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Ano V. nº 31, setembro de 2006
Não à farsa eleitoral - Todo apoio às lutas consequentes das massas | Não à farsa eleitoral - Todo apoio às lutas consequentes das massas |
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| José Moreira Chumbinho | |
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Página 1 de 2 As eleições majoritárias não convencem ninguém. Aproxima-se a data do escrutínio e elas se mantém tão desmoralizadas quanto a administração FMI-PT, que chegou ao fim (pedindo renovação) sem ter realizado absolutamente nada de importante, a não ser entreguismo, fortalecimento da legislação anti-trabalhista com endurecimento do regime e corrupção generalizada. É fato que as eleições são, hoje, um problema crucial, mas para legitimar o poder imperialista e semifeudal em vigor em nosso país.
Em 1982, os verdadeiros dirigentes do Estado semifeudal e semicolonial tentaram abafar as Diretas já. Em 1989 utilizaram Luiz Inácio para descartar o único candidato que conservava traços nacionais, o Dr. Leonel Brizola, fazendo com que este perdesse para Luiz, que perdeu para Collor, evidente. O moço malcriado é substituído. Seguem-se assassinatos com casos abafados. Novela nova, um plano de estabilidade financeira institui a moeda Irreal, o que deu a Cardoso a possibilidade de esticar mais quatro anos de traição nacional. Uma lei isentou presidentes e ministros de processos por crimes contra o povo trabalhador. Em 2002: o ir "lá-dentro" dos candidatos, "assinar não-sei-o-quê", sob o sorriso protetor de Cardoso, deixou o povo atônito diante da TV. Dessa forma, ninguém entre eles (Luiz, Serra, Garoto e Ciro) perdeu ou ficou desempregado. Os dois últimos anos de desmoralização sustentada vem imprimindo um novo estilo de racionalidade e prudência aos chamados três poderes — que é a ausência total de pudor. A idéia difundida de maneira impressa ou televisiva é que nos "harmônicos" os profissionais da política (incluindo magistrados) não se metem em política. As eleições para governadores (superadas apenas pela dos prefeitos, dada a natureza da administração mais próxima às massas), que auxiliavam em entusiasmo as eleições presidenciais, são marcadas pela calmaria do não ter em quem votar, um fenômeno devidamente assegurado. As repetidoras da CNN se dizem indignadas sobre o horário livre assegurado para propaganda eleitoral, não como crítica à qualidade dos candidatos, mas contra o direito de expressão. Assim é que silenciam sobre a obrigatoriedade dos seus programas de auditório, de exploração dos sentimentos religiosos do povo, de filmes pornográficos e da propaganda da guerra de agressão, de seus jornais nacionais da C.I.A. etc., que atormentam o povo diariamente, entra ano, sai ano. Nada de empolgações durante as campanhas. Diante da entrega do solo, subsolo, espaço aéreo e, caso mais grave e comum, de apropriação de carne humana arrastando milhões à miséria e à morte, toda a desconversa é pouca. É permitida a baderna, acusações mútuas etc., desde que se remetam aos crimes menores, como mensalões, o obscuro caso das ambulâncias e outros embustes. Tudo permanece no âmbito do problema ético-administrativo, mesmo quando, em algumas situações, democraticamente autoridades são arrastadas do judiciário por policiais que, à sua vez, também são presos. Em seguida, soltos. As Câmara e Senado começam a ser chamadas de pavilhão 1 e 2, tão enredadas nas estranhas CPIs que penalizam ou protegem candidaturas, por natureza, impugnáveis. Há uma descarada partilha anunciada de 89 milhões de reais na campanha do candidato Luiz Inácio e de 85 milhões para Alkimin, importâncias consideradas (lá pela gente deles) como ética para a finalidade a que se propõe... Quem aposta?Como hoje o determinante não são os votos, mas os acordos de alta costura, toda a cobertura dada aos candidatos nos comícios e TV explica apenas que a largada para o primeiro páreo foi dada, mas nenhum deles se distancia muito da baia, por mais que