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Ano II, nº 16, janeiro de 2004
Editorial - A família que diverge unida | Editorial - A família que diverge unida |
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Impossível pretender que o Partido dos Trabalhadores (PT) seja, ou tenha sido, em algum momento partido de esquerda, em especial, partido revolucionário. Essa constatação, tão antiga quanto a fundação do PT, é para a sua direção, hoje, um elogio. A falsa esquerda — esse ecumenismo de dirigentes do revisionismo contemporâneo, do ressuscitado trotskismo, da sobrevivente social-democracia, e toda a sorte de convertidos e assimiladores nativos das teorias da subjugação nacional — tem no PT que erigiram um modelo do qual não conseguem se livrar. O PT exerce um papel protagônico na falsa esquerda pela simples razão de que ele, entre outras coisas, é um partido estatal e não apenas eleitoreiro. É certo que se faz acompanhar de outros, nessas condições, mas seu status cresceu enormemente, a ponto de deter a hegemonia entre os demais partidos parlamentares. O PT alcançou a graça a que fez jus. Os que conduziram essa rede (PT, CUT, MST, etc.) foram os mesmos que deflagraram campanhas contra as frentes de oposição à irmandade imperialista, latifundiária e burocrática, dirigiram a luta econômica pelos caminhos das negociações mínimas, tornaram administráveis as greves, criaram uma “oposição sindical” para guindar outros pelegos às diretorias. Essa mesma rede articulou a filiação da Central Única dos Trabalhadores à Ciols, reinventou a denominação de sem-terra, retirando o caráter de classe do movimento camponês.
Surpreendem-se as direções dissidentes quando a nova gerência firma acordos com o FMI, prossegue as negociações com a Alca “contrariando o plebiscito popular”, aprofunda o arrocho salarial e elimina direitos como os da Previdência, etc., etc. IIAs direções dissidentes, sem exceção, falam de constituir um novo partido resgatando “muitos pontos dos programas originais petistas”, bandeiras “anticapitalistas e antiimperialistas”.
Na Plataforma Política do movimento pelo PT, em 1979, havia entre os pontos fundamentais o que invocava a erradicação dos “latifúndios improdutivos”. Mas não queria erradicar coisa alguma. Nada revelava disposição para modificar as relações sociais de produção no campo, de passar às mãos dos camponeses os grandes meios de produção, exceto a tal propriedade “improdutiva”. A expressão agregada a latifúndios é pura adulteração de conceitos. A questão é: extinção do latifúndio! |
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| Nº 47, outubro de 2008 |
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