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Na sexta-feira, dia 3 de outubro, os camponeses de Januária, cidade do Norte de Minas, organizados pela Liga dos Camponeses Pobres realizaram uma manifestação diferente de tudo que já havia ocorrido na história daquela cidade.
Apesar da intensa campanha eleitoral dos candidatos, que soterrou a cidade com carros de som, santinhos de campanha e cartazes, a propaganda da LCP contra a farsa eleitoral chamou a atenção de toda a cidade, provocando dúvidas e trazendo esclarecimentos para a população.
Os camponeses contaram com um aliado: Severino, operário da construção civil de Montes Claros, representando a Liga Operária, chegou em Januária no dia 29 de setembro para auxiliar na mobilização e organização para a manifestação.
— O Severino trouxe um CD de músicas e com mensagens dizendo que "Eleição é Farsa", tinha músicas do Bezerra da Silva e outras, o povo gostou muito. No final da manifestação todos já sabiam cantar partes das músicas — conta Manoel Luciano, apoiador da LCP, presente na manifestação.
— A manifestação estava marcada para iniciar às 09 da manhã, mas devido ao atraso dos companheiros que vinham de outras áreas próximas, iniciou por volta das 13 horas, com mais de 150 companheiros que distribuíram-se em duas colunas, com bandeiras vermelhas e palavras de ordem: "Eleição é farsa, não muda nada não! O povo organizado vai fazer Revolução!", "É terra, é terra, a quem nela trabalha! E viva agora e já a Revolução Agrária!".— acrescenta Manoel.
A manifestação percorreu as principais ruas de Januária, parando em frente à Prefeitura, onde os moradores da cidade tiveram direito à palavra e denunciaram o pouco caso da prefeitura para com o povo de Januária. A prefeitura foi ocupada recentemente por trabalhadores a quem a mesma deve há mais de dois anos, e não acena com a menor possibilidade de pagamento. Em seguida, houve nova pausa em frente à Escola Técnica, que fica próxima à sede do PT local, onde foram feitos discursos desmascarando o papel do oportunismo que arrasta as massas para o caminho eleitoral prometendo falsas mudanças. Os professores foram até as janelas e portões para ver a manifestação e só voltaram para as aulas depois que a manifestação desapareceu no horizonte.
Os estudantes também prestaram sua solidariedade chamando os camponeses para beberem nos bebedouros dentro da escola enquanto próximo ao portão havia duas torneiras.
A população de Januária recebeu a manifestação inicialmente com desconfiança, questionando os manifestantes sobre qual candidato eles estariam apoiando. Mas quando ouviam as palavras de ordem e liam o manifesto, mostravam-se animados e solidários.
Por onde passou, a passeata foi observada com muita atenção pelos amigos e inimigos dos camponeses combativos. Era possível ver nos rostos de todos a satisfação, a incredulidade ou o ódio pela manifestação.
O protesto se encerrou em frente à casa de uma apoiadora, onde todos almoçaram e retornaram para suas respectivas áreas.
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