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Latifúndio promove novo massacre em Rondônia PDF Imprimir E-mail
Da redação   

Na manhã desta quarta-feira, 9 de abril, cerca de cem homens encapuzados invadiram o acampamento Conquista da União, no município de Campo Novo, em Rondônia, e abriram fogo contra os camponeses. Os pistoleiros estavam encapuzados, com coletes a prova de balas e fortemente armados. Suspeita-se da participação de policiais na ação contra os camponeses.

Os primeiros relatos dão conta de 15 camponeses mortos (não confirmados), inclusive uma mulher grávida, nesta nova barbárie cometida contra os camponeses pobres do estado. Os barracos foram incendiados junto com todos os pertences das famílias – inclusive cerca de 20 motos foram queimadas. A preparação desse novo massacre vinha sendo denunciada frequentemente pela Liga dos Camponeses Pobres, que apontava todos os preparativos feitos pelos latifundiários, assessorados pelas forças de repressão do velho Estado. Inúmeros panfletos, boletins e notas à imprensa foram enviados para os órgãos de imprensa, Ouvidoria Agrária e outras instituições. Esta era uma barbárie anunciada e nenhuma “autoridade” tomou qualquer atitude para evitá-la.

A grande campanha no monopólio dos meios de comunicação visando criminalizar o movimento camponês da região teve finalmente o desfecho que o latifúndio e as demais classes reacionárias desejavam. IstoÉ, Folha de Rondônia e outros veículos, o governador Ivo Cassol, a Polícia de Rondônia e os latifundiários do estado são os responsáveis por mais este crime contra o povo. As freqüentes e falsas acusações de que a Liga dos Camponeses Pobres fazia treinamento de guerrilha, possuía grande quantidade de armamentos e era composta por terroristas, servem para tentar desmobilizar o apoio às famílias de camponeses pobres em luta pela terra na região e orientar a ação do Estado para a repressão aos trabalhadores. Se os camponeses estão assim tão treinados e armados, porque não responderam ao fogo dos jagunços?

Por telefone, a reportagem de AND ouviu denúncias de um camponês de que o tiroteio foi ouvido até a noite e que a polícia foi avisada desde ontem e até agora, 12 hrs, não se dirigiu ao local, o que facilita a ocultação dos cadáveres, uma vez que os jagunços ainda estão no local. As famílias que conseguiram fugir estão acampadas apenas com a roupa do corpo na cidade de Buritis. Outras permanecem às margens da RO 421, rodovia estadual que passa perto do local.

O acampamento ficava na fazenda Catâneo e não era dirigido pela Liga dos Camponeses Pobres, mas este movimento solidarizava com a luta dos camponeses que tomaram a fazenda independentemente de qualquer movimento.

Numa clara tentativa de esconder os fatos, a secretaria de defesa do estado de Rondônia convocou uma entrevista coletiva às 10h de hoje, quando negou que a ação dos pistoleiros tenha ocorrido e que tudo não passa de boatos.

Há ainda informações de que forças do Exército e da Força Nacional de Segurança se dirigiram para a localidade de Jacinópolis para a repressão ao movimento camponês da região, principalmente à Liga dos Camponeses Pobres.

Entidades populares, de defesa dos direitos humanos, jornalistas honestos estão se dirigindo para o local para documentação do fato e realização de ampla denúncia no Brasil e no exterior, para que se conheça a ação do Estado criminoso contra os camponeses.

 
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