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| Uruguai: O que passou com a crise? |
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| La Verdad - para A Nova Democracia | |||
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Montevidéu – A crise econômica, crise cíclica, que começou com a recessão em agosto de 1998 se manteve até o primeiro semestre do ano passado de 2003, é considerada uma das mais longas e pesadas da história do Uruguai. Período em que o PIB caiu aproximadamente 20%, o desemprego duplicou, chegando no momento mais alto, em fim de 2002, aos 20%. A queda dos salários esteve em 30% e a pobreza se estendeu tremendamente. Em janeiro de 1999, a crise teve sua alta com a desvalorização brasileira e, em 2002, seguida à crise Argentina. Em meados deste ano se deu no país a crise bancária-financeira, com o fechamento de importantes bancos, o corralito uruguayo, para os prazos fixos na banca estatal e a fuga da metade dos depósitos. No primeiro semestre de 2003 o PIB ainda caía 7%, mas no segundo semestre começou uma recuperação importante que deu um aumento de 2,5% no ano. Para 2004, o governo e alguns organismos internacionais prevêem um aumento acima de 5%. Isto acompanha o crescimento da economia regional, especialmente da Argentina e é resultado da desvalorização de 90% (em 2002), da maior competitividade gerada pela queda salarial, a revalorização do Euro e a melhora dos preços internacionais da carne, da soja (atualmente no auge) e alguns produtos manufaturados. Ou seja, esta reanimação se dá fundamentalmente no setor exportador, setor que passa agora a ser o mais privilegiado por esta política econômica. A crise bancária-financeira fez chegar o Risco–país a mais de 2 mil pontos — hoje está ao redor dos 600. Mas, nesse caso, a saída dessa base se deu com maior endividamento e milhares de poupanças e devedores em dólares pelo caminho. Em se tratando de dívida externa em nosso país, ela atingiu 115% do PIB, cerca de 13 bilhões de dólares. Isto explica pagamentos de juros com cifras maiores que 1 bilhão de dólares num país que hoje apenas supera os 2 bilhões de dólares em exportações. Apesar disso o FMI vai desembolsar 800 milhões de dólares em 4 parcelas, enquanto o BID e outros organismos vão “ajudar” as classes dominantes, que têm pela frente um difícil ano eleitoral. A uma reativação mais firme se opõem vários fatores de instabilidade, no plano internacional e regional: a crise energética de que padece a região e as eleições deste ano, nas quais a Frente Ampla-Encontro Progressista pode ganhar, um fator de crise política e de riscos para os capitalistas. As eleições de 2004
Este ano temos eleições internas em junho, o primeiro turno em outubro, o segundo em novembro e as municipais em maio de 2005. Nas eleições de 1999, as classes dominantes impuseram a Reforma Eleitoral e a votação, logrando derrotar a Frente Ampla no segundo turno por 7%, unindo os partidos tradicionais da oligarquia: o Partido Colorado, do atual presidente Batlle e o Partido Nacional. Em 1994 a FA perdeu por 20 mil votos, 1%. Em 1989 perdeu porque se dividiu. O movimento operário e popular
Nestes anos de crises se deram lutas importantes, onde se destaca a greve de 12 dias dos servidores municipais de Montevidéu, ADEOM (Asociación de Empleados y Obreros Muncipales), contra o próprio governo “frenteamplista”, pelo cumprimento do convênio salarial em 2002 e a greve de dois meses protagonizada pelos trabalhadores da saúde pública, no ano passado, que obteve importante vitória , com o aumento de uma parcela fixa de 1.000 pesos (100 reais). Essas lutas — as dos bancários que perderam milhares de postos de trabalho por causa da crise, do fechamento e encolhimento dos bancos e as lutas de outros sindicatos — elevaram o peso do classismo no movimento sindical. Isto se refletiu nos últimos dois congressos da central PIT-CNT. A luta abre caminho
Apesar disso, a luta abre caminho. Em 7 de dezembro o povo uruguaio obteve uma vitória importante com o triunfo do Referendum que impediu a privatização da ANCAP (Administracion Nacional de Combustibles Alcohol y Portland), a empresa estatal que tem o monopólio de exportação e refino de petróleo. O resultado foi 65% para o Sim, contra o governo e a privatização e 35% para o Não. Este Referundum surgiu em oposição à maioria reformista que, inclusive, participou na redação da própria lei derrotada. Está em marcha um plebiscito contra a privatização do serviço de água potável e saneamento, para o qual já se conseguiu as assinaturas e acontecerá junto com as eleições de outubro.
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| Nº 89, maio de 2012 |
| Edición en español |