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O Caminho Luminoso de Outubro PDF Imprimir E-mail
Prof. Fausto Arruda   

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Lenin Proclama o Poder dos Soviets, por V. A. Serov

O triunfo eleitoral do oportunismo

O predomínio do revisionismo moderno de Kruschov no interior do movimento comunista da América Latina o adestrou nas ilusões constitucionais e causou profundas seqüelas e reações de todo tipo como a influência do foquismo. Após a derrota dos processos revolucionários na região nas décadas de 1960 e 1970, e em função da carência de uma direção proletária que fora esfacelada pela contra-revolução e com o consequente reinado do revisionismo, criou-se o ambiente para o surgimento de uma tal "nova esquerda" com discursos radicais e grandes apetites oportunistas e eleitoreiros.

Ex-guerrilheiros arrependidos, nacionalistas, trotskistas das diversas seitas, setores da igreja católica e sindicalistas formados pelos institutos ianques para o "sindicalismo livre" se conformaram num verdadeiro cartel do oportunismo. Das forças que seguiram na luta armada, com raras exceções, capitularam e renegaram a revolução nas décadas seguintes de 1980 e 1990. Das que seguiram na luta armada revolucionária, rigorosamente só o Partido Comunista do Peru seguiu sustentando o marxismo-leninismo através do maoísmo e da guerra popular.

E mesmo com os duros golpes sofridos no auge da ofensiva geral da contra-revolução mundial no início dos anos de 1990, a Revolução Peruana seguiu em frente com a guerra popular combatendo a capitulação e enfrentando o vento e a maré. Em outras partes do mundo seguiram guerras populares na Turquia, nas Filipinas e na Índia. Além do que lutas classistas e revolucionárias seguiram em muitos países e têm propiciado o surgimento ou ressurgimento de partidos comunistas autênticos. A luta antiimperialista, a cada dia cresce e tem inspiração na heróica resistência patriótica no Iraque, na resistência palestina e no Afeganistão.

Cavalgando as massas que abriram o século XXI resistindo desesperadamente às políticas do imperialismo de saqueio e superexploração e prometendo o céu a elas, o cartel do oportunismo triunfou eleitoralmente e de forma encadeada na maioria dos países da região. Já no gerenciamento do velho Estado, traindo as mínimas promessas, se dedicaram a aplicar as políticas que diziam combater e a presidir a repressão às massas.

Integrando o cartel oportunista, também estão calejados revisionistas e partidos que se escudam sob a máscara de marxistas-leninistas e mesmo maoístas. Juntos anunciam o surgimento e papel central de novos "atores sociais", segundo eles, revelados pela nova realidade surgida no mundo com a falência do "socialismo real" e estabelecimento da "Nova Ordem" da "Globalização". Proclamando o fim ou secundarização das classes apontam como agentes transformadores a gama de manifestações denominadas por "movimentos sociais": as "ONGs", o "ecologismo", a "questão de gênero" e "homossexualismo", o "indigenismo" e o "neoanarquismo", a "questão racial" e "anti-Globalização."

Em que pese o discurso de "transparência" e "horizontalidade" anunciados com bumbos e pratos a prática de suas organizações e de seus governos não vão além dos mais vulgares e rasteiros métodos burgueses do autoritarismo, do populismo, da tutelagem das organizações sociais, da corporativização das massas e o mais reles assistencialismo.

Mas em toda América Latina, mesmo dentro do ambiente ainda de ofensiva de caráter geral da contra-revolução ao nível mundial, as massas resistem e cada vez mais crescem as lutas combativas. Ainda que o oportunismo tenha prevalecido temporariamente, desviando as massas do caminho revolucionário para mantê-las eternamente atadas ao velho Estado, as lutas e rebeliões são prenúncios de um novo momento de situação revolucionária em desenvolvimento.

A base objetiva desta situação foi gerada pela crise crônica de um sistema semicolonial, secularmente imposto no continente pelo imperialismo, principalmente ianque, que empurra o povo para o combate. Nos últimos anos, esta crise se agravou como conseqüência direta da decomposição da própria base material e do impacto sobre ela da reestruturação mundial do capitalismo chamada de "globalização".

