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| A necessidade da consciência política |
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| Rosa Minine | |||
Entrevista: Sérgio de Carvalho / Companhia do LatãoCriada em 1996 por Sérgio de Carvalho e Márcio Mapiano, a Companhia do Latão, uma das mais bem-sucedidas trupes teatrais nacionais, difere das demais por preferir focar a sociedade aos conflitos individuais. Inspirada pelo teatro épico do dramaturgo Bertolt Brecht, ela trabalha, além dos textos de Brecht e outros, com escrita teatral própria, sempre buscando uma linguagem adequada aos problemas atuais brasileiros. O processo de criação do grupo é coletivo e trabalhado diretamente por Sérgio, que cursou Administração de Empresas, se formou em jornalismo e fez mestrado em Artes Cênicas, e Márcio, formado em Artes Cênicas na Escola de Comunicações e Artes da USP.
Quando começaram, eram somente um grupo de atores tentando realizar um espetáculo desenvolvido através de estudos de teatro dialético proposto por Brecht, com a intenção de produzir dramaturgia nacional contemporânea, que abordasse temas atuais de uma forma não dramática e mais ampla sob um ponto de vista social. Enquanto muitos grupos investiam nas emoções do público, procurando envolver as pessoas nos dramas dos protagonistas, o futuro Latão queria alguma coisa a mais do que isso. Agente do debate
Um dos temas constantes em seus espetáculos é a política, centrada na luta de classes. Procuram sempre realizar um teatro que tenha um elemento humanizador na racionalidade humana e inteligível para o espectador. Para a Companhia do Latão um ator não é apenas um repetidor de falas e sim um agente que ajuda a fazer do teatro um meio de provocar a reflexão sobre os problemas políticos do país. Ela mostra as contradições do capitalismo, que condicionam os atos e as posturas de cada indivíduo, atores, personagens e públicos. Essas contradições são apresentadas, tornadas evidentes, sem serem resolvidas, porque, na verdade, essa resolução pede uma ação social coletiva, e não somente ação estética individual. “A Companhia do Latão conseguiu superar o sentimentalismo socializante graças ao marxismo. Sem um diálogo com o materialismo dialético e sua tradição crítica seria impossível representar as contradições do capitalismo brasileiro. Foi importante para nós perceber que preocupação social não significa tratamento crítico. Não basta mostrar a exploração com idealismo, como se bastasse citar o problema para gerar reflexão mais ampla. As imagens da desigualdade podem ser conservadoras se a forma da apresentação não for questionada. É por isso que parte do bom cinema brasileiro de hoje ainda está na fase da compaixão pelos pobres ou da descrição moralista da barbárie. São poucas as obras em que existe uma vontade de ativar os conflitos e torná-los mais claros”, explica Sérgio de Carvalho. Teatro de debates
Buscando resgatar o teatro engajado e sempre com preços populares o grupo tem conquistado públicos distintos. Os espetáculos, geralmente com debates ao seu término, também são levados às universidades, sindicatos, etc. “Os nossos espetáculos têm se deparado com todo tipo de platéias. É claro que é sempre uma alegria encontrar espectadores que tendem a uma posição antiburguesa. Há poucos dias, um grupo de 40 operárias da indústria química foi ver O mercado do gozo. No debate ficou claro que elas tiveram uma compreensão inovadora sobre a forma da peça porque entendem, na prática, que a exploração e a alienação do trabalho não são imagens de fi cção”, comenta Sérgio. Os espetáculos
Em 1996, assim que foi formado, ainda sem o nome, o grupo montou seu primeiro espetáculo: Ensaio para Danton, baseada em A Morte de Danton, de Georg Büchner. Depois deste, mandaram um projeto de ocupação do Teatro de Arena, em São Paulo, ganharam o espaço e foram estudar a obra de Bertolt Brecht. Assim surgiu o seu segundo espetáculo, Ensaio sobre o latão, um experimento cênico inspirado no pensamento artístico de Brecht, da mesma forma como é exposto em A compra do latão. A peça estreou em agosto de 1997 no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em São Paulo, com a proposta de desnudar o processo de criação de uma peça. Montaram um espetáculo no qual faziam uma discussão sobre a arte voltada para a realidade, que ensina a observar o mundo, mas de uma forma teatral. Sucesso de público
A comédia do trabalho é um grande sucesso da Companhia do Latão. Escrita pela própria Companhia, mais especificamente por Sérgio de Carvalho e Márcio Mapiano, estreou em agosto de 2000, conseguindo um absoluto sucesso de público — assistido por mais de 40 mil espectadores, ultrapassou a marca de 150 apresentações, e continua somando números já que, assim como Santa Joana dos matadouros, faz parte do repertório atual da Companhia. O espetáculo mostra o universo das relações trabalhistas, falando de desemprego, busca por uma ocupação no mercado de trabalho, subemprego e exploração. Depois do enorme sucesso na primeira temporada em São Paulo, o grupo viajou um ano pelo Brasil, levando os espetáculos às principais capitais brasileiras e interior.
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![]() Obras Escolhidas IIIMao Tse Tung480 páginas De |
| Nº 89, maio de 2012 |
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