| O povo de Sucre derrota a Polícia e rechaça a “nova” Constituição |
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| Centro de estudos populares da Bolívia | |
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Página 2 de 2 A "meia lua" organiza sua "resistência"CEP-Bolívia![]() Os funerais de Juan Carlos Duran e Gonzalo CerrudoOs opositores do governo de Evo Morales se mostram nesses dias como os defensores da democracia, enquanto governam suas prefeituras de forma autoritária; condenam a repressão policial, mas estão acostumados a usar inclusive a força dos grupos de choque contra o povo. Eles se solidarizam com a população de Sucre, reprimida pela Polícia nos dias 24 e 25 de novembro, ainda que não titubeiem em pisotear o povo em suas regiões. Os empresários e latifundiários levantaram a cabeça e agora anunciam uma série de protestos em defesa de seus interesses. No dia 24 de novembro (sábado), um grupo de choque obediente aos "cívicos" de Santa Cruz se apresentou como a "guarda de honra" da União Juvenil Cruzenha e partiu para derrubar as portas do Serviço de Impostos Internos da cidade, depois de saber que em Sucre, o governo havia reprimido a população usando a polícia. No domingo, em Sucre, o resultado da investida policial foi de três mortos e mais de 300 feridos. Em Santa Cruz, os grupos de caráter fascista tentaram tomar outras instalações públicas, frente a uma tímida defesa do governo pela polícia. Os "cívicos" de outras regiões organizaram protestos no resto do país: Cochabamba, Beni, Tarija, Pando e Santa Cruz (autodenominados "meia lua") en "solidaridade" a Sucre. Na realidade sua luta é contra o MAS e a nova Constituição, aprovada no dia 24 de novembro numa sessão em um recinto militar, na presença apenas dos assembleístas membros dos partidos que apóiam o governo. Os empresários e latifundiários, excluídos do manejo da administração pública desde a chegada de Evo Morales à Presidência, tem sustentado protestos nas regiões em que conseguiram mobilizar o povo, inclusive se valendo de agressões físicas a comerciantes e outros trabalhadores, efetuadas pelos grupos fascitas da União Juvenil Cruzenha. Na "resistência"Nesta conjuntura, a denominada "meia lua" — que pretende se lançar como a defensora da democracia, da paz e da não violência — considerando que seu passado está ligado a militares golpistas — tem enviado cartas às Nações Unidas, à Organização dos Estados Americanos, à Comunidade Andina de Nações e à Igreja Católica, denunciando o governo de "promover a passagem para um Estado totalitário, fazendo uso de uma violência somente vista em governos tiranos e fascistas".Os "cívicos" da meia-lua convocaram, para o dia 27 de novembro, a população para uma paralisação de atividades contra a nova Constituição Política do Estado em suas regiões e anunciaram uma greve de fome para a próxima semana. Com esses protestos, nos quais praticamente obrigaram a população a participar, estes cívicos defendem interesses dos empresários e latifundiários nostálgicos do mais cru neoliberalismo e deliram agora, sentindo-se a vanguarda da "resistência". O texto da nova Constituição é desconhecido de quase todos na Bolívia, porque Evo Morales e seus apoiadores escondem o documento. O governo não fica atrás e, através de seus dirigentes, tem mobilizado aos setores camponeses e urbanos para cercar o Congresso, onde a "meia-lua" tem seus representantes, para aprovar a Renda Dignidade, que dará uma pensão mensal aos idosos do país e outras leis que não são aprovadas, fato que o governo tem denunciado como obstrução a seu projeto reformista. *O Centro de Estudos Populares da Bolívia (CEP) é uma organização sem fins lucrativos, que conta com uma equipe multidisciplinar, dedicada ao estudo e análise da realidade boliviana e comprometida com os setores explorados e que lutam permanentemente em defesa de seus direitos democráticos. O objetivo do CEP é lutar junto ao povo boliviano para construir uma verdadeira alternativa transformadora, através do conhecimento da realidade objetiva dos fatos que ocorrem no país.
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| Nº 49, janeiro de 2009 |
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