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Ano II, nº 17, março de 2004
Bolívia: Pacote econômico a ritmo de morenada | Bolívia: Pacote econômico a ritmo de morenada |
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| Pablo Saba Calero | |
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No dia primeiro de fevereiro deste ano — seguido de uma grande campanha especulativa dos meios de comunicação que divulgavam, de maneira apocalíptica, medidas de ajustes econômicos, como a abrupta retirada dos subsídios aos hidrocarbonetos ou a implantação de impostos aos salários — o presidente Carlos Mesa emitiu uma mensagem anunciando medidas econômicas tendentes a atenuar menos de um terço de 8,9% do PIB de déficit fiscal, o que demonstra estar o Estado boliviano praticamente na bancarrota. O pacote econômico foi exposto por Mesa de uma maneira muito hábil, fazendo reluzir sua vasta experiência como comunicador social, com a inédita revelação de certos dotes histriônicos desconhecidos. Tais dotes alcançaram certo impacto em algum setor ingênuo da população, vendo com bons olhos as medidas econômicas que, na realidade, somente constituem um aprofundamento das políticas pró-imperialistas e naturalmente beneficiam ao máximo uma parte da burguesia financeira e um reduzido setor da burguesia industrial. O imperialismo decide
Para começar, como não houve retirada dos subsídios aos hidrocarbonetos, estes subsídios serão congelados, enquanto o preço dos hidrocarbonetos flutuará sob os ditames da “mão invisível” do mercado internacional. Quer dizer, a elevação dos preços dos combustíveis para motor a explosão acontecerá por intermédio da modalidade denominada mini-desvalorização, que dependerá da especulação imperialista dos combustíveis. O empresariado formal manterá uma boa arrecadação, sendo afetado pelo tributo, como é o reiterado costume dos “empresários bolivianos” colocarem seus patrimônios em nome da empresa. De fato, o setor informal está representado pelo setor de transportes — na Bolívia se agrupa em sindicatos empresariais —, que emprega terceiros. Estes não recebem um único salário, muito menos benefícios sociais, clara lógica pré-capitalista, mas proporcionam ao proprietário do veículo um montante fixo que se desconta do total pago na jornada de trabalho.
Isto representa o porquê do setor de transporte ter convocado uma greve nos dias 10 e 11 de fevereiro em todo país. Greve que foi acatada de maneira unânime por este setor, mas sabotada pelo denominado transporte livre (táxis, rádio-táxis, trufis — como são chamados os automóveis que prestam serviço coletivo de transporte em La Paz), que, ao contar com máquinas que apenas contornam os 5 mil dólares, não são afetados por estes impostos. 1 A morenada é um baile tradicional da Bolívia. A diferença de outros, este tem sua origem nos escravos negros trazidos da Guiné, Angola e Congo durante a época da Colônia para realizar todo tipo de trabalhos, como o de “pisar as uvas” para a produção do vinho. 2 Revogação parcial de uma lei feita pelo governo competente. 3 Cidade de Oruro (capital do folclore da Bolívia) é a capital do departamento de mesmo nome. Encontra-se a 3.706 metros de altitude com 395.321 habitantes. 4 É como se denominam as bailarinas da “morenada”, dança típica boliviana, principalmente da zona altiplana da Bolívia. *Nota do Editor: Amoco – Hoje denomina-se BP Amoco, companhia inglesa resultante da fusão da British Petroleum, com a norte-americana American Oil Company. Transredes – Transportes de Hidrocarbonetos Sociedade Anônima, empresa boliviana formada em maio de 1997 e dedicada ao transporte de petróleo cru, GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) e gás por meio de uma rede de dutos. Repsol – Empresa petroleira espanhola. |
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| Nº 47, outubro de 2008 |
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