Anteriores
Ano VI. nº 35, julho de 2007
Editorial - Saudação ao proletariado das favelas | Editorial - Saudação ao proletariado das favelas |
|
|
|
|
Já em 2 de maio último, mais de mil policiais com armas de guerra invadiram o chamado Complexo do Alemão, zona Norte do Rio de Janeiro, aterrorizando 200 mil homens, mulheres e crianças de 17 favelas distribuídas por cinco bairros: Bonsucesso, Inhaúma, Penha, Ramos e Olaria. O cerco se mantém e o efetivo foi ampliado. Com ele, o terror de todos os dias, a produzir em meio ao povo vítimas em quantidade bem maiores do que junto aos traficantes, policiais e paramilitares. A intensa fuzilaria não tem hora para começar ou acabar. Quando se consegue sair para o trabalho, se desconhece a possibilidade de retorno após a jornada, ou se chegará vivo à condução, à escola, à residência. Para transitar, moradores ficam sob a mira de armas de guerra. Táticas de “ocupação de território inimigo” tornam ainda mais frágeis as paredes das modestas casas. Não há abrigo seguro. Não há trégua. Outros bairros no Rio são surpreendidos com cerrado tiroteio em operações que já se reproduzem em favelas da Grande São Paulo e, agora, nas de Belo Horizonte. No entanto, essas operações conseguem manter protegido o traficante atacadista, milionário, que nunca morou em favela. Por isso, os negócios da droga (no atacado ou no varejo) prosperam, tal como seus outros negócios, lícitos mas criminosos por natureza. O produtor e o atacadista, ou o privilegiado testa de ferro desses grandes traficantes, desenvolvem simultaneamente atividades legais em diferentes setores da economia ou da administração. Intocável, o atacadista lucra com a produção e o fornecimento da droga aos pequenos repassadores — seus empregados varejistas — independente dos apuros que possam ter, uma vez que concorrência e repressão fazem elevar o preço da sua mercadoria. Lucra em suas relações com a outra parte do capital monopolista, inclusive internacional, e com a lavagem de dinheiro. Lucra com a repressão que tenta impedir o povo de se levantar contra os seus negócios. Lucra com os efeitos da droga, que funciona como arma incapacitante, buscando neutralizar a causa maior da juventude: a emancipação do proletariado, das massas oprimidas em geral e a independência de nosso país. Nada, ninguém socorre o povo trabalhador. Nessas condições, o povo desarmado não está exatamente entre os disparos de dois contendores, mas debaixo de um único fogo cerrado. Política e tecnicamente, o povo se tornou alvo de operações que se assemelham às da OTAN terrorista na antiga Iugoslávia e de outras hordas fascistas que promovem a destruição do Iraque, do Líbano, da Palestina, do Afeganistão; das que mantêm a “parceria” entre ronderos e a polícia no Peru etc. — não importando as alegações do Estado criminoso. As favelas, quando não vivem o clima de um campo de guerra, são uma imensa penitenciária. II
Às massas é sonegado até mesmo o miserável atendimento das antigas políticas públicas e, nos locais de moradia, o povo sequer encontra a liberdade de organizar suas associações de bairro. III
— Morador só é atingido por “bala perdida”.Portanto, fogo à vontade! IV
Desde maio, o cerco produziu somente nos primeiros dias, 17 mortos e 76 feridos, segundo fontes oficiais. Três escolas e duas creches permanecem fechadas, prejudicando 4.800 alunos. Não há coleta de lixo. Muitos moradores abandonaram suas casas. |
| < Artigo Anterior | Próximo Artigo> |
|---|
| Nº 47, outubro de 2008 |
| Edición en español |
| Apóie a imprensa popular e democrática |
Receba as novidades por e-mail
| Assinaturas |
| Livros |
| Onde encontrar |
| Faça sua coleção |
| Início |
| Linha editorial |
| Anteriores |
| Edición en español |
| Exclusivo no site |
| Blog da Redação |
| Fale conosco |