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Início arrow Anteriores arrow Ano I, nº 8, abril de 2003 arrow Caminho de Bagdá: O cadafalso dos bandidos imperialistas
Caminho de Bagdá: O cadafalso dos bandidos imperialistas PDF Imprimir E-mail

Às 5h30, hora de Bagdá, de 29 de março as hordas anglo-ianques iniciam os bombardeios sobre o povo iraquiano, o que anunciam tratar-se do início da segunda guerra contra o Iraque.

A pretexto de que é imprescindível destituir o presidente Saddam Hussein — aquele que se recusa a colaborar, oprime seu povo e representa um imenso perigo para as nações — é perfeitamente legal fazer desabar sobre as cidades do Iraque toneladas de mísseis, assim como mera coincidência é o fato desses artefatos atingirem pontos de aglomerações de civis, destruindo centenas de vidas. Ávida de espetáculos de morticínio, a imprensa do imperialismo mundial segue exibindo cadáveres e escombros de mercados, escolas, hospitais e casas. Tudo se transformou em alvo, inclusive a casa onde viviam a esposa e as filhas do presidente — também comandante-em-chefe das forças armadas iraquianas. Às vítimas cabe qualificar de terroristas, e não a coalizão imperialista, afirmam as redes televisivas e os jornais.

Além da população civil, igualmente são atingidos pelos "mísseis inteligentes" os próprios territórios e posições aliadas, distantes milhares de quilômetros dos alvos originais.

A coalizão imperialista não pode voltar atrás

Há meses (desde quando o massacre era uma ameaça), nas ruas de todos os Continentes os povos vêm protestando contra a agressão imperialista. Indiferentes aos seus clamores — até mesmo aos bem comportados protestos saídos dos fóruns internacionais da social-democracia — as frações das classes mais reacionárias da Inglaterra e, principalmente, do USA, a ninguém ouvem. Dividem o botim, decidem quem governará, como será a economia do Iraque, e seguem lançando ameaças aos outros países.

A coalizão capitaneada pelo USA atormentou o Iraque meses a fio. Expediu ordens à ONU para que inspetores espionassem os arsenais militares, sob a acusação daquele país dispor de armas de "extermínio em massa" (nunca encontradas), e impuseram ao exército iraquiano a diminuição do alcance de suas armas de defesa — até se certificarem que, tecnicamente, o exército daquele país não disporia de um único engenho capaz de resistir às agressões. Finalmente, sentiram-se encorajados a inaugurar a sua grande feira de armamentos e a temporada de exibições de técnicas para o genocídio.

Altas e baixas na Bolsa em diversos países podem servir de fundamento, menos para alegar imparcialidade. O Estado turco, caso envie soldados contra o Iraque, estará desguarnecido porque, naquele país, os revolucionários ampliarão rapidamente suas bases de apoio. O governo espanhol é a favor, mas antes fosse contra. O papa lamenta. Também deplora os acontecimentos aquele que foi eleito presidente, mas que prefere ser operário padrão do FMI. Dos membros da Comissão de Segurança da ONU, os mais importantes declinam do convite à grande rapina. O "democrático" Estado francês recusa-se a fornecer doações à coalizão, alegando ter grandes problemas de administração em suas colônias, já que uma revolução se alastra pela Costa do Marfim e em outras áreas africanas colonizadas pela França. A Alemanha critica. A Rússia menciona haver problemas em seus escritórios e fábricas, enquanto a China, até hoje assoberbada, tendo que assassinar maoístas todos os meses, da mesma forma condena os ataques ao Iraque. O primeiro-ministro inglês está na iminência de perder o emprego. Os "falcões" encontram-se em apuros e sofrem reprimendas mais pesadas no USA.

A reversão das expectativas

Até o momento, não aconteceram as deserções esperadas no oficialato do Iraque e nenhuma quinta-coluna revelou competência para apunhalar o povo iraquiano. A guerra, que terminaria em poucos dias, teve o prazo de conclusão dilatado, avisam desconsolados os centuriões.

Surgiram problemas técnicos. Inicialmente, os superpotentes mísseis Tomahawk que inutilizam sistemas de radar, outros que colhem amostras de ar, tanques com quatro blindagens e autonomia de centenas de quilômetros, etc., não podem entrar em ação contra um exército que absolutamente não faz parte do clube dos grandes.

Despreparados para uma guerra de sofisticação sem precedentes, camponeses acabaram derrubando Apaches Longbow, helicópteros militares de última geração, capazes de alvejar 16 tanques ao mesmo tempo. A ONU se esqueceu de acrescentar à lista de proibições a participação de trabalhadores na resistência que, por sinal, usam fuzis antiquados — mais uma prova de que a guerrilha iraquiana vem adotando atitudes francamente desleais. Também o terreno não é dos melhores e tempestades de areia atingem apenas uma parte dos contendores.

O enxoval de cada soldado ianque comporta vários uniformes, além de diversos apetrechos, entre dúzias de armas como bazucas que lançam bombas termobáricas (penetram em esconderijos subterrâneos), fuzis-metralhadoras e pistolas com sensores. Portam também celulares; microfones; aviõezinhos que saem de suas mochilas para transmitir imagens; capacetes que finalmente se assemelham ao modelo nazista, embora ampliado e mais reforçado, como no filme Guerra nas Estrelas; máscaras; supermunição; superalimentação. Tudo capaz de responder com aproveitamento o aprimorado adestramento que os tornam irascíveis à primeira ordem de comando, etc., etc. Em suma, cada "robocó" desses é uma máquina com tal poder de destruição que, uma vez acionado, um mínimo descuido será suficiente para causar baixas à sua própria coluna. Quanto aos equipamentos que os trazem de volta (como sacos plásticos, e mesmo os ataúdes), não há registros divulgados que revelem maiores sofisticações.

