No dia 7 de janeiro, um mês após o bárbaro
assassinato dos dirigentes camponeses Élcio Machado e Gilson Gonçalves,
a Liga dos Camponeses Pobres e o Centro Brasileiro de Solidariedade aos
Povos(CEBRASPO) promoveram um Ato em sua memória e em protesto contra
a sua bestial tortura e assassinato.
Passeata pelas ruas de Jaru em memória de Élcio e Gilson
Dezenas de pessoas estiveram presentes no Ato em Jaru-RO. Entre as tantas
organizações que apóiam e participam da luta camponesa
em Rondônia compareceram o Codevise — Comitê de Defesa das
Vítimas
de Santa Elina, LCP do Pará/Tocantins, Comissão Pastoral da
Terra, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jaru, Comitê Popular de
Lutas, Comitê de Defesa da Revolução Agrária e dos
Direitos do Povo, Movimento Feminino Popular, Diretório Central dos
Estudantes da Unir, professores, camponeses das áreas Raio do Sol, Canaã,
Rio Alto, Jacinópolis, Flor do Amazonas e das cidades Theobroma, Jaru,
Anari e Cujubim.
Durante o ato, a LCP denunciou a cumplicidade do Incra e Ouvidoria Agrária,
em especial do Ouvidor Gercino José da Silva Filho com o latifundiário
Dilson Cadalto e bandos de pistoleiros em Rondônia.
Familiares protestaram contra a morosidade e inoperância das ditas "autoridades",
que um mês após o assassinato dos camponeses não tomaram
nenhuma providência para punir os responsáveis pela sua tortura
e morte.
Seus companheiros exaltaram suas biografias de intrépidos lutadores,
sua dedicação e firmeza. Seus familiares e amigos receberam um
ramalhete de flores e um quadro simbolizando o sentimento de todos pelos companheiros
tombados.
No encerramento do Ato, em uníssono, todos repetiram o juramento da
LCP reafirmando compromisso de prosseguir o trabalho iniciado por Élcio
e Gilson. Após as homenagens, os presentes partiram em passeata pelas
principais ruas de Jaru, distribuíram centenas de panfletos denunciando
o martírio de Élcio e Gilson e reivindicando a entrega imediata
das terras do acampamento Rio Alto às famílias camponesas. A
população concentrada na Rodoviária dos Colonos ouviu
atenta a leitura do panfleto em voz alta.
IAPL condena assassinato de camponeses
A Associação Internacional de Advogados do Povo — IAPL, através
de seu presidente, o advogado filipino Edre Olalia, emitiu uma nota condenando
energicamente os bárbaros assassinatos dos dirigentes da LCP em que
ressalta que "Gilson Gonçalves foi um dos entrevistados, em
2008, pela missão de investigação (fact-finding mission)
organizada pela IAPL em Rondônia. Durante essa missão de investigação,
Gilson denunciou as detenções ilegais e perseguições
na região e forneceu evidências contra os latifundiários
da região".
A nota ainda destaca que "relatórios recebidos indicam o envolvimento
do proprietário Dilson Caldato, bem como a polícia e outros
agentes do Estado no assassinato.
A IAPL também está preocupada com o papel desempenhado pela
Comissão Nacional Contra a Violência no Campo e os órgãos
do Instituto Nacional de Reforma Agrária, que parecem atuar como órgãos
que acusam os camponeses e permitem as ações ilegais das milícias
dos latifundiários.
A IAPL exige que o governo brasileiro imediatamente
investigue e puna os responsáveis por estes assassinatos, e investigue
outros crimes contra os camponeses relacionados com lutas pela terra".
Rondônia
Os frutos da Revolução Agrária
Em 16 e 17 de janeiro último a LCP de Rondônia e Amazônia
Oriental realizou o seminário "A produção nas áreas
da Revolução Agrária". Cerca de 70 camponeses das áreas
José e Nélio, Oziel Nunes, Raio do Sol, Capivari, Terra Boa,
João Batista, Corumbiara, Canaã, Rio Alto, Sol Nascente, Gonçalo,
Jaru, Jacinópolis e Jacinópolis 2, além de professores,
estudantes e apoiadores debateram a situação atual da luta pela
terra com o aumento da criminalização e repressão ao movimento
camponês em todo país, principalmente na região amazônica.
Os camponeses debateram como se dá a luta pela produção
em meio à luta pela terra e contra a criminalização da
luta camponesa.
