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Início arrow Anteriores arrow Ano I nº 1, julho/agosto de 2002 arrow CIOSL: o imperialismo dirige os sindicatos
CIOSL: o imperialismo dirige os sindicatos PDF Imprimir E-mail
José Maria Oliveira   

Os direitos da classe trabalhadora no Brasil estão sendo todos castrados pelas autoridades governamentais sob o silêncio obsequioso e, muitas vezes, como ativa cumplicidade, como é o caso da Força Sindical. Nenhum desses direitos foram doados aos trabalhadores. Nenhum! Todos foram conquistados com muitas lutas, a duras penas, tendo, inclusive, inúmeros trabalhadores, no campo e nas cidades, pagos com a própria vida as conquistas destes direitos!

Glória eterna a estes anônimos e formidáveis heróis que nunca traíram e negociaram seus ideais.

Até passado recente, antes das Centrais Sindicais brasileiras terem se filiado a Ciosl — Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (?), víamos a massa trabalhadora brasileira, juntamente com suas lideranças sindicais, lutando, ombro a ombro, pelas conquistas de seus direitos. Fica claro que nessa época já existiam os amarelos, traidores vendidos, mas eram a extrema minoria embora bastante ativos.

E hoje o que vemos?

Assistimos uma aristocracia sindical cínica, corrupta profissional, ocupando avidamente o aparelho burocrático de todas as centrais sindicais nacionais e da imensa maioria dos sindicatos, ganhando polpudos salários, até 10 vezes mais que ganhariam com seus salários profissionais, negociando vilmente os interesses dos associados dos sindicatos que dirigem e conciliando-os com os interesses dos patrões. Para não perder seus cargos, a aristocracia sindical tudo fará.

É importante notar que toda ela, absolutamente toda aristocracia operária, é oriunda e intimamente ligada aos podres, corruptos e enganadores partidos políticos, inclusive os que se dizem "de oposição" e que desavergonhosamente disputam as também podres e corruptas eleições burguesas, mantendo eternamente e co-honestando no poder, a nata da burguesia opressora e exploradora!

Sim! Essa aristocracia que está ocupando todo o aparelho sindical no país não tem o menor interesse em defender os direitos dos trabalhadores, conforme é orientação da CIOSL.

A meta é a conciliação de classe e, de quando em vez, uma pequena reivindicação economicista que não afete os interesses dos patrões. Enquanto isso, ela assiste alegre, dócil e passivamente, quando não ativa cúmplice, ao desmonte dos direitos tão duramente conquistados pelos trabalhadores através de mais de 100 anos de luta.

Para se entender melhor o que representa, como e para que foi criada a CIOSL, devemos nos voltar aos tempos da 2ª Guerra Mundial, durante a qual se estabeleceu uma estratégica aliança política militar entre as nações capitalistas, capitaneadas pela Inglaterra, América do Norte e França e a socialista União Soviética contra o nazi-fascismo e, no meio sindical, resultante da 2ª Conferência Mundial reunida em Paris, de 25 de setembro a 8 de outubro de 1945, foi fundada a FSM — Federação Sindical Mundial.

- "Pela primeira vez na história do movimento operário, uma verdadeira Internacional Sindical é organizada", disse na sessão inaugural o co-secretário geral da CGT francesa M. Benoit Franchon. (O Movimento Operário: O Sindicato, O Partido. Editora Vozes. José Cândido Filho — 1ª Edição, Pág. 99)

Por sua vez a Federação Católica, recebendo orientação do Vaticano, cúmplice que foi do fascismo, permaneceu observadora e depois se transformou na CISC — Confederação Internacional dos Sindicatos Cristãos.

Logo que começaram suas atividades, dentro da FSM se evidenciaram três tendências: Uma de esquerda , formada em torno dos sindicatos soviéticos e da maioria da CGT francesa; outra de direita , formada pela TUC — Trade Unions Congress — inglesa; e outra pretensamente de centro , capitaneada pelo CIO — Congresso das Organizações Industriais dos Estados Unidos, além da CGT italiana, da minoria da CGT francesa, e da CTAL — Confederação dos Trabalhadores da América Latina e sindicatos chineses.

