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| Resistência do povo palestino - Parte 2: Da criação de israel ao Massacre de Sabra e Chatila |
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| Coletânea de Rosana Bond* | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Combatendo a campanha de desinformação da imprensa imperialista e a propaganda do Estado de Israel, autores israelenses, árabes e de outras nacionalidades falam de questões básicas da história palestina.![]() Resumo da parte 1No artigo anterior Dos cananeus ao holocausto nazista, registramos:
As massas judias não queriam retornar à Palestina “Depois de 1940, quando a autoridade do mandato (Inglaterra) limitou a propriedade judia de terras a zonas específicas dentro da Palestina, (os sionistas) continuaram a comprá-las ilegalmente dentro dos 65% da área total que tinha sido reservada aos árabes. (...) Desta maneira, quando se anunciou o Plano de Partilha em 1947, esta incluía terra de posse ilegal pelos judeus, que foi incorporada como um fato consumado dentro das fronteiras do Estado. (Depois da criação do Estado de Israel) uma série impressionante de leis anexou legalmente imensas extensões de terras árabes (cujos proprietários palestinos, vítimas de atos terroristas judeus, haviam fugido temporariamente a países vizinhos esperando voltar em breve. Estes foram convertidos em refugiados permanentes, declarados ‘proprietários ausentes' por Israel, a fim de expropriar suas terras e impedir seu retorno sob qualquer circunstância). Em 1948, no momento em que Israel se declarou como Estado, possuía legalmente apenas um pouco mais de 6% da terra da Palestina...” — A questão palestina, Edward Said. “(...) ‘Sem a terrível pressão dos EUA sobre governos que não se podiam permitir o risco de represálias estadunidenses,' disse um editorialista anônimo, a resolução ‘jamais teria sido aprovada'.” — Palestina e Israel: um desafio à justiça, John Quigley. “Sinto senhores, mas tenho que satisfazer centenas de milhares que estão ansiosos por ver o êxito do sionismo. Não tenho centenas de milhares de árabes entre meus eleitores.” — Harry Truman, presidente do USA, citado em Anti-sionismo, ed. comp. por Teikener, Abed-Rabbo & Mezvinsky.
“(Entre 1936 e 1939, os judeus organizaram-se através das armas). Além do Haganah, que seria o núcleo formador do futuro exército israelense, surgiram durante o mesmo período outros grupos cujo papel foi o de semear o terror entre a população árabe. O Irgun, cujo núcleo inicial era composto por estudantes da Universidade Hebraica de Jerusalém em 1938, celebrizou-se pela violência implacável com que agia: bombas em praças e mercados, por exemplo. (...) Menos conhecido e igualmente violento foi o grupo Stern, dissidência do Irgun, surgido já no curso da Segunda Guerra Mundial. O Irgun reorganizou-se com a participação do recém chegado judeu polonês Menahem Beguin. Em 1946 levou a cabo um atentado histórico, matando no hotel King David, em Jerusalém, 91 pessoas e deixando dezenas de outras feridas.
Milicianos israelendes comandados por Ariel Sharon (...) Nas vésperas da guerra que levaria à criação do Estado de Israel, esse terrorismo sionista voltava-se já de forma irreversível contra os camponeses árabes e os civis em geral que habitavam a Palestina. Enquanto que os movimentos armados palestinos e os exércitos árabes envolvidos na luta evitavam atingir a comunidade judaica palestina, com a qual haviam convivido durante séculos... o terrorismo sionista... revelou-se impiedoso. Nunca mais os palestinos esqueceriam massacres como o da aldeia de Deir Yassin, em 1947, em que 254 moradores foram exterminados.” — O movimento palestino, do historiador brasileiro (Universidade de São Paulo - USP) Mustafa Yazbek. “Durante todo o dia 9 de abril de 1948, o Irgun e os soldados do Leji (outro grupo armado sionista) realizaram a matança de uma maneira fria e premeditada... Os atacantes ‘alinharam homens, mulheres e crianças contra os muros e os fuzilaram' (...) A crueldade do ataque contra Deir Yassin horrorizou igualmente a opinião pública judia e mundial, encheu de medo e pânico a população árabe, e levou à fuga de seus lares de (palestinos) civis desarmados em todo o país.” — O nascimento de Israel, do autor israelense Simha Flapan. “Menahem Beguin, líder do Irgun, relata que ‘em Jerusalém, como em outras partes, fomos os primeiros a passar da defensiva à ofensiva... Os árabes começaram a fugir aterrorizados... A Haganah estava realizando exitosos ataques em outras frentes, enquanto todas as forças judias avançavam através de Haifa como uma faca cortando manteiga'.” — Colheita amarga, Sami Hadawi. “Ao chegar 1948, os judeus não só estavam em condições de ‘defender-se' mas também de cometer atrocidades massivas. Segundo o ex-diretor dos arquivos do exército israelense, ‘se cometeram atos que são definidos como crimes de guerra, massacres e violações em quase cada aldeia que ocupamos durante a Guerra de Independência (1948)' (...)Uri Milstein, o respeitado historiador militar israelense da guerra de 1948, vai ainda mais além, sustentando que ‘cada escaramuça terminava num massacre de árabes'.” — Imagem e realidade do conflito israelense-palestino, de Norman Finkelstein
