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Início arrow Anteriores arrow Ano I nº 2, setembro de 2002 arrow Editorial - ...e porque há um mundo novo
Editorial - ...e porque há um mundo novo PDF Imprimir E-mail

Foi durante a administração dos Fernandos I e II que a Marinha Mercante brasileira passou a vazar água, até hoje. Sobre a heróica resistência à ação destruidora do patrimônio e à traição nacional, muitos detalhes aparecem nesta edição.

A poucos meses da substituição de gerente geral, os candidatos megapelegos disputam as simpatias da metrópole com mais zelo do que quando buscam angariar o voto popular. Dizem sim ao Acordo (que acordo?) segredado junto ao FMI, atestam que de bom grado cumprirão suas ordens, como acontece agora. E tratam de tornar pública essa obediência, com pronunciamentos solenes e tudo o mais que exigem as boas graças do império.

A dívida externa atinge o nível de 200 bilhões de dólares. O Fundo Monetário governa o Brasil, em cada gesto que esboça, em cada registro contábil, em cada operação mercantil e financeira., confessa o governo. Ele empresta dinheiro a si próprio, exige reembolso daquilo que o país, em hipótese alguma, lhe deve. Sob as novas políticas públicas nativas, ficam apenas as contribuições, a cobrança de impostos, de pedágios, a arrecadação de taxas e juros, além da repressão. E tanto mais o imperialismo acumula às custas dos povos, mais se enfraquece, e mais guerras deflagra.

A administração do império se resume agora ao saque e à pirataria, à rapina e aos depojos. Não há mais “boa vizinhança”, mas severa advertência aos vizinhos, “exercícios” militares constantes e caça aos insurgentes, tudoem território alheio. Os centuriões fincam bases em qualquer país da América Latina, se apoderam das reservas de matéria-prima sem contendas, estendem seus sistemas de escuta, de imagem vigilante, se apropriam dos últimos bens materiais e culturais dos povos que dominam, falsificam a História, a moeda corrente, a moral, o direito, a ciência.

Porém as massas se erguem, ao tempo em que expulsam o oportunismo de suas fileiras. Retomam a terra e, do chão camponês, expulsam as relações atrasadas. Mais do que tudo, a História revela as provas cabais de que o povo pode e deve governar, trabalhar para si, transformar o mundo e soterrar as relações de exploração.

Na frente cultural, as massas clamam por conhecimentos novos, antiimperialistas e de afirmações concretas, que as empolguem na luta por uma nova cultura, uma nova economia, uma nova política, porque já é hora dos que vivem por suas próprias mãos, remover o semifeudalismo, o capital burocrático e o imperialismo de seu caminho, e erguer neste país, e nessa América, sua inconfundível democracia.

 

 
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