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Início arrow Anteriores arrow Ano VI, nº 43, junho de 2008 arrow Governo corta salários de grevistas
Governo corta salários de grevistas PDF Imprimir E-mail
Ana Lúcia Nunes   

O governo federal comemora. Agora pode cortar os salários dos grevistas e dizer que "é uma decisão do Superior Tribunal Federal". E ele já anunciou, vai cortar o ponto dos Auditores Fiscais e dos Advogados Públicos.

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Funcionários da Uespi, Piauí.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou recentemente que o salário dos grevistas precisa ser cortado, "não posso ter a obrigação de pagar para quem não trabalhou". E emendou afirmando que as faltas advindas de paralisações serão anotadas no currículo do servidor e isso poderá atrasar uma série de benefícios. Na mesma entrevista — concedida ao Correio Brasiliense, em oito de maio o ministro afirmou que o governo continua planejando a lei de greve do servidor público e deixou claro que alguns setores serão proibidos de paralisar as atividades.

Os auditores fiscais da Receita Federal retornaram ao trabalho em 12 de maio. Eles decidiram trabalhar até o dia 20, quando farão nova avaliação das negociações com o governo. A greve começou em 18 de março e foi considerada ilegal, no início de abril, pelo ministro Gilmar Mendes, do STF. O ministro também determinou o corte dos dias parados. E ele foi além, em sua decisão, afirmou que não cortar o ponto poderia levar outras categorias de servidores públicos a "deflagrar movimentos grevistas com o objetivo de reivindicar reajustes salariais". Os auditores exigem equiparação salarial aos delegados da Polícia Federal e modificações na forma de promoção e progressão da carreira.

Também retornaram ao trabalho no dia seis de maio, os auditores fiscais do trabalho. A paralisação já durava 47 dias e a categoria reivindicava melhores condições de trabalho, equiparação salarial com as demais carreiras do Estado, paridade entre ativos e aposentados e concursos. Os trabalhadores devem avaliar as negociações com o governo e podem voltar a parar as atividades.

Ceará

No dia seis de maio foi finalizada a greve dos operários da Construção Civil de Fortaleza. Eles conseguiram um reajuste médio de 7,5%, mas as categorias receberão o aumento de forma diferenciada. A greve durou 14 dias e cerca de 90% da categoria aderiu ao movimento. Durante a paralisação vários canteiros de obras foram invadidos e a polícia e as empresas tentaram acusar o sindicato e os trabalhadores de depredação. A justiça chegou a determinar que o Sindicato deixasse de "patrocinar e incentivar atos de violência" sob pena de multa de R$30 mil por cada violação.

No dia oito de maio, entraram em greve os agentes comunitários de saúde do Programa Saúde da Família. A categoria exige que o salário passe de R$415 para R$830. Apesar da proibição de aumento salarial nos 180 dias que antecedem as eleições, os trabalhadores acreditam que há má vontade da prefeitura de Fortaleza, já que o reajuste poderia ter sido concedido antes. A greve está sendo considerada ilegal pela prefeitura e o ponto dos trabalhadores que aderiram à paralisação está sendo cortado. São mais de três mil agentes e o Sindicato da categoria afirma que a adesão foi total.

Iniciada no dia sete de maio, a paralisação dos rodoviários de Fortaleza estendeu-se por dois dias. A greve atingiu 90% da categoria e reivindicava aumento salarial e melhoria nas condições de trabalho. Os trabalhadores exigiam piso salarial de três salários mínimos para os motoristas e dois para os trocadores. A maior conquista da paralisação foi a abertura de uma luta contra o peleguismo que dominava o sindicato. Em Assembléia Geral no dia 10 de maio, os trabalhadores decidiram destituir a tual diretoria do Sindicato dos trabalhadores em transportes rodoviários (Sintro) e anular o acordo salarial feito pela diretoria. Os trabalhadores também elegeram uma junta governativa por 60 dias para organizar um novo processo eleitoral.

Sergipe

A Polícia Civil paralisou suas atividades nos dias seis e sete de maio. A paralisação teve caráter de advertência. No dia oito também retornaram ao trabalho os professores da rede estadual de ensino. A greve durou 15 dias e a categoria conseguiu um reajuste de cerca de 5%. Outras conquistas dos professores foram a ampliação da gratificação da Regência de Classe, que deve chegar a 80% em maio de 2010.

Piauí

A greve dos docentes da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) já dura mais de um mês. Eles reivindicam melhorias na estrutura e no ensino da universidade, além de reajuste salarial. No dia nove de maio, os professores, em protesto, cantaram parabéns e cortaram um bolo de aniversário no centro de Teresina.

Os professores definiram um calendário de manifestações, reuniões e uma audiência pública na Câmara dos vereadores da capital para discutir a situação da universidade. A paralisação docente tem recebido o apoio das demais categorias acadêmicas estudantes e técnicos. Na cidade de Picos, onde está um dos maiores campus da Uespi, os estudantes denunciaram que precisam pagar taxas para fazer provas.

Rio de Janeiro

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Greve na rede municipal do Rio de Janeiro.

Os professores da rede municipal de educação deflagraram greve no dia cinco de maio. A tática da categoria consiste em ocupar as escolas, realizar reuniões e esclarecer a população sobre os motivos da paralisação. Os professores consideraram uma afronta à categoria o aumento concedido pela prefeitura, no ano passado, de 0,01%. A categoria exige aumento salarial imediato de 26%. Atualmente, o piso da categoria é de R$560. No quarto dia de paralisação, professores, funcionários em geral das escolas e estudantes realizaram protesto em frente à prefeitura da cidade.

São Paulo

Em Bauru, a greve dos agentes de combate às endemias prossegue. Já são quase 50 dias de paralisação e apesar do corte dos salários, os trabalhadores continuam parados. A categoria reivindica aumento salarial de acordo com o piso nacional, plano de saúde, Plano de Cargos e Salários e redução da jornada de 8h para 7h diárias. No início de maio, o Ministério Público do Trabalho (MPT) intermediou uma audiência entre as partes e recomendou que a prefeitura atendesse às reivindicações dos trabalhadores e que não houvesse retaliações aos trabalhadores para que eles possam voltar ao trabalho. A greve está dentro da lei e os trabalhadores entregaram ao MPT um abaixo-assinado com 10 mil assinaturas em apoio à paralisação.

Paraná

Deflagraram greve no dia nove de maio, cerca de quatro mil trabalhadores da Usina Central do Paraná S/A, em Porecatu, norte do Estado. Os trabalhadores diretos da empresa estão com os salários atrasados desde março e os terceirizados, desde dezembro. Os trabalhadores tentaram negociar por muito tempo, antes de pararem os trabalhos. A Usina pertence à família Atalla.

Espírito Santo

No dia 12 de maio os motoristas e cobradores de ônibus coletivo da Grande Vitória paralisaram as atividades por tempo indeterminado. A adesão à greve foi de 100% e os serviços foram totalmente paralisados em resposta à decisão do Tribunal Regional do Trabalho de obrigar 50% da categoria a trabalhar durante a paralisação. Os trabalhadores querem 10% de aumento, redução da jornada diária para 6 horas e vale-refeição de R$13.

 
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