“Por que os árabes deveriam buscar a paz (com Israel)? Se eu fosse um dirigente árabe, jamais chegaria a um acordo com Israel. É natural: tiramos deles o seu país. Sim, Deus o prometeu a nós. Mas que importa isso a eles? Nosso deus não é o deles. Viemos de Israel, está certo, mas faz 2 mil anos. E o que eles têm a ver com isso? Houve o anti-semitismo, os nazistas, Hitler, Auschwitz, mas isso foi culpa deles? Eles só vêem uma coisa: viemos para cá e lhes roubamos o seu país. Por que deveriam aceitar isso?” — David Ben Gurión, citado em O paradoxo judeu, de Nathan Goldman, ex-presidente do Congresso Mundial Judeu. (Os exércitos árabes não eram “poderosos”, pelo contrário. Alguns deles tinham sido formados há menos de dois anos, outros há poucos meses. Desde o final da Primeira Guerra Mundial, aquelas tropas eram um arremedo de força bélica, pois seus países não eram independentes, estavam sob o domínio de potências colonialistas como a Inglaterra e a França.) “Esses exércitos regulares estavam mal equipados e careciam de um comando central para coordenar suas ações... (O rei da Jordânia, Abdullah) prometeu (aos israelenses e aos britânicos) que suas tropas, a única verdadeira força combatente entre os exércitos árabes, evitariam o combate nos assentamentos de judeus ... Apesar disso, os historiadores ocidentais registram (essa guerra) como o momento em que o jovem Estado de Israel rechaçou ‘as abrumadoras hordas' de cinco países árabes. Na realidade, o que ocorreu foi uma intensificação da ofensiva israelense contra os palestinos.” — Nossas raízes vivem, People's Press Palestina Book Project, citado no documento A origem do conflito palestino-israelense, do grupo Judeus pela Justiça no Oriente Próximo. “(Os exércitos árabes não tiveram ordem de atacar as áreas pertencentes ao Estado de Israel e sim somente de defender o território pertencente aos palestinos, designado pela ONU). A Liga Árabe convocou precipitadamente seus países membros a enviar tropas regulares à Palestina. Foi ordenado a elas que protegessem somente os setores da Palestina entregues aos árabes (palestinos), de acordo com o plano da Partilha (da ONU).” — Nossas raízes vivem (Com essa chamada Guerra de 1948, os israelenses tomaram 78% do território palestino, desobedecendo a própria Partilha da ONU. Isso já vinha sendo planejado há tempos). “Enquanto a direção do Yishuv aceitou formalmente a resolução da Partilha, de 1947, grandes setores da sociedade israelense — incluindo... Ben-Gurión — estavam em oposição ou extremamente descontentes com a Partilha, e consideravam desde o princípio (a possibilidade de) uma guerra como uma oportunidade ideal para expandir as fronteiras do novo Estado, para além das fronteiras determinadas na Partilha pela ONU, e isso à custa dos palestinos.” — Tikkun, do historiador israelense Benny Morris. (Na Guerra dos Seis Dias, sob o pretexto de defender-se de uma ameaça de destruição por parte do Egito, Israel atacou aquele país. Não satisfeito, atacou também a Síria e a Jordânia, para tomar o restante do território palestino que não havia ocupado em 1948, ou seja, Gaza e Cisjordânia.) “O ex-comandante da Força Aérea (israelense), general Ezer Witzman, considerado um falcão (direitista) declarou que não havia ‘ameaça de destruição', mas que o ataque contra o Egito, Jordânia e Síria fora justificado, de todo modo, para que Israel pudesse ‘existir segundo a escala, o espírito e a qualidade que agora encarna.'... Menahem Beguin fez os seguintes comentários: ‘Em junho de 1967, tivemos novamente uma alternativa. As concentrações do exército egípcio nas proximidades do Sinai não provam que Nasser (Gamal Abdel Nasser, dirigente do Egito) estivesse realmente a ponto de atacarnos. Temos que ser honrados com nós mesmos. Decidimos atacá-lo.” — O triângulo fatídico, de Noam Chomsky. “Não penso que Nasser buscava uma guerra. As duas divisões que enviou ao Sinai não seriam suficientes para lançar uma guerra ofensiva. Ele sabia e nós o sabíamos.” — Yitzhak Rabin, chefe do Estado Maior de Israel em 1967, no Le Monde de 28/2/1968.