Quem atirou primeiro ?

A supremacia técnica não decide tudo, porém as massas, essas tudo podem. Sempre que o modo de produção se torna decadente, em qualquer época, a técnica é reprimida e passa a servir ao atraso, chegando a se tornar uma ameaça para a sociedade. O que é a técnica nas mãos das grandes corporações privadas, senão um conjunto de procedimentos e destreza de exploração dos povos, de coação, a serviço do regime da ignorância e da bestialidade? Como pode um bando de assassinos ser mais hábil que um povo inteiro? Todo esse equipamento e técnica, dos quais o militarismo ianque não pode se livrar, tendem a se tornar um estorvo para ele próprio. A cada vítima que produz, o imperialismo aprofunda seus estertores.

O USA nunca renunciou aos ataques contra o Iraque com ações ofensivas intermitentes — mesmo depois do "cessar fogo", em 7 de abril de 1991, quando o imperialismo ianque, a Inglaterra e a França, dirigidas pelo USA mandaram que a ONU efetuasse o bloqueio econômico ao povo iraquiano, que ela declarasse áreas de exclusão terrestre e aérea uma parte considerável do Iraque, ao norte do paralelo 36.

Os imperialistas sempre aplicaram políticas definidas em encíclicas macabras, que definem estratégias de extermínio e dominação dos povos mundiais.

Em 1991, a ONU decretou o cessar fogo impondo ao Iraque os termos da resolução 687, através da qual Bagdá abdicou do uso de armas de longo alcance para a sua defesa. Ainda assim, a ONU forçou o país a aplicar parte considerável da receita obtida pelo seu petróleo nas obras de reconstrução, direcionando e limitando as atividades econômicas do Iraque, ao invés de exigir do imperialismo ianque que pagasse à vítima indenizações de guerra. Por fim, os bandidos imperialistas cuidaram de manter cerrada censura nos meios de comunicação.

Em 27 de agosto de 1992 a coligação anglo-ianque instaura uma segunda zona de exclusão aérea, dessa vez ao sul do paralelo 32, proibindo aos iraquianos transitarem ao norte e ao sul de seu próprio país, exclusão que vale apenas para o Iraque. Em 4 de setembro de 1996, inesperadamente, o USA lança duas salvas de mísseis contra os iraquianos. O presidente Saddam Hussein ordena que suas forças abatam todos os intrusos que penetrem na zona de exclusão aérea. No dia 10 de dezembro de 1996, entra em vigor o vergonhoso programa da ONU, Petróleo contra Alimentos, que permite ao Iraque exportar a cada semestre um máximo de dois milhões de dólares de petróleo destinados a suprir em "alimentos e medicamentos sua população". Em 25 de março de 1999, a OTAN dá início ao esquartejamento da Iugoslávia com "bombardeios humanitários" pela estabilidade dos Bálcãs, e à guerra lucrativa, ocupando os povos com questões "nacionais", étnicas, etc., para vencer qualquer resistência revolucionária.

Quando o Iraque proibiu as inspeções da ONU dirigidas pelo ianque Scott Rutter, acusado de espionagem, uma série de intensos ataques aéreos se voltou contra o país durante três dias, operação que a imprensa pró-ianque batizou com o nome afeminado de "raposa do deserto". Em 3 de abril de 2001, o Iraque denuncia que 1.471.425 pessoas morreram depois de agosto de 1990 em consequência das sanções impostas pela ONU.

Em 15 de outubro de 2002, Saddam Hussein recebe 90% de votos num referendo que prolongava o seu mandato.

Houvesse provas de que o governo do presidente Saddam estivesse vinculado ao atentado às torres gêmeas, em 2001, o massacre do Iraque, ainda assim, representaria uma interminável e injustificável vingança.

De fato, não é possível elucidar os crimes do USA analisando fatos isolados, senão o seu comportamento tradicional, as razões historicamente cristalizadas pelo modo de produção que procura desastrosamente manter. Todavia, as maquinações ianques para expandir seus domínios, uma a uma, vêm sendo descobertas.

Dos assassinatos de autoridades progressistas, composições de governos colaboracionistas, às oportunidades para embates de maior envergadura e expropriações territoriais, tudo vêm à tona a seu tempo. Carlos O. Suárez, autor de Justiça Infinita, relata uma sucessão de provocações desde os incidentes do Golfo de Tonkin, em 1964, quando somente quatro anos após ter o Congresso ianque aprovado o bombardeio ao Vietnam do Norte, se deu conta que tudo não passara de uma operação em que lanchas ianques torpedearam seus próprios navios, assassinaram seus compatriotas para obter o consentimento de fazer guerra ao Vietnam. No episódio de Pearl Harbor foram sacrificados militares ianques por ordem do comando em Washington, comprovou-se mais tarde, porque as altas esferas militares também confessaram estar informadas do mês, dia e local em que ocorreria o bombardeio japonês, mas interessava o acontecimento para a deflagração da guerra contra o Japão — mesmo que economicamente ele estivesse nas mãos do USA. A contaminação provocada pelo Antraz é de autoria de grupos diretamente ligados ao governo do USA, provaram definitivamente os cientistas estadunidenses, o que aproximou ainda mais o mundo das provas de que o governo ianque acionara a destruição dos dois prédios no 11 de setembro e o ataque ao Pentágono.



 
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