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| Polícia genocida do Rio atira contra crianças |
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Somente nos primeiros sete meses desse ano doze crianças já foram baleadas por policiais em invasões a bairros pobres da cidade. Na maioria dos casos, os policiais abandonam as vítimas, recaindo a responsabilidade pelo seu socorro sobre os próprios moradores. No episódio mais recente, duas meninas foram atingidas simultaneamente enquanto brincavam numa tarde de sábado pelas vielas do Morro do Andaraí.
No primeiro dia do mês de agosto, durante operação policial no complexo de favelas do Andaraí, as meninas Herlen de Souza, 7 anos, e Mônica Silva da Conceição, 13 anos, foram baleadas por PMs e socorridas pelos próprios moradores. No Hospital do Andaraí, Mônica — atingida de raspão no braço esquerdo — foi medicada e liberada. Já a menina Herlen, baleada na cabeça, foi transferida para o Hospital de Saracuruna — uma das únicas unidades públicas que possui CTI infantil — e continua internada em estado grave. Calendário infanticida da polícia
Na segunda semana de 2009, na Vila Cruzeiro, localizada na Penha, zona Norte, uma menina de 12 anos foi baleada na cabeça por policiais do 16º BPM (Olaria) durante violenta invasão à favela. Ela foi socorrida pelos próprios moradores e internada na CTI do Hospital Getúlio Vargas em estado grave, vindo a falecer dias depois.
Em outro episódio, na semana que antecedeu o carnaval, policiais civis de diversas delegacias especializadas faziam operação no morro da Rocinha, zona Sul da cidade, quando Ágata Marques dos Santos, de 11 anos, foi baleada por policiais com um tiro na cabeça. A menina estava na companhia do pai, o motorista Claudino dos Santos e ainda foi levada para o hospital Miguel Couto, no Leblon, mas não resistiu aos ferimentos.
Na comunidade Chatuba de Mesquita, Baixada Fluminense, policiais do 20º BPM realizaram invasão na manhã de 24 de março e mais uma vez uma criança foi atingida — a quarta em menos de uma semana. Na companhia da mãe, o menino Guilherme dos Santos Severino, de 6 anos, foi baleado na perna com um tiro de fuzil e levado para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha. Momentos depois, moradores revoltados com mais uma ação criminosa da PM, bloquearam a rua Magno de Carvalho, que margeia a favela, e atearam fogo em dois ônibus. Na manhã de domingo, dia 19 de julho, PMs faziam ronda no entorno do Morro do Chaves, em Barros Filho, zona Norte da cidade, quando suspeitaram do menino Willian Morreira da Silva, de 11 anos, que soltava pipa em um terreno baldio. Os policiais foram acusados por moradores de atirar contra o menino e fugir sem socorrê-lo. Willian cursava a 4ª série do ensino fundamental e havia feito aniversário dois dias antes de ser assassinado. Impunidade: praxe do Estado policial
Na maioria dos casos a Secretaria de Segurança Pública, sem que nada fosse investigado, isentou os PMs de culpa, assim como se negou a enviar as armas usadas pelos policiais ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli para que fossem periciadas.
Vila Aliança: Sequência de atrocidades policiais
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| Nº 69, setembro de 2010 |
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