“Em 6 de junho (de 1982), com o pretexto de um atentado contra o embaixador israelense em Londres, do qual a própria Scotland Yar dhavia isentado a OLP de responsabilidade, começava por terra, mar e ar o que o exército israelense chamaria de Operação Paz para a Galiléia. (Obs: milhares de palestinos expulsos de sua terra por Israel, ao longo dos anos, estavam refugiados no Líbano. A sede da Organização de Libertação da Palestina — OLP — também ficava naquele país.) Quase 80 mil soldados cruzaram a fronteira. Em quatro dias os invasores estavam nos subúrbios de Beirute.” — O movimento palestino. 8
(O banho de sangue durou três dias, com cerca de 3 mil civis chacinados.) “Desde o início, o massacre adquire proporções consideráveis, segundo afirmam os que escaparam. Durante essas primeiras horas (15 de setembro), os milicianos falangistas matam centenas de pessoas...liquidam famílias inteiras em pleno jantar. (...) Em numerosos apartamentos, crianças de 3 ou 4 anos são encontradas de pijamas, enroladas em cobertores ensanguentados. Mas, frequentemente, os assassinos não se contentam em matar...cortam os membros de suas vítimas antes de liquidá-las...esmagam contra a parede a cabeça das crianças e dos bebês... mulheres e até meninas são violadas antes de serem assassinadas a golpe de machado. (...) Usando o machado e a faca, os milicianos espalham o terror...abatendo sem distinção homens, mulheres, crianças e velhos. (...) Também não distinguem entre cristãos e muçulmanos, libaneses e palestinos. Todos os que vivem nos acampamentos...devem ter o mesmo fim. (Em Chatila), toda a família Mikdad é assassinada... entre eles uma mulher chamada Zeinab no oitavo mês de gravidez. Abrem-lhe o ventre, tiram-lhe o feto e o colocam nos braços de sua mãe morta. (Também em Chatila) várias outras mulheres são violadas antes de serem assassinadas. Despem-nas e seus corpos são dispostos em forma de cruz (Obs: Os falangistas são cristãos)” — O massacre de Sabra e Chatila, do jornalista israelense Amnon Kapeliouk. “É inconcebível pensar, à luz das provas e de numerosos testemunhos, que os generais Haron e Eytan, os artesãos da operação Sabra e Chatila, não sabiam o que iria se produzir nos dois acampamentos.” — O massacre de Sabra e Chatila. “O general (israelense Amos Yaron) confirma-lhes (às forças libanesas) que suas tropas fornecerão toda a ajuda necessária ‘para a limpeza de terroristas nos acampamentos'. O general Drori, em seguida, telefona a Ariel Sharon e anuncia-lhe: ‘Nossos amigos estão penetrando nos acampamentos. Coordenamos sua entrada'. ‘Parabéns!', responde Ariel Sharon, ‘a operação de nossos amigos está aprovada'.” — O massacre de Sabra e Chatila.
{mospagebreak} O Estado da PalestinaO Estado da Palestina (Daulet Falastin) não é reconhecido pela ONU. Sua capital é Jerusalém. Reúne uma população de aproximadamente 3 milhões de pessoas numa área de 11.573 km². Suas cidades principais são: Beit Jalla, Beit Sahur, Belém, Gaza, Hebron, Jabaliya, Jenin, Jericó, Jerusalém, Khan Yunis, Nabulus, Qali-qilia, Rafah, Ramallah, Tulkarm.
Principal partido
Economia
(*) Fontes principais: Documento A origem do conflito palestino-israelense, 2002, do grupo Judeus pela Justiça no Oriente Próximo (site: www.palestina.com.mx); O massacre de Sabra e Chatila, Amnon Kapeliouk, ed.Vega/Novo Espaço, 1983; O movimento palestino, Mustafa Yazbek, ed. Mercado Aberto, 1987.
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Mao Tse Tung |
| Nº 86, fevereiro de 2012 |
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