista para destruir a juventude dos países semicolonizados e a de seu próprio país.

Ao fazer a guerra tradicionalmente suja, o imperialismo ianque apoiou os contra-revolucionários da Nicarágua, via armamentos e drogas (com que também inundaram os bairros pobres da capital), episódio que se tornou amplamente conhecido na administração Reagan. Em seu próprio país, no início de 70, o governo ianque havia sufocado o movimento dos Panteras Negras encharcando os bairros miseráveis com toda a sorte de corrupção, principalmente drogas, numa ação conjunta do FBI (a polícia federal ianque, aquela a quem deram permissão para abrir uma agência no Brasil, país que desde 64 é tratado como uma espécie de possessão dos USA, agora com direito a tolerar todo o jurisdicismo e a extraterritorialidade ianques) com os grandes e declarados traficantes. O resto ficou por conta das infiltrações e a colaboração dos oportunistas e revisionistas praticando toda a sorte de dissensões internas como o separatismo, o racismo, o nacionalismo particularista etc. e, por fim, torturas e assassinatos em massa. Com os golpes de Estado na América Latina, promovidos pelos USA e as classes reacionárias internas, foram instaladas gerências militares brutais, substituídas tempos mais tarde por "governos civis" com administrações "eleitas", onde floresce uma espécie de belle époque, um momento de esplendor do oportunismo. Coincidentemente, a grande ofensiva das drogas alcançou esses dois tipos de administração na América Latina. Ao contrário do que repete o governo dos USA, " os laboratórios de refino só excepcionalmente se situam nos países produtores de matéria-prima (pasta de cocaína, morfina-base etc.); um padrinho, chefe supremo de um cartel, viverá muito raramente na região onde operam os atacadistas; a lavagem do dinheiro sujo, sua reciclagem, seu entesouramento se fazem nos Estados onde o consumo da droga, e portanto, a bastante vulnerável organização de venda a granel, são fracos". (A Suíça Lava Mais Branco, Jean Zigler, Brasiliense, São Paulo, 1990).

Festival de Woodstock

Quando, na segunda metade da década de 60, os USA desencadearam uma terrível contra-revolução cultural, três consignas eles dedicaram à juventude que pretendiam dominar: droga, sexo e Rock' and Roll'. O fiel e degradante Woodstock, de 1968, se comparado à enxurrada de campanhas imperialistas antijuventude com que diariamente bombardeiam o povo, não passará de uma inconsequente e inofensiva manifestação. O uso involuntário, mas sistemático dessas drogas, também pode ser obtido de novos hábitos alimentares em produtos que contenham determinadas substâncias: na cerveja, refrigerantes, iogurtes, cereais etc. O uso de recursos para fins de dominação dos povos não conhece limites.

Os agredidos não tem como fiscalizar

"Segundo consta, teria sido esta empresa que ‘para concorrer' com a morfina (do ópio), inglesa, teria ‘descoberto' a cocaína (da coca)". Nota do tradutor, na primeira edição de Biotecnologia; Muito Além da Revolução Verde, de Henk Hobbelink, editora Riocell, Porto Alegre, 1990, pág. 119, referindo-se todavia à Bayer.

É nesse terreno que as forças militares do Imperialismo vêm empregando substâncias naturais e sintéticas, desenvolvidas através de técnicas sofisticadas, destinadas às aplicações específicas de destruição e incapacitação do ser humano, generalizando novas e resistentes epidemias de cólera, febre porcina, tuberculose, encefalite, dengue hemorrágica, Aids (Sida), ebola, antrax, os psicoquímicos "lícitos" e ilícitos etc. A bioquímica vai se tornando a arma de maior flexibilidade na guerra de agressão. Sua preferência é explicada, em parte, porque determinados agentes bioquímicos não têm grandes efeitos sobre edificações e máquinas, substituindo as demais armas quando se trata de eliminar dirigentes nacionais ou mesmo nações inteiras.

Premeditadamente é ocultada, através dos mecanismos de "esquecimento", a aplicação de duas outras armas lançadas na fase imperialista para destruir populações inteiras. A primeira delas são os pesticidas, como o Zyklon B, utilizado em câmeras especialmente fabricadas para assassinar membros da oposição nazista nos campos de concentração (comunistas, socialistas, democratas, ou mesmo dissidentes do Reich e prisioneiros judeus capturados pacificamente e que, juntos, somaram a milhões de seres humanos), arma desenvolvida nos Laboratórios Leverkusen pelo consórcio alemão (uma reunião das empresas Bayer, Hoechst e Basf) IG Farben (Farbenindustrie), criado às vésperas da Segunda Guerra.

