8 de Março: Mulheres espalham as chamas da Revolução

O 8 de Março é o Dia Internacional da Mulher Proletária. Muito ao contrário do que o monopólio das comunicações apregoa através dos canais de TV, rádios, revistas, jornais etc. — que a data seria um dia de festa e exaltação a uma suposta “fragilidade da mulher”, dia em que elas devem receber flores e outros presentes do tipo —, o 8 de Março, historicamente, é um dia de combate das mulheres do povo, das operárias, camponesas, estudantes e trabalhadoras em geral contra a exploração a que são submetidas pelo sistema de exploração vigente no mundo, o capitalismo, já em sua fase agonizante e parasitária, o imperialismo.

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Ato que serviu de marco para a comemoração do Dia Internacional da Mulher Proletária,1917

A data tem origem nas históricas lutas do proletariado internacional, notadamente nas jornadas revolucionárias que culminaram na Grande Revolução Socialista de Outubro na Rússia, que este ano completa 100 anos. Em 8 de Março de 1917 (23 de fevereiro no calendário juliano), as mulheres trabalhadoras do setor de tecelagem entraram em greve e realizaram demonstrações populares contra as péssimas condições de vida, a fome e a guerra imperialista que castigava o povo da Rússia. Em fevereiro de 1917, a revolução democrática derrubou o regime feudal do czar Nicolau II e instaurou um governo provisório burguês, que chegou ao fim quando as massas proletárias, em outubro (sob a direção do Partido Bolchevique, que conclamou “Todo Poder aos Sovietes!”), tomaram o Poder. Os acontecimentos do 8 de Março tiveram uma importância fundamental para o início do movimento revolucionário que viria a concretizar-se na Revolução de Outubro, a primeira Revolução Proletária da história.

Na ocasião daquele mês de março de 1917, na cidade de Petrogrado, dezenas de milhares de operárias (algumas fontes históricas falam em cerca de 90 mil) paralisaram os trabalhos e marcharam pelas ruas levantando as palavras de ordem Retorno de nossos maridos das trincheiras! e Pão para os nossos filhos! O país estava arrasado pela miséria agravada pela Primeira Guerra Mundial, que causava inúmeros sofrimentos para as massas, além de empurrar para o conflito milhares de filhos do proletariado, que padeciam nas trincheiras da Europa devastada (aproximadamente 1,7 milhões de soldados russos já haviam morrido e as derrotas humilhantes para o exército alemão se sucediam).

A movimentação feminina teve muito impacto na sociedade e enfrentou feroz repressão policial. No dia 10, as operárias e operários atacaram e destruíram diversos postos da polícia e, no dia seguinte, a repressão sanguinária abriu fogo contra a massa de trabalhadores. Mesmo assim, a classe operária não titubeou e manteve-se firme, fazendo a polícia czarista estremecer, o que ocorreu, de fato, no dia 12, quando os regimentos da guarnição de Petrogrado abaixaram as armas e se passaram para o lado dos operários revolucionários.

A dirigente comunista russa Alexandra Kollontai (1872 - 1952) assim descreveu os extraordinários acontecimentos: “O Dia Internacional das Mulheres de 1917 tornou-se memorável na história. Nesse dia, as mulheres russas ergueram a tocha da Revolução Proletária e incendiaram todo o mundo”. Tempos depois, Kollontai, em sua obra Mulheres militantes nos dias da Grande Revolução de Outubro, abordou a participação feminina no processo revolucionário: “Algum dia a história escreverá sobre as proezas dessas heroínas anônimas da revolução, que morreram na guerra, foram mortas pelos [guardas] brancos e amargaram incontáveis privações nos primeiros anos seguintes à revolução, mas que continuaram a carregar nas costas o Estandarte Vermelho dos Poder Soviético e do Comunismo”.

O significado

Exatamente pela sua origem, o 8 de Março não é um dia de todas as mulheres, mas sim das mulheres que compõem as classes laboriosas que levantam suas bandeiras de luta contra o sistema capitalista e, nos casos dos países coloniais e semicoloniais como o Brasil, contra a grande burguesia, a semifeudalidade (representada pelo latifúndio) e a dominação imperialista, as três montanhas de opressão que se abatem contra as massas populares. No caso das mulheres, ainda há uma quarta montanha, a opressão sexual, como afirma o Movimento Feminino Popular (MFP), organização que atua em diversos estados brasileiros, na cidade e principalmente no campo, mobilizando e politizando as mulheres do povo para a luta revolucionária.

Em artigo publicado nas páginas do jornal A Nova Democracia ainda em suas primeiras edições, a grande dirigente revolucionária Sandra Lima, fundadora do MFP falecida em 27 de julho de 2016, afirmava o caráter e o significado do 8 de Março:

“Ademais de tudo isso, a origem do 8 de Março faz uma demarcação histórica e internacional com o feminismo burguês e as manobras do imperialismo ianque sobre a luta das mulheres. Acho importante destacar a passeata das operárias russas em 8 de Março de 1917 como a data que unificou os movimentos revolucionários de mulheres e que o incêndio da fábrica em Nova Iorque de fato aconteceu, porém, em outra data, sendo utilizado pelo imperialismo, com a conivência do feminismo burguês, para não permitir que a data se baseasse num acontecimento num país socialista, e que disseminasse a ideologia burguesa de dia de todas as mulheres, retirando o caráter de classe da data.

Reverenciamos a memória das combatentes que, na história da luta de classes no Brasil, dedicaram suas vidas à revolução, sobretudo aquelas que compreenderam de forma mais profunda a ideologia do proletariado e, de armas nas mãos, lutaram pela destruição do velho Estado e por uma Nova Democracia e pelo Socialismo no Brasil.

Saudamos estas intrépidas combatentes nas figuras de Olga Benário e das combatentes da Guerrilha do Araguaia na pessoa de Dinalva O. Teixeira (Dina). Saudamos as mulheres proletárias e as massas populares de todos os  países do mundo, sobretudo aquelas que desenvolvem guerras populares na Índia, Turquia, Filipinas e Peru, e as que lutam contra a opressão imperialista na Palestina, Iraque, Afeganistão e outros países dominados. Exaltamos esse contingente de mulheres valorosas nas figuras expoentes do proletariado internacional: as alemãs Clara Zetkin e Rosa Luxemburgo; as soviéticas Krupskaia e Alexandra Kollontai; a francesa Inez Armand; a italiana Tina Modotti; a chinesa Chiang Ching; as peruanas Yovanca Pardavé Trujillo e Augusta la Torre Carrasco.”