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Ano II, nº 17, março de 2004
O EE-T1 Osório: O limite para a desmobilização das Forças Armadas brasileiras | O EE-T1 Osório: O limite para a desmobilização das Forças Armadas brasileiras |
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| Ronaldo Schlichting* | |
Até que ponto os sucessivos governos, neoliberais ou assemelhados, da República Federativa do Brasil podem continuar pondo em risco a segurança do Estado e do patrimônio nacional, desmobilizando e desarmando criminosamente o Exército, a Marinha e a Aeronáutica sem que haja uma insurreição, "de ofício", por parte de seus comandantes, dentro do que prevê a Constituição da República, a Lei de Segurança Nacional e o Código Penal Militar? Hoje, em nome da "economia", dentre centenas de ações negativas promovidas contra nossas Forças Armadas, chegaram a ponto de interromper a continuidade na formação anual dos nossos contingentes de reservistas, podendo com tal irresponsável ato produzir sérias consequências para a integridade territorial do país se houver necessidade de uma mobilização em caso de guerra. Em 2003, no tradicional discurso de final de ano feito pelo atual Presidente da República no Clube do Exército para os Oficiais Generais das FFAA. Sua Excelência declarou: "(...) Para que termos um bando de generais? Para que termos um bando de soldados se não temos pólvora, se não temos uma bala se viermos a precisar dela?" Uma das leituras que podemos fazer desta declaração é a da possibilidade de amanhã qualquer ministro da fazenda, realmente por falta de pólvora em nossos paióis, cortar mais verbas e interromper a preparação das turmas de aspirantes a oficial das academias militares de Agulhas Negras, Pirassununga e da Escola Naval, quebrando, assim, a continuidade na formação de toda a cadeia de comando, que vai dos tenentes aos oficiais generais. Dentro da lei, o limite acima citado, a ser entendido como Estado de Necessidade, deve obrigatoriamente ter que existir, mas, talvez ainda não deva ter sido atingido, ou se o foi, então, os nossos chefes militares estão deixando de cumprir com suas missões constitucionais.
Em um trecho da "carta" enviada aos generais do Exército em 12 de outubro 2002, pela diretoria da ASMIR-PR (Associação do Militares da Reserva do Paraná), podemos ler: "(...) E, se esta nossa avaliação for correta, já estamos perigosamente próximos da situação extraordinária que São Tomás de Aquino e também o nosso Direito Positivo define como Estado de Necessidade, em que todos os fatores adversos atingem um nível de gravidade e complexidade tão agudo que se potencializam entre si, o que tende a engendrar um cenário tão excepcional que dá origem ao chamado Estado de Necessidade, no qual as avaliações, os juízos, os conceitos, as decisões, e até os atos devem estar referenciados a parâmetros de hierarquia superior, filosófica, quase de ordem metafísica, acima, portanto, das normas, regras, valores e até dos princípios normais do Direito Positivo Salus Patriae Suprema Lex.
Foi assim que o ex-ministro da Aeronáutica, o Brigadeiro Werner Brauer, lançou mão deste Direito quando FHC, para humilhar nossas FFAA, nomeou para o recém criado Ministério da Defesa um elemento civil, desqualificado e supostamente ligado a atividades ilícitas no Estado do Espírito Santo. Werner Brauer corajosamente denunciou o ato, mas, desgraçadamente, foi abandonado por seus pares e por isso exonerado. Cascavel
Assim, o Brasil, que já esteve próximo de produzir um dos mais modernos tanques de guerra do mundo, infelizmente, hoje voltou a ser um país importador de blindados usados, mal repotencializados e de segunda linha, como o Obus autopropulsado 105-M-108, porque em 1989 os EUA impediram que a Engesa vendesse 702 tanques pesados — os EE-T1 Osório — para o Exército saudita.
O tanque brasileiro era o único dos concorrentes projetado especificamente para atender às exigências da licitação. Ao final de uma semana de ensaios, o Osório havia vencido todas as provas.
Resumindo, os sauditas "puxaram o tapete" e Fernando Collor deu a "cama de gato" não encomendando nenhuma unidade do Osório para o Exército Brasileiro. Assim, a Engesa desapareceu fechando cinco fábricas e extinguindo cerca de 6 mil empregos com graves consequências econômicas, sociais e militares. *Ronaldo Schlichting é administrador de empresas. |
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| Nº 49, janeiro de 2009 |
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