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Ano VII, nº 44, julho de 2008
O galo e o samba não param de cantar | O galo e o samba não param de cantar |
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| Igor Chaves | |
O samba é, sem dúvida, um dos principais ritmos musicais brasileiros. No entanto, poucos conjuntos do genuíno samba conseguem projeção através das rádios e emissoras de televisão. O Brasil está cheio de exemplos de pessoas dedicadas a preservar a cultura nacional e criar arte de acordo com o desenvolvimento de nosso povo e com os mais legítimos interesses das classes populares de nosso país. Entre esses exemplos se encontra o conjunto Galocantô, que junto com outros grupos, promove o samba, do mais clássico ao melhor do mais moderno na cidade do Rio de Janeiro.
O que no começo eram eventuais encontros nas rodas de samba da Rua Joaquim Silva — coração da Lapa — tornou-se um conjunto da nova safra do samba, preocupado em manter viva a chama de bambas como Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Candeia, Cartola, João Nogueira, Dona Ivone Lara, Nelson Cavaquinho e o grupo Fundo de Quintal. Lapa: o começo de tudo
O grupo começou a despontar em uma época em que a Lapa passava por mudanças estruturais. Mesmo que esta modificação viesse de uma forma ou de outra padronizar alguns serviços, encarecendo o consumo de lazer e cultura, para o Galocantô o reduto foi crucial para o processo de aproximação de novos admiradores para o samba. O bairro virou ponto de encontro e em grande parte das casas o samba tem lugar de honra: O samba sempre existirá
Viver exclusivamente de samba não é a tarefa das mais fáceis. As rádios, dominadas por interesses estrangeiros, disseminam incansavelmente músicas "globalizadas", jargão que define o caráter concentrador desses grupos monopolistas. Quando não estão enquadradas às estrangeiras, estão em gêneros como o pagode e o sertanejo. A partir da década de 80 o Brasil passou por uma invasão do que foi denominado por pagode, um suposto subgênero do samba, modelado com arranjos que caíram bem para o gosto comercial: Censura ao popular
É diante desse contexto que os sambistas verificam uma censura — não só no samba, mas em tudo que desperta a consciência das massas — intimamente ligada às classes desprivilegiadas. No caso do monopólio dos meios de comunicação, gêneros populares são tratados como algo esporádico em vez de permanente. O "galo" canta
Em 2008, o conjunto traz um novo show aos fãs. De terreiro em terreiro tem o propósito de passear pela história do samba e homenagear um dos grandes estudiosos do gênero: o historiador e jornalista Roberto M. Moura (1947-2005). O nome do show é inspirado no livro publicado por Roberto em 2004 — No princípio era a roda — sobre a influência das rodas de jongo, choro e samba como fator determinante para a preservação do gênero. No começo de junho, o Galo cantou em São Paulo pela primeira vez no show que presta homenagem a Roberto Moura. |
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| Nº 46, setembro de 2008 |
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