| Coluna do Assis Ângelo |
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De santos e loucuras do coração
Fórum de forróAcabo de voltar de Aracaju, onde estive participando como palestrante, do 3º Fórum de Forró promovido pela Fundação de Cultura do Estado. Esse evento existe há três anos. O primeiro homenageou o rei do baião, Luiz Gonzaga. O segundo, o rei do ritmo, Jackson do Pandeiro, e o terceiro — que terminou no dia 30 do mês passado -, prestou homenagens à rainha do xaxado, Marinês, uma das mais expressivas vozes do nordeste. Marinês é filha de um ex-cangaceiro do bando de Lampião, Manoel Caetano de Oliveira; tem dois filhos e muitos discos gravados. O tema que me coube falar foi "O Papel do Rádio e da TV na Divulgação e Preservação do Forró", na noite de 28, no Teatro Atheneu. Antônio Barros & Cecéu, Zé Calixto, Silvério Pessoa, Adelzon Alves e eu trouxemos debaixo do braço o Troféu Gérson Filho. Gérson foi um grande sanfoneiro de oito baixos, já sumido entre nós. No próximo dia 15 serão abertas as inscrições para o 1º Festival de Música do Brasil. Os interessados podem mandar seus trabalhos para o seguinte endereço: av. ACM 2.501/conj. 1226, Candeal; Cep. 40.280-000, Salvador-BA. As inscrições se estenderão até o último dia de agosto. De livros e de discos
Casimiro de Abreu, de quem, aliás, gravei há dois anos o belíssimo poema Deus, escrevia rimas cantantes, tocantes, marcantes, de singeleza invulgar. É um clássico, como o paraibano Augusto dos Anjos, que também escreveu só um livro (Eu, de 1912, bancado por ele próprio) e morreu de... tuberculose, chamada em priscas eras de "doença de poeta"; e, não à toa e nem por acaso, foram muitos os que a danada levou. Alguns versos de Casimiro caíram na boca do povo, como este "simpatia é quase amor", que dá nome a um bloco carnavalesco do Rio de Janeiro. Pela mesma coleção (Poetas do Brasil) em que se encaixou Casimiro de Abreu, outros grandes nomes já foram publicados: Olavo Bilac, Luiz Gama, Gonçalves Dias, Castro Alves, entre outros. Outro belo livro da Martins é Batuque, Samba e Macumba, Estudo de Gesto e de Ritmo 1926-1934, de Cecília Meireles, há muito fora de catálogo. Esse livro, originalmente publicado em 1935, é resultante de uma série de palestras que a autora fez quando pela primeira vez esteve em Lisboa, Portugal, em 1934. Do mesmo período, e fora do mercado, é Notícia da Poesia Brasileira, também resultante de palestra da autora em terras lusas. Cecília, que correu o mundo enquanto pode (viajou pelos Estados Unidos e Europa, Israel, Índia, México, Porto Rico) nasceu no Rio de Janeiro, em 1901 e morreu em 1964. O legado poético que nos deixou é extenso. Detalhe: as aquarelas que ilustram Batuque, Samba e Macumba são da própria autora, feitas para melhor expressar aos portugueses a visão que tinha da nossa cultura popular. Curiosidade: Cecília gostava de declamar seus poemas, tanto que deixou registro desse seu gosto em discos, hoje raríssimos. Bons discos estão chegando à praça: Zé Mulato & Cassiano, Orquestra Paulistana de Viola Caipira, Cantoria Brasileira, Asa Branca Blues. O novo disco da dupla Zé Mulato & Cassiano, Sangue Novo, é o terceiro de uma carreira brilhante. Mulato e Cassiano são da linhagem de Tião Carreiro & Pardinho, Tonico & Tinoco, Pena Branca & Xavantinho, Rolando Boldrin, Braz da Viola, Renato Andrade, Roberto Corrêa, Paulo Freire. São dos bons. Entre os ritmos apresentados em Sangue Novo podem se achar batuque, toada, cururu e, claro, moda de viola pra ninguém de bom juízo botar defeito. A fatura é da, insistente, em bom gosto e qualidade, Kuarup, que para o próximo mês promete pôr na praça mais um disco do cantador de Alto Belo Téo Azevedo, em comemoração aos 60 anos do artista que se proclama matuto". Duas apresentações no centenário Theatro São Pedro, de São Paulo, foram suficientes para que a Orquestra Paulistana de Viola Caipira, regida pelo maestro Rui Torneze, deixasse gravada para a posteridade um dos melhores discos do gênero. Até a moda Disparada, da dupla Geraldo Vandré & Théo de Barros, entrou no repertório. Entre os ritmos, o corta-jaca e a folia de reis. Cortajaca é um tipo de dança outrora comum na zona rural. A maestrina carioca Chiquinha Gonzaga cultivou esse gênero por bom tempo. O baiano Ruy Barbosa o detestava... mas dizer o quê de alguém que destruiu boa parte dos documentos referentes à escravidão no Brasil? Folia de reis é canto e dança de origem portuguesa, ainda cultuada em todo o interior do País. As folias saem em dezembro, para comemorar o nascimento de Cristo. Também da Kuarup. Da mesma Kuarup, do valente Mário de Aritana, são os discos Cantoria Brasileira, com Elomar, Pena Branca, Renato Teixeira, Teca Calazans e Xangai (gravado ao vivo, no Canecão) e Asa Branca Blues, de Oswaldinho do Acordeon, filho do legendário baiano Pedro Sertanejo. |
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| Nº 49, janeiro de 2009 |
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Nação do Solde Rui NogueiraNeste livro os moradores de uma vila resolveram discutir aspectos do ser brasileiro. Somos ou não um país rico? Permaneceremos país do futuro? O que existe no Brasil que o transforma na Nação do século XXI? Porque os países hegemônicos estão ameaçados de desabar? Como enfrentarão as questões energética e ecológica. Nisto reside a grandeza do Brasil. Nação do Sol que você ajuda a construir. |