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Ano III, nº 20, setembro de 2004
Editorial - A visita do inspetor | Editorial - A visita do inspetor |
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O inspetor geral é gente fina. Sorridente, atencioso, aberto a sugestões. Prova disso é que ele próprio, quando chegou, convidou a sociedade civil organizada das ONGs para participar de um encontro, onde respondeu às críticas sobre as exigências do Fundo Monetário Internacional. Imediatamente, foi explicando que o receituário do FMI deu certo lá para as bandas da Ásia. Disse também que a estabilidade macroeconômica é imprescindível para a redução da pobreza. Explicou que são os países endividados que desenham dívidas maiores quando solicitam planos de financiamento. Também esclareceu que o Fundo não afeta a soberania das nações, apenas não apóia políticas contrárias aos seus planos. Bem informado, o inspetor não poupou elogios à economia brasileira e foi mais otimista que o Banco Central. Adiantou ele que o “aumento sustentado” de investimento público deve se fundamentar na transferência de despesas correntes de áreas não prioritárias. Num outro encontro, com Palocci, três dias antes do governo deflagrar a campanha patriótica eleitoral, o ministro corajosamente assegurou ao senhor inspetor que o Brasil sequer reinvindica “enfraquecer o esforço fiscal” para reduzir o pagamento de juros. Rato, é o nome dele, também elogiou a capacidade da economia brasileira de “absorver impactos externos”, como a importância de seguir a orientação do FMI para proceder o que chama de “reformas estruturais”. O senhor Rodrigo Rato foi ministro da Economia de José Maria Aznár, defenestrado nas últimas eleições espanholas. Na época, Aznár achou por bem culpar a oposição pelos atentados de Madri para manter-se no cargo. O povo preferiu outras versões e, então, cairam o primeiro-ministro e os demais, inclusive Rato, que havia dado imensas contribuições ao FMI na época. O ministro da Economia, entre outras proezas, cometeu o desmantelamento da previdência social em seu país. Não ficou desempregado. Tornou-se diretor-gerente do Fundo. II
Rodrigo Rato é declaradamente de ultra-direita, fascista de carteira assinada e emprego garantido. Com ele, a qualidade de vida das classes populares baixou sensivelmente na Espanha e o nível do “trabalho temporário” tornou-se o mais alto da União Européia. Em compensação, os conhecimentos escolares situam-se entre os mais baixos na Europa, assim como a assistência médica às criança. |
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| Nº 47, outubro de 2008 |
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