Notas Nacionais

O 8 de Março pelo Brasil

No Rio de Janeiro, o Movimento Feminino Popular (MFP) organizou uma celebração ao 8 de março, o Dia Internacional da Mulher Proletária, realizada no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Centro da cidade.

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Belo Horizonte

A celebração foi dedicada às memórias gloriosas da companheira Sandra Lima, fundadora, dirigente e principal formuladora da linha do movimento, falecida em 27 de julho de 2016; e da companheira Dirma, fundadora do MFP na cidade do Rio de Janeiro, falecida no último dia 14 de fevereiro.

Dezenas de mulheres estudantes, trabalhadoras e ativistas de movimentos populares como o Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) e a Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo (FRDDP) participaram da celebração. Após o debate, para coroar com uma jubilosa homenagem, um grupo de jovens revolucionárias, empunhando um estandarte estampando a imagem de Sandra Lima, realizaram uma apresentação e entoaram o Hino do MFP.

Em Belo Horizonte (MG), ativistas do MFP realizaram vibrante agitação na troca de turnos da fábrica da empresa Lear Corporation, no qual nem mesmo a forte chuva foi capaz de esfriar o ânimo revolucionário das mesmas. Distribuindo panfletos que explicavam a situação do país e da mulher trabalhadora brasileira, as ativistas convocaram as operárias a se organizarem para a luta popular. Durante a agitação, faixas celebrando o centenário da Grande Revolução Socialista de Outubro na Rússia e o 8 de Março foram estendidas, além do estandarte da dirigente Sandra Lima.

No Recife (PE), o 8 de Março foi celebrado pelo MFP numa ocupação de sem-teto. Compareceram ao evento cerca de 30 pessoas, em sua maioria mulheres, que realizaram uma vigorosa atividade afirmando que ‘O Brasil precisa de uma Grande Revolução!’. Em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba (PR), o MFP fez uma grande pichação numa via pública com as frases: Companheira Sandra: Presente na Luta! Despertar a Fúria Revolucionária da Mulher!


Menino assassinado por seguranças do Habib’s

No último dia 26 de fevereiro, o menino João Victor, negro, de apenas 13 anos, estava pedindo esfiha aos clientes que estavam na calçada em frente ao Habib’s, na Vila Nova Cachoeirinha, Zona Norte de São Paulo, quando foi assassinado após ser agredido com um soco no rosto por um segurança.

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População se revolta contra morte de jovem, SP (Foto: Daniel Arroyo do Ponte Jornalismo)

Segundo pessoas que estavam no local, o soco foi tão forte que o garoto morreu na hora, tornando vã a tentativa dos presentes de socorrer o menino que pedia comida. Os seguranças da lanchonete disseram, no boletim de ocorrência, que o garoto saiu correndo e teria sofrido uma parada cardiorrespiratória, o que foi negado pelas testemunhas.  “Era um menino bom, nunca pegou nada de ninguém. Ele ganhava umas moedas e sempre trazia alguma comida pra casa”, afirmou a prima de João, Aline Cardoso, em declaração à imprensa.

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(Foto: Daniel Arroyo do Ponte Jornalismo)

O fato gerou intensa revolta em amplos setores da sociedade que, desde então, passaram a organizar um boicote contra o Habib’s. A campanha visa denunciar, além do ocorrido na Vila Nova Cachoeirinha, toda a campanha de criminalização da pobreza, principalmente contra jovens negros. Da mesma forma, algumas manifestações foram realizadas nas semanas seguintes em frente a lanchonetes da empresa.

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(Foto: Daniel Arroyo do Ponte Jornalismo)


População ergue barricadas em rodovias

No dia 2 de março, uma manifestação realizada por moradores do bairro Jardim Borato, em Ponta Grossa, Paraná, bloqueou a BR-376 exigindo melhorias na sinalização da rodovia e a implantação de mais dispositivos de segurança.

Em 5 de março, moradores do município de Novo São Joaquim, no Mato Grosso, realizaram um protesto exigindo a pavimentação da rodovia MT-110, que liga o município a Campinápolis. A obra de pavimentação começou a há quatro anos e até hoje não foi concluída.

No dia seguinte, 6 de março, uma nova manifestação foi realizada por moradores de Carandaí, em Minas Gerais, que fecharam os dois sentidos da BR-040 exigindo a construção de uma passarela na região. Em todas estas manifestações a população ergueu barricadas de pneus em chamas para bloquear as rodovias.

Já no dia 8 de março, moradores do Povoado Salinas, em Laranjeiras, Sergipe, fecharam uma rodovia do município durante uma manifestação contra a falta de água na região. Mais de 250 famílias estavam sem água há três meses e as contas com valores considerados exorbitantes continuaram chegando nas residências.

Ainda no fim do mês de fevereiro, também foram registrados muitos protestos pelo Brasil, como fomos informados através de leitores. Em 23 de fevereiro, moradores da Vila Tupã 2, em Sorocaba, São Paulo, bloquearam a Avenida Celso Charuri com uma barricada de pneus em chamas em protesto contra a falta de transporte público.

No dia 25 de fevereiro, moradores do Bairro Rio Vermelho, em Florianópolis, Santa Catarina, fizeram uma manifestação em repúdio ao assassinato do morador Júnior Alceu Ramos, de 23 anos, por policiais militares dois dias antes. Durante o justo protesto a população local também montou uma barricada de pneus em chamas para bloquear a rodovia João Gualberto Soares.


SP: Resistência contra agressão policial

Comitê de Apoio ao AND - São Paulo

Na tarde de 7 de março, estudantes, trabalhadores e professores protestaram em frente ao prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) por conta de uma votação do Conselho Universitário, que discutiria o documento “Parâmetros de Sustentabilidade Econômico-Financeira da USP”, que estabelece teto de gastos para a instituição e medidas que vão do não pagamento de reajuste à demissão de funcionários.

Para impedir a entrada de cerca de 100 burocratas no Conselho Universitários, os manifestantes fizeram um cordão em frente ao portão do Conselho. Os conselheiros e a força policial tentaram romper o cordão dos estudantes que resistiram somente com a força do corpo contra os socos e coronhadas que lhe eram dados.

Após 2 horas, fracassados e humilhados por não conseguirem romper o cordão dos combativos estudantes, a reitoria da Universidade acionou a tropa de choque da PM e o que se seguiu foi uma tática covarde por parte da força policial do velho Estado. Tentando afrouxar o cordão e permitir a entrada dos burocratas no Conselho, o choque lançou bombas de gás em direção a grupos de crianças que estavam na manifestação junto com seus pais, pois um dos pontos do texto é o fechamento de creches.

As pessoas que saíram para socorrer as crianças foram isoladas, espancadas e 4 foram detidas. Em respostas a tal truculência, os estudantes feriram e neutralizaram 4 policiais. Para mais informações, consulte o Blog da Redação do AND (andblog.com.br) em postagem realizada no dia 10 de março.