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O segundo inferno do império ianque PDF Imprimir E-mail
Luiza Nascimento   

Desde o início da ocupação estrangeira, em princípios de 2003, apesar das múltiplas diferenças e visíveis adversidades, a população iraquiana se uniu em nome de um ideal maior de libertar seu país do domínio ianque, através de seu exército e todos os planos que, no bojo da invasão, os imperialistas maquinavam para o Iraque. A resistência se organizou e, a partir daí, tem conseguido se manter forte o suficiente para impedir que os invasores concretizem seus planos.
O pacto de unidade tem sido reforçado por apelos das mais diversas lideranças, inclusive por Saddan Hussein que, do cárcere, pediu prudência, unidade e resistência ao invasor.

Não restam dúvidas de que os carros-bomba arremessados contra pontos de ônibus, mesquitas e outros lugares públicos têm autoria bem diferente dos que são arremessados contra a tropa invasora e seus sequazes (burocracia, forças armadas fantoches, empresas ianques ou a serviço delas, postos policiais, ou qualquer outro agente direto ou indireto do USA). Quem lança bombas contra o povo iraquiano é o Pentágono. Cabe lembrar, o tipo de alvo atingido torna inútil qualquer tentativa de esconder a ideologia de quem operou e lançou as bombas. (Vide AND 20, págs. 20 a 23) As ações do imperialismo têm a pretensão de quebrar a unidade do povo iraquiano, construída durante séculos e dirigida pelo presidente Saddam Hussein e impor um regime de super exploração, roubando da forma mais descarada as riquezas do país.

A estratégia ianque

O Iraque é um grande problema para o USA que, na obstinação de dominar o mundo, tem adotado medidas desastrosamente implementadas. Primeiro, impõem a dominação através de uma opressão e terror sanguinários. Depois, usam marionetes locais e recrutam forças nativas contra o povo e a resistência. E, por último, eles tentam quebrar a unidade da resistência.

Essa estratégia, no entanto, tem colecionado fracassos no que diz respeito à terceira tática. Segundo a Frente Anti-Guerra e Anti-Imperialista de Tessalônica, a resistência iraquiana criou um impasse na estratégia usada pelo USA, “o grande inimigo do povo”. Após um período de sucessivas derrotas, uma luta popular, mais uma vez, prova perante o mundo que a máquina imperialista não é invencível. Para a Iniciativa de Tessalônica, “trata-se de uma luta apoiada pelo povo, unindo os iraquianos e mostrando que ele será o criador de seu próprio futuro”.

Por essas mesmas razões, a resistência iraquiana cultiva também muitos inimigos, o imperialismo ianque e outros que, apesar de rivalizarem com o USA, crêem que uma vitória do povo iraquiano criaria condições favoráveis para que demais povos oprimidos seguissem o seu exemplo. O governo e a burguesia árabes se inserem igualmente nessa lista, por entenderem que a natureza da resistência iraquiana os alijaria do poder e das grandes disputas, e que outras forças verdadeiramente populares e revolucionarias seriam eleitas para conduzir o Iraque.

A resistência

A resistência iraquiana é formada por grupos e partidos políticos que desenvolveram uma rede entre si com o propósito de, a principio, libertar o país da ocupação ianque, estabelecer um governo nacional, promover a elaboração de uma constituição escrita pelos próprios iraquianos, implantar regras democráticas e, por fim, realizar eleições livres com a plena participação de diferentes partidos políticos.

Participam da resistência, dentre outros, os Baasistas, um grupo formado por ex-membros do Partido Baath (que apoiava Saddam Hussein), pela milícia paramilitar Fadayeen Saddam e por agentes da inteligência iraquiana. Além disso, forças nacionalistas, constituídas por ex-membros do exército iraquiano provenientes em sua maioria da região Sunni, muçulmanos; militantes seguidores do clérigo Moqtada al-Sadr, homens jovens, desempregados e frequentemente miseráveis de Shi’a. Para implementar a estratégia de libertação, a resistência tem atacado as forças invasoras, suas instituições e todos aqueles que os servem.

Fallujah jamais se rendeu!

Trinta dias após o Pentágono haver decretado sua “vitória” sobre Fallujah, um militar ianque perguntava com espanto de onde vieram estes guerrilheiros que sustentam a resistência dentro da cidade. Totalmente destruída por seus aviões bombardeiros, tanques e granadas, Falluja fez reaparecer os fuzis da resistência escrevendo mais uma gloriosa página no livro da guerra dos oprimidos.