Entre as conquistas obtidas no último período, o seminário
destacou a criação e consolidação das Assembléias
do Poder Popular - APP e dos Comitês de Defesa da Revolução
Agrária em algumas áreas, os cortes populares e entrega de certificados
de posse da terra e o crescimento da produção. Com os relatos
apresentados pelos camponeses durante o seminário, pode-se concluir
que onde se desenvolveram as APP's, as condições de vida das
massas deram um salto de qualidade, com a construção de escolas,
estradas, pontes, produção, alfabetização, celebrações,
festas etc.
Os números tabulados pelo seminário revelaram o salto na produção
após a tomada e corte da terra e início da produção
de forma cooperada: na área José e Nélio, um dos exemplos
apresentados, a produção de 40 famílias deve atingir este
ano 128 mil pés de café, 20 mil pés de banana, 7.300 de
urucum, 5.900 de mandioca, 7.000 de cacau, vão colher 2.200 sacos de
arroz e mais de 3.500 sacos de milho além de diversas frutas e legumes.
A experiência dos Grupos de Ajuda Mútua (GAM) foi balanceada
e sistematizada, desde a troca de dias de trabalho nas tarefas de derrubar,
roçar, plantar e colher, até a construção de obras
que servirão a toda coletividade.
O seminário ainda destacou a necessidade de melhorar o planejamento
da produção em cada área, prevendo os problemas do plantio,
colheita, transporte, armazenamento e comercialização dos produtos
para buscar sua solução e também impulsionar a criação
de Grupos de Ajuda Mútua e seu funcionamento permanente. Entre as suas
principais tarefas após a sua conclusão, está a de encaminhar
as discussões e definições às áreas camponesas
até o mês de maio próximo.
Norte de Minas
Prisão arbitrária e tortura de camponeses no norte de
Minas
No dia 16 de janeiro dois coordenadores dos cursos de formação
da Liga dos Camponeses Pobres e apoiadores do trabalho de alfabetização
de jovens e adultos no campo foram arbitrariamente presos na BR 401, entre
os municípios de Matias Cardoso e Jaíba, no norte de Minas Gerais.
Denúncia veiculada pela LCP relata que Wanderson Antônio e Flávia
Avelina, assessores da Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Sul da
Bahia, são muito conhecidos na região e vinham sofrendo perseguições
e ameaças, inclusive de morte, devido ao seu trabalho.
A nota ainda denuncia que o camponês Wilson, Presidente da Associação
dos Trabalhadores Rurais do Assentamento Santa Rita foi preso e interrogado
de forma truculenta, sob tortura psicológica, por ter cedido a sede
do assentamento para a realização de um curso de formação
de professores de alfabetização de jovens e adultos da Escola
Popular. Wilson foi libertado no dia 19, segundo a LCP, após sofrer
forte pressão para que prestasse falsas declarações incriminando
Wanderson e Flávia. Outro camponês, Gerônimo Gomes, foi
detido em sua casa e interrogado durante 3 horas sob as mesmas acusações
infundadas e absurdas.
Denúncia em caminhada pela LCP por correio eletrônico à redação
de AND, no dia 17/01, contou que Flávia,
após 8 dias, foi transferida para a cadeia de Montalvania, durante
a noite, sem o conhecimento do advogado e nem mesmo da família.
Maranhão
Rodovia bloqueada contra descaso e manobras eleitoreiras
Moradores de Paço do Lumiar — MA bloquearam os acessos à cidade
com galhos de árvores contra obras inacabadas e exigindo melhorias na
infra-estrutura. Segundo os manifestantes, a principal avenida da cidade possui
cratera que foi aberta há um ano.
Os manifestantes também denunciaram a inexistência de transporte
público e a precariedade da educação e saúde públicas.
Além disso, não há iluminação pública
nas ruas, apesar da cobrança de uma taxa de R$ 50,00 mensais pelo serviço.
São Paulo
Kassab não "põe o pé na lama",
e foge de vaias

Moradores da zona Sul de São Paulo se indignam com Kassab nas ruas
A tentativa de promover uma cena típica de demagogia eleitoreira após
a degradação dos bairros de periferia da zona Leste de SP terminou
no escorraçamento de Gilberto Kassab. No dia 9 de janeiro, ao chegar
no Jardim Pantanal, região da zona Leste da capital que enfrenta alagamentos
desde o início de dezembro, ele ouviu constrangido os gritos que partiam
principalmente das mulheres: "Vem botar o pé na lama".
Kassab foi vaiado por onde passou.
"Fiquei indignada porque ele só foi no bloco 1 [que não
alagou], não veio ver a nossa situação. Queria muito que
ele tivesse pisado na lama", declarou a radiologista Lisa Marie Felizardo,
ao agora.uol.com. br de 9 de janeiro.
