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O Caminho Luminoso de Outubro PDF Imprimir E-mail
Prof. Fausto Arruda   

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Lenin discursa para as massas, por Aleksadr Guerassimov

O revisionismo moderno

Contudo, todos os avanços alcançados na luta revolucionária e na aplicação das tarefas de construção socialista — para o desenvolvimento das forças produtivas e a máxima satisfação das necessidades das pessoas — revelaram-se insuficientes para assegurar o desenvolvimento continuado da revolução e conjurar o perigo da restauração capitalista. Lenin afirmara que socializar os meios de produção era a tarefa mais fácil da revolução proletária após seu triunfo. E que as tarefas de eliminar as classes e seus restos e vestígios (as diferenças entre cidade e campo, entre operários e camponeses e entre trabalho manual e intelectual) eram a mais difíceis e complexas, que para tanto demandaria muitos e muitos anos1.

A direção bolchevique, sob comando Stalin, apesar de grandes progressos na resolução de gigantescos problemas novos na construção socialista, não foi capaz de obter a tempo suficiente compreensão sobre uma questão crucial como a da continuidade da revolução nas condições do socialismo e da Ditadura do Proletariado, em que a luta de classes seguia e se tornara mais encarniçada e complexa. Mesmo assim, como comprovam os fatos históricos, foi só após a morte de Stalin que a contra-revolução se viu sem sérios obstáculos para se impor.

Kruschov comandou a restauração capitalista na URSS difamando a ditadura do proletariado através das falsas denúncias dos "crimes" de Stalin. Como o Partido Comunista da URSS, até então, tinha reconhecidamente o papel de vanguarda do movimento comunista internacional, as orientações dos restauracionistas arrastaram os países do campo socialista e os partidos comunistas no resto do mundo, levando-os para o campo da contra-revolução. Mas a isso resistiu um grupo de partidos liderados pelo Partido Comunista da China e o Partido do Trabalho da Albânia. Sob a liderança do Presidente Mao e após alguns anos de luta surda, em 1963 se destampou a mais tenaz batalha ideológica jamais vista. Mao, sustentando o Caminho de Outubro e na defesa do marxismo-leninismo, identificou no XX Congresso do PCUS (realizado em 1956) o surgimento e sistematização do novo revisionismo e desmascarou a podre teoria kruschovista das "três pacíficas" e "dos dois todos"2.

A investigação das causas da restauração capitalista na URSS feitas pelo Presidente Mao confirmava a concepção marxista-leninista de que no socialismo as classes e a luta de classes seguiam existindo, ainda que sob novas formas. Mao afirmava que após o proletariado tomar o poder, a luta entre o caminho socialista e o capitalista se agudizava e que não estava garantido de antemão quem venceria a quem, o que demandaria muitos anos e inclusive mesmo muitas décadas. Que dependia da continuidade da luta de classes e duma correta condução do partido comunista para levar à abolição das mesmas.

Defendeu a necessidade de se distinguir a diferença das contradições na sociedade socialista que se dão entre "nós e o inimigo" e daquelas que se dão "no seio do povo", contradições de naturezas diferentes e que para sua solução demandam métodos diferentes.

Mao afirmou: "Nunca devemos esquecer a luta de classes", lançando a grande Campanha de Educação Socialista, o Grande Salto a Frente que por fim desembocou na Grande Revolução Cultural Proletária. A GR CP mobilizou centenas de milhões de chineses na defesa do poder para o proletariado como garantia do socialismo e da abolição das classes para transitar ao comunismo, meta final da revolução proletária, aportou grandes desenvolvimentos ao marxismo-leninismo, elevou-o a uma, nova e terceira etapa, o maoísmo, e impediu por dez anos a restauração capitalista na China.

Entretanto, mesmo desmascarados, astutamente os revisionistas modernos seguiram defendendo a via pacífica e a participação nos parlamentos, negando o Caminho de Outubro, servindo aos imperialistas e a seus lacaios nos países dominados e provocando confusão entre as massas para afastá-las do caminho revolucionário.

A luta no Brasil

No Brasil, como ocorreu em inúmeros países, da mesma forma que a Revolução de Outubro impactou profundamente, concorrendo como um dos fatores mais importantes que levaram à fundação do Partido Comunista em 1922, também os resultados do XX Congresso do PCUS e o revisionismo kruschovista provocaram grandes contradições.

Uma fração do partido se levantou contra o revisionismo da direção de Prestes e em defesa do marxismo-leninismo e do Caminho de Outubro, reconstruindo o partido em 1962. Em breve ergueu a bandeira do Pensamento Mao Tsetung e da Guerra Popular. Por insuficiências de assimilação e dogmatismo da direção do partido a Guerrilha do Araguaia foi derrotada. Isto bastou para que os inimigos do maoísmo no partido sabotassem o balanço crítico daquela rica experiência, feita do sangue vertido por dezenas de heróicos quadros comunistas e massas, para abandonar a linha revolucionária e capitular.

Afundando-se no revisionismo hohxista3, a direção de João Amazonas, nos anos finais da década de 1970, liquidou por completo o Partido Comunista do Brasil enquanto partido revolucionário do proletariado, o que deu lugar, nos anos seguintes, a uma outra organização revisionista sob a sigla de PCdoB.

Na passagem dos 90 anos da Revolução Russa, o revisionista PCdoB de Renato Rabelo, como todo revisionista que se presa, correu a exaltá-la como "o mais destacado acontecimento social e político da humanidade"4, para concluir que isso, no entanto, é coisa do passado. Em sua nota, criticou um suposto "comando ultra-centralizador"5 do Estado Soviético, que teria "debilitado a democracia socialista"6. Isto, para atacar a Ditadura do Proletariado e sustentar a ditadura burguesa-burocrática-semifeudal instalada no Brasil, classificada por ele de "democracia".

Diz ainda a nota que as condições objetivas, quando da Revolução de Outubro, não existem mais na atualidade, visto que as "feições atuais do capitalismo mudaram"7, o que levaria à necessidade de se lutar pelo socialismo nas novas condições do século XXI. Obviedades compreendidas por qualquer colegial. Porém, observações feitas para defender teses revisionistas como as apresentadas por Luiz Fernandes, tiradas "das lições das experiências fracassadas do socialismo no século XX", de novos caminhos através da "preservação de mecanismos de democracia representativa"8.

Hoje, além do kruschovismo clássico surgem novas modalidades de revisionismo. Não existem só posições como as do PCdoB ou a de Chávez na Venezuela, que fala sobre um socialismo do século XXI sem destruição da máquina burocrática-administrativa-militar da burguesia, sem Ditadura do Proletariado, sem expropriação da burguesia, dos latifundiários e do imperialismo e socialização dos meios de produção.

Há ainda processos em que, após anos de lutas heróicas das massas na guerra revolucionária, suas direções passam a predicar argumentos semelhantes, depondo as armas e se integrando ao Estado reacionário. E ainda acusam de dogmáticos a quem persiste na defesa intransigente dos postulados essenciais do marxismo e do Caminho de Outubro, para justificar sua capitulação ante o imperialismo e embelezar o capitalismo e perpetuar seu Estado. O Presidente Mao já havia alertado sobre tal truque, respondendo aos ataques kruschovistas afirmando que todos os desvios, entre eles o dogmatismo, eram maléficos, mas que, inapelavelmente, o perigo principal seguia sendo o revisionismo.



 
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