O surgimento destes governos caracterizados pelos analistas burgueses, como viragem à esquerda na América Latina, representa nada mais que, em última instância, a reação da fração burocrática da grande burguesia dos países da região. Estas que foram, após décadas inteiras de hegemonia, destronadas do centro do aparelho de Estado e fazem do projeto eleitoral dos oportunistas reformistas burgueses, a esperança de retomar a posição perdida, reestruturar o Estado e impulsionar o capitalismo burocrático.

Existe uma relação indissolúvel entre a existência do imperialismo, das colônias e semicolônias por ele escravizadas e dominadas, com o problema nacional, a democracia e a conquista do Poder pelo proletariado. Por isto mesmo, na América Latina, o verdadeiro caminho do socialismo, muito longe das caricaturas de socialismo e quimeras via "referendos", é o da luta dura e prolongada da revolução de nova democracia. Isto como condição incontornável para varrer a semifeudalidade, o capitalismo burocrático e a dominação imperialista, realizar a revolução de Nova Democracia e passar ininterruptamente à revolução socialista, servindo ao mesmo tempo à revolução mundial e a meta final do comunismo.

Assim é que, neste quadro, o grande desafio para as massas populares latino-americanas, como de resto em todo o mundo, é mais que nunca o de seguir o Caminho de Outubro. O Caminho de Outubro, confirmado pela experiência de todas demais revoluções populares e proletárias, ensina que é necessário desmascarar o oportunismo e o revisionismo liberando as imensas energias revolucionárias das massas e criar a força armada revolucionária, para derrotar a reação local e o inimigo comum, o imperialismo. Enfim, os fatores que asseguraram o triunfo do Grande Outubro podem ser traduzidos todos numa só verdade proferida por Lenin: "Educar o partido e as massas no combate implacável ao oportunismo e na violência revolucionária."

Ao desferir um golpe certeiro no inimigo comum, a Revolução de Outubro deu aos povos de todos os países um exemplo e mostrou o caminho da luta de libertação das massas exploradas e oprimidas. Mostrou os meios das massas concretizarem o direito de decidir sobre seus próprios destinos. Os ensinamentos da Revolução de Outubro e o Caminho de Outubro seguirão vigentes até que toda a burguesia e toda reação sejam varridas do poder em todo mundo!


1. Lenin - Economia e Política no período da ditadura do Proletariado - Obras Completas
2. "Três pacíficas" e "Dois todos" foi como denominou o Presidente Mao ao conjunto de teses de Kruschov apresentadas no XX Congresso do PCUS e sistematizadas pelo XXII. As Três pacíficas são: coexistência pacífica, transição pacífica e emulação pacífica, com as quais apregoava a impossibilidade do caminho revolucionário nos países capitalistas e na luta de libertação dos povos e nações oprimidas, num mundo em que existiam bombas atômicas. Portanto, só restava ao proletariado e povos oprimidos tentar o caminho do parlamento burguês para sua libertação; a paz deveria ser conseguida a qualquer preço e que o socialismo venceria provando ao mundo pela comprovação prática (na URRS) que ele era o melhor sistema social. Os dois todos são: Estado de todo o povo e Partido de todo o povo, com que fundamentava que o Estado socialista era agora um Estado de todo o povo, pois não existiam mais classes antagônicas na URSS e, portanto terminara a necessidade da Ditadura do Proletariado. Negava com isto a existência das classes e da luta de classes em todo período do socialismo e revisava o conceito marxista de Estado, no qual o Estado é produto da sociedade de classes sendo ele o instrumento especial de repressão da classe dominante. E ainda, negava o caráter de classe do partido comunista, denominado-o partido de todo o povo e não mais partido do proletariado.
3. De Hohxa, líder do Partido do Trabalho da Albânia. O revisionismo de Hohxa consiste em negar a existência das classes e da luta de classes no socialismo e de aferrar-se no dogmatismo. Após reconhecer as contribuições de Mao ao marxismo-leninismo, recuou passando a negá-lo e a atacá-lo, fazendo coro com a reação imperialista.
4. Nota do PCdoB sobre os 90 anos da Revolução Socialista de 1917, na Rússia, 29 de outubro de 2007(sítio vermelho.org.com.br)
5. Idem
6. Ibidem
7. Ibidem
8. Desafios do socialismo no século XXI - Luiz Fernandes PCdoB - sítio vermelho.org.com.br


 
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