Na internet, o site Al-Basrah (www.albasrah.net) traz relatórios diários sobre a atuação da resistência no Iraque. De acordo com as informações do início de dezembro de 2004, a situação em Fallujah, por exemplo — “o coração da insurgência” —, pendeu para as forças da resistência iraquiana, que mantêm controle sobre mais de 60 por cento da região, enquanto as tropas ianques continuam a se retirar. No resto da cidade, a resistência está se expandindo.

Os guerrilheiros têm conseguido atacar tropas da chamada “guarda nacional”, que, manipuladas pelos ianques, mantém sua presença em áreas específicas. Há um contingente considerável de ianques em Al-Jumhuriya ou na Cidade Velha, mas os invasores permanecem concentrados por temor às emboscadas. O mesmo se dá no centro-sul e ao leste de Al-Jawlan, onde as tropas ianques desaparecem ao cair da noite. Assim, a resistência limita a presença de franco-atiradores ianques na cidade.

A aliança patriótica

A Aliança Patriótica Iraquiana, movimento formado principalmente por comunistas iraquianos espalhados pela Europa, passou a ser conhecida em novembro de 2002, quando seu líder, Abdul Jabbar Kuibaisi, viajou a Bagdá para se encontrar com oficiais iraquianos. O encontro era parte de uma estratégia de Saddam Hussein no sentido de restabelecer os laços com os grupos de oposição e formar a maior coalizão possível no caso de um ataque do USA. De acordo com os membros da API, Saddam prometeu fazer reformas democráticas e Kuibaisi decidiu se unir ao ex-presidente iraquiano contra a invasão. Em fevereiro de 2003 a API organizou uma conferência em Paris onde seus delegados prometeram lutar contra as “agressões imperialistas ”.

A respeito das acusações feitas, especialmente pela inteligência militar ianque, em torno do modo de atuação do grupo, Sammi Alaa, membro da Aliança Patriótica Iraquiana, diz: — Nós aprendemos com a história: nenhuma força invasora vai embora voluntariamente. Um povo ocupado sempre resiste a seus invasores.

Além disso, Sammi adverte que a ocupação do Iraque pelos imperialistas foi vendida para o mundo com base em mentiras de que o governo tinha armas de destruição em massa e ligações com a Al-Qaeda.

— Eles mentiram abertamente na intenção de dominar o país e roubar seu petróleo — explica.

Essas mentiras são crimes de guerra e deveriam originar um processo no Tribunal de Nuremberg, assim como foi com os líderes nazistas.

Para Sammi, a despeito de o secretário geral da ONU ter dito que a guerra é ilegal, esses governos continuam pregando que existe uma transferência de poder para a democracia, a liberdade e a reconstrução.

— O chamado processo democrático e soberano não é nada mais do que um governo cujos membros são exilados e agentes pagos do serviço secreto imperialista ianque e britânico. Os invasores ianques ainda controlam não só o exército, mas também a política – o que é o oposto de democracia e soberania. Os USA selecionam “políticos” iraquianos, que, por sua vez, indicam amigos para integrar esse governo de marionetes. Essa farsa tem o objetivo de dar à ocupação uma face iraquiana — declara Sammi, e acrescenta: — seguindo essa mesma lógica, que a reconstrução do Iraque não passa de uma pilhagem da riqueza nacional, enquanto o desemprego chega a 75% e a miséria ganha proporções calamitosas.

Além disso, segundo Sammi, os imperialista ianques falam na conquista da liberdade.

— Como pode haver eleições livres com 180 mil soldados estrangeiros ocupando meu país? De novo, a farsa tem o objetivo de justificar a ocupação – repele Sammi.

Sammi acredita que diante desse cenário a resistência iraquiana tem crescido, e a luta pela liberdade se alastra por toda a região, apesar das diferenças políticas, religiosas e étnicas.

— O povo está unido e lutando numa batalha comum por justiça, uma heróica peleja contra o monstro gigante. – afirma.

Agora, de acordo com Sammi, eles mentem sobre a ocupação como uma “garantia” contra a deflagração de uma guerra civil.

A recente Convenção de Florença da Resistência Iraquiana, ocorrida em fins de novembro, teve como tópico Resistir hoje para existir amanhã. Razões e perspectivas para o apoio à luta dos iraquianos em busca de liberdade e auto-determinação. Foi dedicada à cidade dos mártires, Falluja, e aos 80 mil prisioneiros iraquianos mantidos pelas forças de ocupação. Uma das tarefas da Convenção foi quebrar o silêncio sobre a ocupação do Iraque e sobre os crimes contra a humanidade.



 
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