| Doutrina Bush: a face monstruosa do fascismo |
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Página 1 de 2 Divulgamos neste artigo trechos do documento "Estratégia de Segurança Nacional dos EUA", elaborado pela administração George W. Bush e divulgado no último 20 de setembro. O documento é uma declaração de guerra aos povos. É o Império vociferando. É o rosto monstruoso do fascismo se revelando. Proclama-se acima de todas as nações e povos do mundo, outorga-se o direito de atacar unilateralmente todos que se oponham aos seus ditames, ameaça as demais potências imperialistas, não reconhece qualquer vestígio de soberania aos países e povos oprimidos.
A crise colossal que sucumbe a economia ianque não lhe deixa outro caminho que não seja tentar submeter militarmente todos os povos e países do mundo aos seus ditames imperiais. Os ianques rufam os tambores da III Guerra Mundial. Com a guerra imperialista, Bush, assim como Hitler e seu Reich de Mil Anos, sonha com império mundial infinito, em submeter todas as outras potências imperialistas, sonha em transformar todos os países em colônias suas. A história do último século confirma que para despejar todo o peso da crise nas costas das massas trabalhadoras, as potências imperialistas necessitam do fascismo. Para resolver o problema dos mercados mediante a escravização dos povos débeis, mediante o aumento da opressão colonial e uma nova partilha do mundo pela via da guerra, necessitam do fascismo. "O fascismo em política exterior é o chauvinismo em sua forma mais brutal, que cultiva um ódio bestial contra os demais povos"; "a subida do fascismo ao poder não é uma simples troca de governo burguês por outro, senão a substituição de uma forma estatal da dominação da burguesia –a democracia burguesa — por outra, pela ditadura terrorista aberta" são brilhantes sínteses elaboradas pelo revolucionário búlgaro Jorge Dimitrov que participou ativamente das lutas antifascistas que levaram ao fracasso os planos de Hitler. Denunciar os planos fascistas de guerra dos ianques, lutar contra os governos lacaios, desmascarar os oportunistas que propõem no movimento popular o apaziguamento com os imperialistas são as tarefas urgentes e atuais. O imperialismo como fase superior e última do capitalismo é por isso mesmo a época da sua crise geral. O século XXI prenuncia-se como o século onde o imperialismo será varrido da face da terra pelo tufão da luta popular revolucionária. Já em 1998, em documento da alta cúpula da Otan, afirmava que o século XXI será "o século das insurreições"; "isto não é necessariamente o que prevíamos, mas um século de insurreições que já iniciaram. Os trinta primeiros anos do século 21 serão um período de sublevações revolucionárias". A atenção e independência na leitura deste documento, que condensa a chamada Doutrina Bush — assim como dos Documentos de Santa Fé — faz saltar aos olhos as mãos sinistras da cúpula do Império (Pentágono, Departamento de Estado, CIA, etc.) nos acontecimentos de 11 de setembro. Eles eram indispensáveis para colocar em marcha os planos meticulosamente elaborados pelos altos círculos dos monopólios ianques (complexos industrial-militar e petrolífero, principalmente) representados pela administração Bush. Da mesma forma que vêm a calhar, num momento de isolamento internacional, os recentes eventos como o ataque ao petroleiro francês, os atentados a bomba em Bali (Indonésia) e nas Filipinas, e o seqüestro de centenas de pessoas no teatro em Moscou por "rebeldes" tchetchenos. O jornal norte-americano The New York Times, em matéria que noticiava a divulgação deste documento, registrou que "um alto funcionário da Casa Branca disse que Bush editou o documento extensamente ‘porque achou que havia seções em que soávamos arrogantes'." Se este texto é o melhorado, imaginem o original. A Estratégia de Segurança Nacional dos EUA (trechos)Introdução Os Estados Unidos responsabilizarão aqueles países comprometidos com o terrorismo, inclusive aqueles que dão refúgio a terroristas — porque os aliados do terrorismo são inimigos da civilização. Os Estados Unidos e os países que cooperam conosco não devem permitir aos terroristas estabelecer novas bases de operações. Juntos, buscaremos negar abrigo aos terroristas sempre. (...) Os Estados Unidos não permitirão que estas gestões tenham êxito. Construiremos defesas contra mísseis balísticos e outras formas de propagação. Cooperaremos com outros países para negar, limitar e reduzir os esforços de nossos inimigos para adquirir tecnologias perigosas. E, como uma questão de senso comum e de autodefesa, os Estados Unidos atuarão contra essas ameaças em surgimento antes de que elas se concretizem. (...) A liberdade é uma demanda inegociável da dignidade humana; o direito natural de toda pessoa — em qualquer