Anteriores
Ano III, nº 24, abril de 2005
Editorial - Derrama e contra-derrama | Editorial - Derrama e contra-derrama |
|
|
|
|
Ao longo da história da República as classes dominantes brasileiras estiveram empenhadas em vários projetos para o país. Dada a condição semicolonial, os projetos que implicavam em maior autonomia foram detonados diretamente pelo imperialismo ianque (veja-se os casos de Getúlio, em 54, e Jango, em 64). No máximo o império admitia sócios menores para atuarem como prepostos de seus interesses. Este tipo de relação prevaleceu, embora com algumas contradições, na ditadura de Getúlio, na administração JK e no gerenciamento militar. A burguesia burocrática, engendrada pelo imperialismo, sempre acalentou o sonho do “Brasil grande potência” e buscava, sempre que possível, dar um rumo desenvolvimentista à economia. Mas se acovardava diante da menor ameaça do império. Por isto nunca pôde ostentar um projeto nacional. Ela não tinha um projeto nacional, mas tinha intenções. Hoje, com a chegada do oportunismo petista ao gerenciamento do Estado, com o seu apoio, e a adoção radical das determinações do FMI e do Banco Mundial, esta burguesia manifesta seu desencanto na frase do vice José Alencar: “Nosso discurso de campanha ainda não chegou ao poder”. As classes dominantes perderam o domínio sobre o que fazer, estão à deriva. Como não têm projeto nacional e, nem mais, intenções, aprofundam a sua covarde submissão entregando o país à sanha das máfias internacionais. Estas, por sua vez, sabem como inflar o ego do vaidoso gerente e, assim, ampliarem mais ainda a derrama. Enquanto isso os camponeses ensinam como governar; como organizar os recursos disponíveis em favor da satisfação de suas necessidades; como coletiva e democraticamente decidir os rumos de sua luta — seja pela terra, seja pela produção, ou pela aquisição de novos conhecimentos. Estes têm, juntamente com a classe operária e a imensa maioria do povo, um projeto para o Brasil. Como a gravidez, em seu início desenvolve-se sem ser notado, mas já traz consigo as principais características do que será quando crescer. |
| < Artigo Anterior | Próximo Artigo> |
|---|
| Nº 47, outubro de 2008 |
| Edición en español |
| Apóie a imprensa popular e democrática |
Receba as novidades por e-mail
| Assinaturas |
| Livros |
| Onde encontrar |
| Faça sua coleção |
| Início |
| Linha editorial |
| Anteriores |
| Edición en español |
| Exclusivo no site |
| Blog da Redação |
| Fale conosco |