caminhe ou viaje. Há algo mais que preguiça nesses pangarés tecnocráticos e populistas. As tentativas pontuais de oxigenação das eleições para legitimar o poder evitando que o desmoralizado evento se esgote no primeiro turno, têm sido quase tão inúteis quanto os esforços realizados para animar um cérebro clinicamente morto. O monitoramento das pesquisas de opinião, com o sistema movimentando as peças, transferindo cotações no marketing eleitoral, tornou as imagens das campanhas ainda mais repugnantes, sem nenhuma justificativa moral para apresentar-se diante das câmaras. Tagarelices levadas ao saturamento, sem discurso (nem mesmo) de aparência nacional. A doutrina de subjugação nacional inspira o monopartidismo. Produz nos candidatos e seus "partidos" uma profunda veneração pelo programa único das classes contra-revolucionárias, ainda que se verifiquem entre elas choques de frações. Passado o evento, diz-se: " o brasileiro não sabe escolher, não tem memória ". De fato, o seu programa único não pode ser interpretado abertamente para as massas. Todos prometem diminuir "despesas do Estado", mas essas despesas jamais serão reduzidas no caso da repressão, cobrança de impostos e de sustentação dos monopólios de alienação televisiva e impressa. Há unanimidade quanto as medidas de endurecimento do regime, de impostos, de sonegação de verbas para políticas de interesse público, de desnacionalização das empresas estratégicas e até do território brasileiro, de destruição das acanhadas conquistas econômicas dos trabalhadores etc., etc. Na essência, a ditadura do latifúndio e da burguesia burocrática não foi derrotada em nosso país. Pelo contrário, se fortaleceu no processo a que os oportunistas cunharam de redemocratização. Sua proclamação política busca o linguajar do humanismo tecnocrático, "apolítico", dúbio, normativo, até que, constatada a identidade de interesses maiores acabam afirmando, todos, que os programas (a essa hora!) ainda "estão sendo concluídos". E, no entanto, são unânimes em afirmar que "uma coisa é o programa de um partido, outra é o programa de governo que deve considerar a legislação" — aquela que proíbe isso e aquilo, inclusive desapropriação do latifúndio. Mas, uma vez no governo, advém o pacto do silêncio e da mediocridade. O executivo recebe ordens prontamente transformadas em medidas provisórias anti-povo, as quais são remetidas para colegas no congresso aprovarem, aprofundando a legislação fascista. E aí basta repetir: " Uma coisa é programa de partido, outra é... " Candidatos a prepostosGeraldo Alkimim — agente do Opus Dei.Propõe: Continuísmo. Defesa cerrada das corporações monopolistas, sendo essa a utilidade das reformas propostas e do próprio Estado. Prega os licenciamento ambiental, neodesenvolvimentismo etc. O Estado é regulador a incentivador de estratégias monopolistas. Não fala em autodeterminação e independência, mas integração soberana e, abertamente, perspectiva de raça. Sua inclusão social obviamente não toca no salário e na defesa das garantias trabalhistas etc. como problema nacional. Em seu lugar, dá ênfase ao "combate ao crime organizado" (de quem?). No mais, reduzir juros, reativar Alca (nova administração e nome para o continente latino-americano). Segue a ética de costumes e de comportamento recomendada pelo imperialismo. Heloísa Helena — agente trotskysta-clerical.Propõe: Continuísmo, baixar os juros (quem prometeria aumentá-los?). Tem como principal discurso a mesma ética de costumes dos sacerdotes do oportunismo. Diz fazer oposição cerrada a Luiz Inácio e professa o feminismo burguês reacionário. Usada para equilibrar "pesquisas", funciona como um alarme inoportuno que dispara quando não há ninguém para desligar. Coerente com o fascismo, invoca o trotskysmo, chegando ao ponto de dizer que jamais houve experiência socialista no planeta. Acusações lançadas num dia são retiradas no outro. Diz que P-Sol é alternativa ao PT. Então, para que esse P-Sol? Luíz Inácio — agente do cartel CIOSL.Propõe: Continuísmo com "aprofundar, acelerar e ampliar" tudo o que fez. Promete cinco metas, todas tiradas da agenda do desenvolvimentismo (defesa cerrada das grandes corporações monopolistas estrangeiras, associadas aos maiores grupos entreguistas nativos): "educação", economia entreguista, inclusão social, soberania com integração sul-americana. A exemplo dos demais candidatos, Luiz dá ênfase aos programas sociais de "combate ao crime organizado". Também venera a ética de costumes. Hilário, Luiz Inácio se revelou bem comportado diante dos interesses do imperialismo, notadamente ianque, e do seu suporte social interno no Brasil: o latifúndio e a grande burguesia nativa. Tributo maior, o servilismo. Em uns poucos aspectos também lidera em mediocridade. Mente descaradamente. Promete (o que há de pior) aprofundar aquilo que teve quatro anos para cumprir. Revela perturbações visíveis diante de situações que não asseguram discurso monologado, mesmo diante de perguntas elaboradas para ajudá-lo. Sugere não ter exercido nenhum poder decisório no sistema de governo durante a "administração" FMI-PT. Acumulam-se os pedidos de impeachement contra Luiz Inácio. Diante da corrupção escancarada e sintomas de fechamento do regime, a cassação de Luiz Inácio não seria um acontecimento surpreendente no segundo e infeliz mandato, tampouco a deflagração da "repressão constitucional" contra os movimentos comprovadamente populares e democráticos. Alta malandragem por dentroA dinâmica das campanhas eleitorais republicanas se expressou até mesmo no último gerenciamento militar. Por exemplo, apesar de (como era conhecido) partido do sim senhor o (MDB, depois) PMDB, graças à atitude decidida das massas, foi um instrumento legal por um breve tempo na luta do povo por liberdades democráticas. Seus setores progressistas chegaram a receber a colaboração de correntes democráticas e revolucionárias saídas das classes populares e mesmo de conservadores. Portanto, ainda que sem os velhos dirigentes do movimento operário e camponês, que haviam caído em mãos da reação, no campo e nas cidades o movimento de massas ofereceu nesse período a significativa (e possível) combatividade diante do regime militar. É inegável, as Diretas Já, do ponto de vista tático, deram grande contribuição às lutas por liberdades democráticas, se revelaram oportunas e justas. Mas as Diretas Já, apresentadas erroneamente como principal impulsionador das liberdades democráticas, surgiram como prolongamento do movimento de massas, das lutas heróicas dirigidas pelos melhores filhos do nosso povo — em parte, por uma década de armas nas mãos — a quem cabe o maior mérito na luta contra o gerenciamento militar. No âmbito da luta parlamentar, de maneira sábia e oportuna, o povo havia interrompido o voto nulo e sufragou nomes de oposição ao gerenciamento militar. E é inegável que o Esperança e Mudança do PMDB, na época, fosse várias vezes mais progressista que o programa do PT e, centenas de vezes mais em relação aos dos atuais candidatos. Porém, desde o início do século passado, as reformas burguesas já não se aplicavam ao nosso país, tal o grau de degeneração que, há muito, tinham chegado a estrutura e a superestrutura de poder e, por fim, a incapacidade da burguesia conduzir o povo trabalhador. O início do século 20 é marcado pela degeneração total do capitalismo no mundo, quando sua crise geral evolui para o imperialismo. As classes dominantes nativas (latifúndio e grande burguesia), pela sua própria natureza, se associaram e aprofundaram essa associação com os magnatas estrangeiros nos negócios da terra, na indústria e no comércio. Juntas, defendendo seus interesses de classe, desenvolveram instrumentos decisivos na economia, atrelando-a, por outro lado, a sistemas que se assemelham às relações feudais e coloniais sob a direção do imperialismo que, em nossa época, são o semifeudalismo e o semicolonialismo.
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| Nº 47, outubro de 2008 |
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