civilização. Através da história, a liberdade se tem visto ameaçada pela guerra e pelo terrorismo; tem sido desafiada pelas vontades conflitivas de estados poderosos e pelos propósitos malvados de tiranos; e tem sido posta à prova pela pobreza e as enfermidades que se propagam. Hoje, a humanidade tem em suas mãos a oportunidade de fazer que a liberdade triunfe sobre todos estes inimigos. Os Estados Unidos acolhem com prazer nossa responsabilidade nesta grande missão. I. Panorama Geral da Estratégia Internacional de EUA A causa de nossa nação tem sido sempre maior que a defesa de nossa nação. Lutamos, como lutaremos sempre, por uma paz justa — uma paz que favoreça a liberdade. Defendere-mos a paz das ameaças de terroristas e tiranos. Preservaremos a paz ao criar boas relações entre as grandes potências. E propagaremos a paz ao alentar as sociedades livres e abertas de todos os continentes. (...) Os Estados Unidos possuem no mundo poder e influência sem precedentes — e sem igual. Esta posição, sustentada pela fé nos princípios de liberdade e pelo valor de uma sociedade livre, vem acompanhada de responsabilidades, obrigações e oportunidades sem precedentes. Deve-se usar a grande força desta nação para promover um equilíbrio de poder que favoreça a liberdade. (...) Este é também um momento de oportunidade para os Estados Unidos. Atuaremos para converter este momento de influência em décadas de paz, prosperidade e liberdade. A estratégia de segurança nacional dos EUA se baseará num internacionalismo inconfundivelmente norte-americano que reflita a união de nossos valores e nossos interesses nacionais. A meta desta estratégia e ajudar a que o mundo não seja somente mais seguro senão também melhor. Nossas metas no caminho para o progresso são claras: liberdade política e econômica, relações pacíficas com outros países e respeito à dignidade humana. II. Os Estados Unidos se erigirão em paladino dos sonhos da dignidade humana Para conseguir nossos objetivos, nosso primeiro imperativo é explicar claramente qual é nossa posição: Os Estados Unidos devem defender a liberdade e a justiça porque estes princípios são justos e verdadeiros para as pessoas em todas as partes. Nenhuma nação é dona destes sonhos, e nenhuma nação está isenta deles. Como resultado, os Estados Unidos não são somente uma sociedade mais forte, senão uma sociedade mais livre e mais justa. III. Os Estados Unidos fortalecerão as alianças para derrotar o terrorismo mundial e atuará para prevenir os ataques contra nós e nossos amigos A somente três dias destes acontecimentos, os estadunidenses ainda não têm a perspectiva da história. Porém, nossa responsabilidade com a história já está claramente definida: responder a estes ataques e livrar o mundo do mal. Nos fizeram a guerra com sigilo, o engano e a morte aleivosa traiçoeira. Esta é uma nação pacífica, porém temível quando se provoca sua ira. O conflito começou no momento e nas condições decididos por outros. Terminará na forma e na hora de nossa escolha. (...) Acossaremos e destruiremos as organizações terroristas mediante a ação direta e contínua, na qual utilizaremos todos os elementos do poder nacional e internacional. Nosso objetivo imediato será atacar as organizações terroristas de alcance mundial ou a todo terrorista ou estado patrocinador do terrorismo que tente adquirir ou utilizar armas de destruição em grande escala ou seus precursores, e defender os Estados Unidos, o povo estadunidense e nossos interesses dentro e fora do país, mediante a identificação e destruição da ameaça antes que chegue a nossas fronteiras. Se bem os Estados Unidos tratarão constantemente de obter o apoio da comunidade internacional, não vacilaremos em atuar sozinhos, caso seja necessário, para exercer nosso legítimo direito à defesa própria, com medidas preventivas contra esses terroristas, a fim de impedi-los de causar danos a nosso povo e a nosso país; e privar os terroristas de novo patrocínio, apoio e refúgio seguro, convencendo ou obrigando os estados a aceitar suas responsabilidades soberanas. IV. Colaborar com outros para desativar os conflitos regionais Algumas partes da América Latina enfrentam conflito regional, em particular o derivado da violência dos cartéis de drogas e seus cúmplices. Este conflito e o tráfico de narcóticos sem restrições podem por em perigo a saúde e a segurança dos EUA. Portanto, formulamos uma estratégia ativa para ajudar os países andinos a ajustar suas economias, fazer cumprir suas leis, derrotar as organizações terroristas e cortar o abastecimento de drogas, enquanto tratamos de levar a cabo a tarefa, igualmente importante, de reduzir a demanda de drogas em nosso próprio país.
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| Nº 47, outubro de 2008 |
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