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Ano VII, nº 44, julho de 2008
Teresa Cristina - Sambista por excelência | Teresa Cristina - Sambista por excelência |
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| Rosa Minine | |||
Ela foi uma criança e adolescente brasileira influenciada pelo monopólio dos meios de comunicação, que só tocava a música enlatada dançante, a chamada discoteca. Mas bastou um olhar mais atento para que Teresa Cristina abraçasse a música popular brasileira, o samba, e se tornasse uma cantora respeitada nesse universo. Apresentando-se há dez anos com o Grupo Semente, cantando ao lado de Paulinho da Viola, e outros grandes nomes do samba, Teresa caiu no gosto popular.
Sua história no samba teve início quando Teresa, aos 25 anos de idade, reencontrou um disco do Candeia, que era de seu pai, chamado Samba de Roda. — Meu pai ouvia esse disco todos os dias, e eu não me interessava na época. Mas quando o reencontrei e parei para ouvir, fiquei muito tocada pela qualidade da música, e impressionada por não ter identificado isso quando criança — lembra Teresa. A partir daí Teresa Cristina começou a pesquisar sobre a obra de Candeia, e a primeira pessoa que a ajudou foi o biógrafo do artista, João Batista Vargens, que lhe apresentou Wilson Moreira. Por sua vez, Wilson lhe apresentou a velha guarda da Portela, que lhe apresentou Paulinho da Viola. Dessa forma Teresa começou a entrar no universo do samba. O segundo passo foi o seu talento. — Paulinho da Viola é uma pessoa emblemática na minha carreira, porque o meu primeiro CD solo foi gravado somente com músicas suas. Eu já havia participado do CD O Samba é minha nobreza, e a gravadora me deu a idéia de fazer um só com músicas do Paulinho, o que achei sensacional. É um compositor especial, com uma obra muito rica. A partir desse disco passei a ser chamada de sambista — diz. Ela era vistoriadora no Detran/ RJ quando começou a cantar profissionalmente, em 1998, ao lado do Grupo Semente, no bar Semente, que fica na Lapa. Ficou por cerca de um ano fazendo as duas coisas, até se dedicar somente a carreira de cantora, sempre ao lado deles. — Eles estão comigo desde o início, é uma parceria de vida. Acreditaram no meu trabalho e resolveram me acompanhar quando eu não era ainda cantora, e não tinha nenhum passado que me levasse para a música . — diz com carinho. Aos 27 anos de idade compôs sua primeira música. — Material para compor é a vida, e o olhar que nós temos sobre as coisas e o desejo de reportar algum assunto é o que nos faz compor. Eu não sabia que era compositora, que poderia fazer isso um dia. Aconteceu naturalmente — comenta. No ambiente do samba Teresa não encontrou nenhuma dificuldade para mostrar o seu talento, muito pelo contrário, foi abraçada por pessoas importantes, que lhe deram apoio. — Fui muito bem recebida. Principalmente pela Velha Guarda da Portela, que recebe todos com muito carinho e atenção. As dificuldades que tive são as que enfrentam todos até hoje: lançar um disco, divulgá-lo, viajar para o exterior com o trabalho, e dentro do país também. Patrocínio é sempre uma barreira, por exemplo, desde o princípio da minha carreira quero fazer um show em homenagem ao Candeia e não aconteceu por falta de patrocínio — conta. Mas mesmo com dificuldades Teresa tem viajado pelo mundo e sido muito bem recebida. — Somos muito ricos culturalmente, com uma música e literatura muito fortes e isso gera respeito — acredita. A opressão continua Para Teresa Cristina, apesar da riqueza da música popular cultural brasileira, ela continua sendo oprimida dentro da sua pátria, censurada em favor da música comercial. Para Teresa Cristina a música brasileira extrai forças da própria realidade do povo para continuar sobrevivendo. |
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| Nº 46, setembro de 2008 |
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