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Ano VI, nº 40, fevereiro de 2008
Editorial - A real dimensão da crise | Editorial - A real dimensão da crise |
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Estima-se que 20 trilhões de dólares (ou quase um terço do PIB mundial, de aproximadamente 66 trilhões, em 2006, segundo o FMI) serão torrados nessa crise do imperialismo. Dinheiro sem lastro, fictício e especulativo que só serve para arrancar às colônias e semicolônias o sangue de seus trabalhadores. Os analistas burgueses, na tarefa de encobrir a realidade, insistem em atribuir às crises do capital causas externas. Para tal, chegam mesmo a utilizar escândalos financeiros, como o recente caso do banco francês Societé Générale, anunciado como operação fraudulenta de um executivo. Na verdade, são manobras contábeis utilizadas para encobrir a alta jogatina do sistema financeiro mundial e a crise que engendra. As causas dessas crises, porém, estão determinadas pelas contradições internas do capital, que, sendo insolúveis nos seus próprios marcos, só podem ser empurradas adiante.
De um momento para outro os "investimentos" se esfumam e o "crescimento" e o "desenvolvimento" cacarejado e alentado principalmente pelos oportunistas se revelam aos olhos das massas como uma grande fantasia. Sendo o maior importador do mundo, é evidente que uma crise no USA afetará as economias de todos os países que fazem comércio com a metrópole. E mais, sendo esta uma crise de todo sistema imperialista (países capitalistas desenvolvidos e colônias e semicolônias), é impossível imaginar que este ou aquele país dominado não será afetado por ela. As agências do sistema financeiro já se apressam em revisar os índices de "crescimento" dos grupos de países na tentativa de reorientar o fluxo de capitais e minimizar suas perdas. O déficit na balança comercial ianque é tão gigantesco que não admira que os próprios financistas daquele país não tenham recursos para tirar seus bancos da tal crise das hipotecas — que é apenas a ponta do iceberg da crise do imperialismo. Os maiores bancos do USA e da Europa recebem socorro dos capitais de seus principais credores: Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes, Singapura, Coréia do Sul, China... capitais profundamente interessados em que o sistema financeiro imperialista não se desmorone, arrastando junto todas as frações das burguesias nativas serviçais do imperialismo nas semicolônias. E o que disso tudo corresponde às massas? As massas receberão, como sempre, os mais pesados fardos, as mais pioradas condições de existência, a miséria, a fome. Assim foi nas últimas crises e assim será enquanto o imperialismo reinar sobre os povos. Acossadas e ameaçadas, as potências aumentarão o saque sobre as nações oprimidas, suas classes dominantes aprofundarão a exploração sobre os trabalhadores do campo e da cidade, para salvar o sistema e a si próprias. Inevitavelmente incrementarão ainda mais a repressão sobre as massas em vias de se rebelar nos quatro cantos do planeta e empurradas para a rebelião pela própria crise de superprodução relativa, quando abundam as mercadorias, enquanto milhões morrem de fome e, agora, até de sede. Mas brilhantes são as perspectivas para as massas. Os planos imperialistas fracassam invariavelmente; derrotas são infligidas diariamente ao seu poderio militar pela heróica resistência iraquiana, que impede o domínio sobre importantes fontes de petróleo, vital para a sustentação do imperialismo atualmente. A mesma crise que esmaga os trabalhadores atiça e potencializa a resistência popular. IINo Pará, onde os bravos trabalhadores da terra foram humilhados, torturados e encarcerados pela gerência estadual de Ana Júlia Carepa, do PT, a serviço dos latifundiários escravocratas, grande mobilização libertou os camponeses e desmascarou a chamada operação "Paz no Campo". Todas as tentativas para isolar e classificar como criminosos os camponeses foram feitas, visando retirar todo o conteúdo popular e condená-los ao ostracismo. Editoriais e artigos raivosos se multiplicaram nos mais reacionários meios de comunicação, mas não contavam com a grande simpatia que a causa camponesa já despertou entre os setores democráticos da sociedade. Grande foi o apoio da população de todo o estado do Pará. Comerciantes da região onde abateu a repressão, que já sentiam as cidades pulsando de progresso, ajudaram como puderam. Várias emissoras de rádio abriram seus microfones aos camponeses e advogados, até de São Paulo, se ofereceram para defender e tirar da prisão os trabalhadores encarcerados.
A farsa foi desmontada numa grande audiência pública que lotou a sede da OAB de Redenção. Lá, os camponeses não se amedrontaram com os chefes das polícias que os tentavam intimidar; relataram todas as sevícias com dignidade e revelaram a decisão de voltar para a terra, a mesma fazenda Forkilha que deverá, finalmente, ser libertada das garras dos latifundiários e suas organizações fascistas. E assim, todos os latifúndios do Brasil devem ter o mesmo destino.
Ao lado disso o gerenciamento do oportunismo, alardeando uma "reforma agrária de qualidade", exibe números de milhares de famílias "assentadas". Só não revela que estas são enviadas e instaladas nas regiões mais isoladas e inóspitas no centro do Pará, o que provoca imediata venda dos lotes pelos "assentados" a compradores sempre disponíveis. Nada mais que artifícios para legalizar a apropriação de terras por grandes madeireiros e criadores de gado. |
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| Nº 47, outubro de 2008 |
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