Já em 1948 não existe mais o pretenso centro . Com a radicalização das posições, devido à deterioração das relações políticas entre o campo socialista e o imperialismo, isto é, a chamada Guerra Fria, os sindicatos chineses, a CTAL e as CGT italiana e francesa se juntaram à tendência de esquerda , enquanto o CIO e os sindicatos de Benelux e da Suíça se juntaram à de direita.


A meta é a conciliação de classe e,
de quando em vez, uma pequena reivindicação
economicista que não afete os interesses dos patrões.


 

Em 1949 ocorre uma cisão na FSM. Os sindicatos ianques, ingleses e holandeses se retiram da FSM.

A fim de congregar os sindicatos que haviam abandonado a FSM, foi fundada em 7 de dezembro de 1949, em Bruxelas, a CISL — Confederação Internacional dos Sindicatos Livres, cuja prática fundamental desde os primeiros momentos é o intransigente combate ao movimento comunista. Para os países latino-americanos, a CISL passa a se intitular CIOSL. A CISL mantém três organismos regionais: A ORAF — organização Regional Africana; a ORA — Organização Regional Asiática e a ORIT — Organização Regional Interamericana de Trabalhadores. Todas elas priorizando o combate ao movimento comunista, propugnando o economicismo e a conciliação de classes.

É esta CIOSL que, desde a década de 90, comanda todas as centrais sindicais nacionais como a CUT, a CGT e a FS, levando-as à conciliação de classes, aberta ou secretamente, em torno do anticomunismo no movimento dos trabalhadores, tanto no campo como nas cidades, além de apassivizá-las no desmonte dos direitos das classes trabalhadoras.

Conforme denúncias feitas pela própria CUT, em seu "Caderno de Formação n.º 2 — Centrais Sindicais no Brasil", e confirmado explicitamente nas suas atividades cotidianas: "A relação da CIOSL com os Partidos Sociais Democratas é bastante estreita. Apenas a título de curiosidade basta ver que o secretário-geral da CIOSL sempre assiste, em nome pessoal, às reuniões da Comissão Executiva da Internacional Socialista.

No mesmo "Caderno de Formação n.º 2 da CUT" continua: "A ORIT foi criada com a clara intenção de ser um instrumento na luta anticomunista no seio do movimento operário. E tem permanecido fiel a sua concepção original, apoiando, inclusive, vários golpes de Estado que instituíram ditaduras militares na América Latina, como em 1964 no Brasil".

Continuando, em seguida ainda textualmente: "Mas, durante o governo de Salvador Alende, foi clara a ação golpista da ORIT ao organizar campanhas contra a CUT chilena". Ainda mais: "A ORIT conta ainda com o apoio dos adidos trabalhistas das embaixadas norte-americanas e do Iadesil — Instituto Americano de Desenvolvimento do Sindicalismo Livre, fundado em 1961, pelos Estados Unidos. O Iadesil é uma instituição de treinamento e doutrinação que difunde a visão da CIOSL na América Latina, que procura limitar a ação sindical apenas no campo econômico. Busca a desejável harmonia nas relações industriais e combate a luta de classes. Desenvolve cursos em Porto Rico e nos Estados Unidos, tendo formado milhares de dirigentes sindicais brasileiros". E termina, segundo consta no livro O sindicalismo Americano e a CIA: "A ORIT é financiada também pela própria CIA". (Caderno de Formação, n.º 2, CUT. Páginas 12 e 13).

Pergunta-se: Por que, depois de fazer todos estas denúncias, ela própria, a CUT, se filia a CIOSL?

O que há por traz de tudo isto?

Não é à toa, não nasceu do nada, as não suspeitadas passividades dessa aristocracia sindical.

Tudo isso faz nascer duas novas perguntas:

Por que não se rebelam os trabalhadores?

Já não é tempo para isto?

 
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