Os primeiros agentes tóxicos dos nervos, incolores e inodoros, foram produzidos ainda na década de 30, na Alemanha, como o tabun, depois o sarim, sendo que, até 1939, eram monopólio alemão. Em 1944 surge o soman. Nos USA, o tabun é conhecido como GA; o sarin, como GB e o soman como GD. Há um terceiro, mais poderoso, sem informação, o GC. Mais tarde, surgiu o agente V (VE e o VX) e a fábrica US Montain Arsenal, de Denver, produziu o GB em grande quantidade. A fábrica de Newport, Indiana, trabalha 24 horas por dia em munições químicas, sob contrato da Food Machinery Corporation. O emprego tático dessa arma inclui o míssil Corporal e o Sergenat para lançamento de cápsula química convencional ou nuclear. Em 1960, o governo ianque iniciou o programa de lançamento de ogivas químicas para disseminação desses agentes em pequena escala.

A aplicação continuada de armas químicas mortíferas pelo Imperialismo teve sua divulgação interrompida, exceto no que se refere à execução de prisioneiros com auxílio de um gás, o cianeto de hidrogênio. Nesse caso, a preferência atual é por injeções letais, onde o paciente é submetido a um suplício de 10 minutos, com a devida cumplicidade da corte ianque, que profere sentenças para exercer o terror e a vingança sobre a vítima, inocente ou criminosa, seja de seu país, latino-americana, asiática etc., desde que pobre.

Coisas da "guerra humana"

Mas até a guerra do Vietnam, os ideólogos do militarismo, bem mais irascíveis, sanguinários e cínicos que seus antecessores nazistas, afirmavam que as armas bioquímicas eram mais humanas, sob a alegação de menor custo e de que elas não danificam as edificações, maquinários etc. Naqueles dias, enquanto o imperialismo e o social-imperialismo russo faziam alarde de acordos sobre o fim da ameaça nuclear, novas experiências com armas químico-bacteriológicas se sucediam, bem como eram ampliados e atualizados os seus estoques, porque o desarmamento jamais passou de uma falácia, já que somente a destruição do imperialismo pode tornar realidade a destruição das armas espaciais, nucleares, químicas e biológicas, fazendo com que a química e a biologia se voltem para a produção de alimentos e o combate às moléstias, contribuíndo para a longevidade do ser humano.

A produção de agentes da guerra química e bacteriológica somente é mencionada pelo imperialismo quando se trata de desencadear uma contra-propaganda e ofensiva guerreira de grande porte contra algum país, levantando "suspeitas" de que ele possui arsenais químicos e bacteriológicos. O pretexto serve tanto para invocar o acesso aos segredos de defesa de um Estado estrangeiro que se apresente insubmisso (situação que procura induzir a opinião mundial na tentativa de torná-la favorável a uma pronta intervenção militar), quanto se defender por antecipação às denúncias de que os USA e Inglaterra utilizaram amplamente agentes químicos no Iraque, em 1991, o que explicaria, por exemplo, o fato dos veteranos da curra no Golfo estarem proibidos pelo governo inglês de fazerem doações de sangue ou órgãos.

Tanto a infectividade (quantidade de agentes químicos ou biológicos necessária para se estabelecer no corpo humano e começar a se reproduzir), quanto a infecciosidade (grau de infecção e virulência), podem ser alteradas com técnicas que aceleram as mutações, tornando os agentes mais resistentes aos medicamentos. Os agentes bioquímicos tem a característica de serem os mais virulentos, enquanto que a guerra de agressão baseia-se no princípio de empregar aqueles inteiramente desconhecidos, tornando difícil, por muitos anos, concluir sobre a intervenção que leve à cura ou paliar efeitos nas vítimas. Sem dúvida, esse tipo de guerra é mais barata porque suas vítimas são encarregadas de reproduzir e disseminar doenças que contraem, é claro, contra a sua vontade, como também não destroem os meios de produção concentrados nas mãos do imperialismo, enquanto que humano, ético etc., é o nome que ele dá ao lucro máximo.



 
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