Estudantes enfrentam PM em protesto contra aumento das passagens

Estudantes protestam em frente à prefeitura
No dia 7 de janeiro último cerca de 300 estudantes foram às
ruas e enfrentaram a PM em protesto contra o aumento das passagens de ônibus.
Atendendo ao chamado do prefeito Gilberto Kassab, a PM invadiu o Terminal
Dom Pedro e, com sua costumeira truculência, disparou balas de borracha,
spray de pimenta e bombas de efeito moral contra os manifestantes e a
população que se encontrava no local. Três manifestantes
foram detidos durante o protesto.
Adotando a política escusa de aumentar as passagens do transporte no
período de férias escolares para evitar grandes protestos, a
gerência Kassab elevou em 17,4% o preço das tarifas. Com esse
aumento, o valor das passagens urbanas passaram de R$2,30 para R$2,70; o valor
da integração ônibus-metrô subiu de R$ 3,65 para
R$ 4,00. O morador da capital que utilizar, em média, duas integrações
por dia, gastará R$ 240,00 em um mês, o que representa quase a
metade do salário mínimo. No rastro do monopólio das empresas
de ônibus, a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e as empresas
de ônibus intermunicipais anunciaram que também reajustarão
o valor de suas tarifas.
No dia 14, durante um novo protesto, os estudantes incendiaram uma catraca
de ônibus em frente à prefeitura de São Paulo. Um boneco
do prefeito Kassab também foi queimado junto com a catraca.
Durante os protestos, os estudantes defenderam o ato de pular as catracas
dos ônibus como forma de luta.
Escravidão: bolivianos são libertados em SP
Três "gatos" bolivianos foram presos no dia 18 de janeiro último
por manter compatriotas em regime de trabalho escravo em uma confecção
no Bom Retiro, Centro de São Paulo.
Os agenciadores presos mantinham 15 pessoas em um regime de trabalho de 17
horas diárias recebendo R$ 0,50 por peça produzida. Os trabalhadores
ficavam enfurnados em apartamentos do Centro da cidade, em péssimas
condições de higiene, obrigados a se alimentar precariamente
enquanto trabalhavam.
A prisão desses três agenciadores de imigrantes bolivianos representam
apenas uma ínfima parte dos cativeiros onde se encontram hoje em dia
centenas de trabalhadores que vivem em duras condições de imigrante
ilegal. A eles são impostas as condições mais humilhantes
e degradantes de existência, sob a constante chantagem de denúncia às
autoridades brasileiras.
Nova enchente faz transbordar o ódio das massas
O temporal do dia 19 de janeiro alagou avenidas, fechou túneis, bloqueou
estradas, provocou, desmoronamentos e provocou 6 mortes em São Paulo.
50 pontos de alagamentos foram registrados em toda a cidade. Na zona sul, após
uma hora e meia de forte chuva, as ruas do bairro Rio Bonito, na região
de Cidade Dutra, zona Sul de São Paulo, foram tomadas pela água. A
enchente invadiu casas, derrubou portas e provocou grandes perdas para as famílias.
Os moradores revoltados realizaram um protesto que se estendeu por toda a noite.
Cerca de 300 manifestantes ergueram barricadas de lixo na esquina da Avenida
Senador Teotônio Vilela com a Rua Sebastião de Medeiros e atearam
fogo. Os bombeiros se dirigiram ao local para apagar o fogo e foram recebidos
a pedradas. Os policiais enviados para reprimir o protesto foram atacados com
fogos de artifício e pedras. Durante toda a noite ocorreram explosões
de bombas de fabricação caseira e fogos de artifício detonados
pelos moradores para conter a tropa de choque da PM. Coquetéis molotov
impediram que a polícia invadisse as ruas do bairro.
Os moradores denunciaram os frequentes alagamentos, particularmente após
obras da prefeitura que alargaram um dos córregos que passa pela região,
agravando o problema. Eles contaram que o córrego da Rua Francisco de
Arruda transborda e as casas das imediações são invadidas
pela água.
No dia 20 pela manhã, cerca de 150 moradores voltaram a interditar
a Avenida Dona Belmira Marin em novo protesto contra as constantes enchentes.
A manifestação durou cerca de uma hora. Os moradores incendiaram
pneus e pedaços de madeira para interromper as vias. Na tarde do do
mesmo dia, novo protesto. Cerca de 250 manifestantes incendiaram um ônibus.
O protesto interrompeu o trânsito com uma barricada de pneus e pedaços
de madeira em chamas.
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